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Do solo à saúde: pesquisa em Alagoas cria soluções com potencial de mercado

Pequisa feita na Ufal gerou cinco patentes voltadas à eficiência de fertilizantes e ao combate de fungos de interesse clínico e veterinário
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  1. Pesquisa da Ufal desenvolve inibidores de urease para melhorar eficiência de fertilizantes nitrogenados no solo.
  2. Cinco patentes foram depositadas com aplicações potenciais no agronegócio e na área clínica de saúde.
  3. Novos compostos superam desempenho do NBPT, principal inibidor comercial, em solos ácidos brasileiros.
  4. Tecnologia retarda degradação da ureia, aumentando aproveitamento de nitrogênio pelas plantas e reduzindo perdas ambientais.
  5. Solução viável nacionalmente oferece alternativa competitiva ao produto importado no mercado de fertilizantes.
Doutorando da Ufal, Emeson Santos, realiza pesquisa sobre festilizantes e combate a fungos
Doutorando da Ufal, Emeson Santos, realiza pesquisa sobre festilizantes e combate a fungos. Foto: Ascom Ufal

A perda de parte dos fertilizantes nitrogenados antes que eles sejam absorvidos pelas plantas é um dos entraves para a eficiência da adubação no campo. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) buscou atacar esse problema a partir da química e resultou no depósito de cinco patentes com potencial de aplicação no agronegócio e na área clínica.

O trabalho foi conduzido pelo doutorando Emeson Santos, do Programa de Pós-graduação em Química e Biotecnologia da Ufal. A pesquisa desenvolveu novos compostos capazes de inibir a ação da urease, enzima que acelera a degradação da ureia no solo e contribui para perdas de nitrogênio na forma de amônia.

A ureia é um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados na agricultura. O problema é que, ao entrar em contato com o solo, ela pode ser rapidamente degradada pela urease, favorecendo a volatilização do nitrogênio antes que o nutriente seja aproveitado pelas plantas.

Os inibidores desenvolvidos na Ufal atuam justamente nesse ponto. Eles retardam ou bloqueiam a ação da enzima, permitindo maior permanência do nitrogênio no solo. Segundo Emeson, isso pode aumentar a eficiência da adubação e reduzir perdas econômicas e ambientais.

“Os inibidores de urease atuam justamente controlando essa reação, permitindo que o nitrogênio permaneça disponível por mais tempo no solo. Com isso, há maior aproveitamento do fertilizante pelas plantas, aumento da eficiência da adubação e redução das perdas ambientais”, disse o doutorando.

Hoje, o principal inibidor comercial de urease utilizado no mercado é o NBPT. Segundo o pesquisador, porém, o produto apresenta limitações em determinadas condições de solo, especialmente em ambientes mais ácidos e com maior teor de matéria orgânica, características comuns em áreas agrícolas brasileiras.

Os compostos desenvolvidos pela pesquisa apresentaram desempenho superior ao NBPT em aspectos como potência de inibição e estabilidade em diferentes tipos de solo. Para o pesquisador, o resultado indica que a tecnologia pode ser mais adaptada às condições brasileiras.

Pequisa fertilizantes Ufal
Pesquisa desenvolveu novos compostos capazes de inibir a ação da urease, enzima que acelera a degradação da ureia no solo. Foto: Divulgação

“Os resultados indicam não apenas maior potência de inibição da urease, mas também maior estabilidade em diferentes tipos de solo, incluindo variações de pH e matéria orgânica”, ressaltou Emeson.

Além do desempenho técnico, o pesquisador destaca o potencial econômico da solução. Segundo ele, os compostos desenvolvidos podem ser mais viáveis do que a alternativa importada disponível atualmente, abrindo espaço para uma tecnologia nacional aplicada à cadeia de fertilizantes.

“Isso demonstra um avanço significativo em termos de inovação e reforça o potencial dessas tecnologias para aplicação no mercado, especialmente por apresentarem características que podem torná-las mais eficientes e competitivas”, completou.

Pesquisa também avança em aplicação antifúngica

Além dos compostos voltados à agricultura, a pesquisa resultou no desenvolvimento de nanopartículas de selênio com ação antifúngica. Em testes laboratoriais, as partículas apresentaram resultados promissores contra fungos de interesse clínico e veterinário, como o Cryptococcus neoformans, associado a infecções graves em pessoas imunossuprimidas e em animais.

Segundo o pesquisador, as infecções fúngicas ainda são um desafio para a medicina, especialmente pela limitação de opções terapêuticas, pelos casos de resistência e pela toxicidade de alguns tratamentos convencionais.

“Nesse contexto, as nanopartículas de selênio se destacam por apresentarem elevada atividade antifúngica, com desempenho superior a antifúngicos tradicionais em testes laboratoriais, além de maior estabilidade e potencial redução de toxicidade”, afirmou.

Antes de qualquer aplicação na saúde humana ou veterinária, no entanto, a tecnologia ainda precisa avançar em estudos adicionais de segurança e eficácia em modelos biológicos mais complexos.

Pesquisa nanoparticulas de selênio Ufal
Doutorando da Ufal também realizou pesquisa que resultou no desenvolvimento de nanopartículas de selênio com ação antifúngica. Foto: Divulgação

Patentes ainda precisam chegar ao setor produtivo

A tecnologia ainda precisa passar por novas etapas antes de chegar ao mercado. No caso das aplicações agrícolas, os próximos passos incluem testes em diferentes tipos de solo, avaliações em campo, estudos de desempenho agronômico, análise de viabilidade técnica e econômica, formulação e escalonamento de produção.

Segundo Emeson, o avanço depende da consolidação dos dados já obtidos e da aproximação com empresas, instituições de pesquisa e agentes interessados em levar a tecnologia para aplicações comerciais.

“De forma geral, o caminho envolve consolidar os resultados já obtidos, avançar nas etapas pré-industriais e fortalecer as conexões com o setor produtivo para que essas tecnologias possam, de fato, chegar ao mercado e gerar impacto social”, afirmou.

O trabalho teve colaboração do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Também contou com suporte do Laboratório de Inovação em Química Analítica (Linqa), do Instituto de Química e Biotecnologia da Ufal (IQB) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Rede Nacional de Inibidores de Ureases (INCT-Redniu).

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