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Carne mais barata? Pressão externa pode mudar mercado no Brasil

Se as exportações desacelerarem como o setor projeta, o consumidor brasileiro pode finalmente sentir algum alívio no preço da carne
Patricia Raposo
Patricia Raposo
De Recife CEO do Movimento Econômico [email protected]
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~4:35
  1. China impõe cotas e sobretaxas às exportações brasileiras de carne até 2028, afetando frigoríficos.
  2. Desaceleração nas exportações pode aumentar oferta doméstica e reduzir preço da carne para consumidor brasileiro.
  3. Cota chinesa de 1,106 milhão de toneladas será preenchida no primeiro semestre de 2026.
  4. Estados Unidos estuda reduzir tarifas de importação de carne para conter inflação, mas não compensa perda chinesa.
  5. União Europeia retira Brasil de lista de exportadores por falta de garantias sobre controle de antimicrobianos.
agronegócio exportações carnes 2024
Mercado da carne está em embulição/Foto: Mapa/Divulgação

A combinação de barreiras comerciais impostas pela China e pela União Europeia pode provocar mudanças relevantes no mercado de carnes brasileiro em 2026. Se por um lado as medidas representam um duro golpe para frigoríficos e pecuaristas exportadores, por outro tendem a aumentar a oferta de proteína no mercado interno, criando um ambiente favorável para queda no preço da carne bovina ao consumidor brasileiro ao longo do segundo semestre.

A China, principal destino da carne bovina nacional, decidiu impor cotas e sobretaxas às exportações brasileiras até 2028. O limite estabelecido para 2026 é de 1,106 milhão de toneladas e metade desse volume já foi utilizada, segundo o Ministério do Comércio chinês (MOFCOM). A expectativa é que a cota seja totalmente preenchida ainda no primeiro semestre. A partir daí, todo volume adicional exportado passará a pagar sobretaxa de 55%, além da tarifa normal de 12% e do IVA de 9%.

O impacto é expressivo porque, em 2025, das 3,5 milhões de toneladas de carne bovina exportadas pelo Brasil, cerca de 1,7 milhão tiveram a China como destino, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Diante do novo cenário, a entidade já projeta retração próxima de 10% nas exportações totais brasileiras em 2026.

Isso significa que parte importante da produção deixará de ser absorvida pelo mercado externo. O efeito mais imediato tende a ser aumento da oferta doméstica. Como o preço do boi gordo hoje é sustentado principalmente pelo forte ritmo das exportações, uma desaceleração nos embarques pode reduzir a pressão compradora dos frigoríficos e provocar acomodação nos preços.

EUA querem carne

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos caminham na direção oposta da China. O governo norte-americano estuda reduzir temporariamente tarifas de importação de carne bovina para conter a inflação dos alimentos. A medida pode abrir espaço para o aumento das exportações brasileiras aos EUA, mas dificilmente compensará integralmente a perda chinesa, maior comprador da carne brasileira.

Além disso, o setor enfrenta nova pressão da União Europeia, que decidiu retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano a partir de setembro. A alegação é falta de garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

Se as exportações desacelerarem como o setor projeta, o consumidor brasileiro pode finalmente sentir algum alívio no preço da carne. Mas esse movimento positivo para o bolso da população virá acompanhado de maior pressão sobre produtores, frigoríficos e toda a cadeia pecuária nacional, que precisará buscar novos mercados e investir mais em rastreabilidade e adequação sanitária para preservar competitividade global.

Livre de contrabando

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, justificou o fim da taxa das blusinhas argumentando que “o contrabando foi eliminado” graças à referida taxa. Algo que nem criança acredita.

CNC Innovation Day

Inovação, cenário econômico e turismo estarão em debate durante o CNC Innovation Day, dentro da programação da Semana S 2026, na próxima sexta-feira (15), no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem. Promovido pela CNC e realizado em Pernambuco pela Fecomércio-PE, o evento reunirá empresários em torno de temas ligados à transformação digital, inteligência artificial e tendências de mercado. A programação incorpora ainda os eventos “Global Voices” e “Vai Turismo”, ampliando as discussões sobre negócios e desenvolvimento do setor produtivo.

Vela brasileira

O escritório Queiroz Cavalcanti Advocacia assessorou a Confederação Brasileira de Vela (CBVela) na criação do Instituto Brasil Vela de Alto Rendimento. É uma entidade que vai promover a prática desse esporte de mar aberto no país, com foco na formação de atletas e a conquista de resultados em competições internacionais, especialmente em Jogos Olímpicos.

AIRES

Na próxima semana, Mariana Pontes, presidente Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) cumpre agenda com a Universidade de Artes de Londres, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Agência Francesa de Desenvolvimento, com foco na formulação de soluções para cidades mais inteligentes e sustentáveis. A ARIES também integrará a delegação pernambucana da Cooperação Recife-Nantes, iniciativa de intercâmbio técnico e cultural que aproxima as duas cidades por meio da troca de experiências e projetos estratégicos.

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