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UFRN cria processo para reaproveitar resíduos de perfuração de petróleo

Pesquisadores do Laboratório de Tecnologia de Tensoativos da UFRN desenvolvem método para recuperar óleo de cascalhos de perfuração sem solventes tóxicos
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  1. Pesquisadores UFRN desenvolvem método físico-químico para recuperar óleo de cascalhos de perfuração com tensoativos não iônicos.
  2. Processo utiliza aquecimento e centrifugação controlados, eliminando solventes tóxicos e inflamáveis das operações de extração de petróleo.
  3. Tecnologia em prova de conceito laboratorial dispensa equipamentos especializados, viabilizando aplicação em plataformas e campos terrestres nordestinos.
  4. Nordeste concentra 2.300 poços terrestres que geram resíduos sem rota definida em bacias Potiguar, Recôncavo e Sergipe-Alagoas.
  5. Método transforma cascalho descartado em recurso reutilizável, reduzindo impactos ambientais e riscos operacionais da indústria petrolífera regional.
UFRN desenvolve método para recuperar óleo de cascalhos de perfuração sem solventes tóxicos, com aplicação em plataformas e campos terrestres do Nordeste. Foto: Cícero Oliveira/Agecom/UFRN
UFRN desenvolve método para recuperar óleo de cascalhos de perfuração sem solventes tóxicos, com aplicação em plataformas e campos terrestres do Nordeste. Foto: Cícero Oliveira/Agecom/UFRN

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um processo físico-químico integrado para recuperar óleo residual presente em cascalhos de perfuração à base de olefina, resíduo sólido gerado durante a exploração de poços de petróleo e gás. O Método de Recuperação de Óleo Residual a partir de Resíduos de Perfuração à Base de Olefina utiliza tensoativos não iônicos etoxilados em concentrações micelares combinados com etapas controladas de aquecimento e centrifugação para separar a fase oleosa dos resíduos de forma mais eficiente que os processos físicos e químicos convencionais. A tecnologia encontra-se em prova de conceito em escala laboratorial.

O processo foi desenvolvido no Laboratório de Tecnologia de Tensoativos (LTT), do Instituto de Química (IQ) da UFRN, sob orientação do professor associado Alcides de Oliveira Wanderley Neto, que também integra o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química (PPGEQ). A condução experimental ficou a cargo do pesquisador Murilo Miguel Alencar Guerra e a concepção físico-química foi desenvolvida pela pesquisadora Aeryslânnia Moreira da Nóbrega, integrantes de um grupo de nove inventores.

O diferencial operacional está em dois aspectos simultâneos: a ausência de solventes orgânicos tóxicos ou inflamáveis no processo e a possibilidade de preparar as misturas com agitação mecânica convencional, sem equipamentos especializados ou aditivos de alto custo. Segundo a pesquisadora Aeryslânnia Nóbrega, a eliminação de solventes tóxicos reduz riscos operacionais e impactos ambientais associados ao tratamento dos resíduos. Para Murilo Guerra, o método permite transformar um material que seria descartado em recurso com potencial de reintegração à cadeia produtiva.

Pesquisadores destacam eficiência, simplicidade operacional e vantagens ambientais do método. Foto: Cícero Oliveira/ Agecom/UFRN
Pesquisadores destacam eficiência, simplicidade operacional e vantagens ambientais do método. Foto: Cícero Oliveira/ Agecom/UFRN

Campos terrestres no NE geram resíduos sem rota definida

A pesquisa tem aplicação direta no perfil operacional do setor de petróleo e gás no Nordeste. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Nordeste concentra cerca de 2.300 poços terrestres — equivalente a 41% dos poços onshore do país — nas bacias Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Parnaíba, com produção de aproximadamente 100 mil barris diários de petróleo em 2025.

A predominância de campos maduros onshore amplia o volume de resíduos de perfuração gerados nas operações de manutenção e reativação de poços, segmento em expansão com o avanço de operadores independentes como 3R Potiguar, PetroRecôncavo e Origem Alagoas. No offshore, o Projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), com produção prevista para 2030 e capacidade de 120 mil barris por dia, ampliará o volume de cascalhos gerados na região.

Os cascalhos de perfuração são os principais resíduos sólidos das operações de exploração e produção, constituídos por fragmentos de rocha misturados com fluidos de perfuração — incluindo os fluidos de base olefínica, utilizados especialmente em poços de maior complexidade. Quando dispostos inadequadamente, esses resíduos geram contaminação do solo, poluição hídrica e emissão de gases.

A gestão desse passivo é objeto de marco regulatório específico: a Instrução Normativa nº 01/2018 do Ibama estabeleceu diretrizes para uso e descarte de fluidos de perfuração e cascalhos, norma que coexiste com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que enquadra o setor nas obrigações de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos resíduos.

Grupo pretende avançar na otimização e no escalonamento da tecnologia para aplicação em campo. Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN
Grupo pretende avançar na otimização e no escalonamento da tecnologia para aplicação em campo. Foto: Cícero Oliveira/Agecom/UFRN

Aplicação industrial e próximos passos

O método pode ser aplicado tanto em plataformas offshore quanto em instalações terrestres, e também nas Unidades de Tratamento de Resíduos Industriais (UTRIs), onde contribuiria para a recuperação de óleo de alto valor agregado e para a redução do volume de resíduos destinados à disposição final.

A Petrobras informou em seu relatório de sustentabilidade que gerou 0,8 mil toneladas de cascalhos e fluidos de base não aquosa em 2024, com meta corporativa de destinar pelo menos 80% dos resíduos de processo para rotas de reúso, reciclagem e recuperação até 2030. O método da UFRN se enquadra nessa categoria de rotas alternativas ao descarte.

Como próximos passos, o grupo pretende avançar na otimização do processo e no escalonamento da tecnologia para volumes maiores, com condições operacionais mais próximas da realidade industrial. O prazo para conclusão dessas etapas não foi divulgado pela universidade.

*Com informações da UFRN

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