- Publicidade -

Ceará ganha laboratório de IA de R$ 15 milhões para treinar seus próprios robôs

O Alia, laboratório de IA do Instituto Atlântico, inaugura em Fortaleza com R$ 15 milhões, robôs humanoides e foco em Green AI para a indústria brasileira
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
- Publicidade -
Ouvir o Artigo
~6:48
  1. Ceará inaugura laboratório de IA com R$ 15 milhões em infraestrutura tecnológica de ponta
  2. Alia operacionalizará seis robôs, incluindo humanoide e quadrúpede, com GPUs e impressoras 3D
  3. Instituto Atlântico financiado por Finep e MCTI com recursos próprios complementares
  4. Abordagem Green AI prioriza eficiência energética como vantagem competitiva econômica, não ambiental apenas
  5. Laboratório simula ambiente industrial real para testar e validar tecnologias antes implementação
O Alia conta com seis equipamentos robóticos, incluindo um humanoide e um quadrúpede, além de GPUs de alto desempenho e impressoras 3D - Foto: Divulgação
O Alia conta com seis equipamentos robóticos, incluindo um humanoide e um quadrúpede, além de GPUs de alto desempenho e impressoras 3D. Foto: Divulgação

Um laboratório de Inteligência Artificial com capacidade para treinar seus próprios modelos, operar seis robôs, incluindo um humanoide, e simular o interior de uma fábrica em ambiente controlado entra em operação na quinta-feira (14) em Fortaleza. O Laboratório de Inteligência Artificial (Alia), do Instituto Atlântico, chega ao mercado com R$ 15 milhões em infraestrutura tecnológica e uma proposta que vai além do desenvolvimento de algoritmos: tornar a IA industrialmente viável, economicamente eficiente e ambientalmente sustentável.

O aporte combina R$ 13 milhões captados via edital da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com R$ 2 milhões de recursos próprios do Atlântico. Do total financiado pela Finep, cerca de R$ 9 milhões foram direcionados à aquisição de equipamentos do laboratório. Os R$ 4 milhões restantes financiam bolsas de pesquisa para universidades parceiras que participam de um projeto-guarda-chuva chamado Nexus, com previsão de entrega até o final de 2027.

Green AI: a aposta econômica por trás da sustentabilidade

Um dos pilares que diferencia o Alia de outros laboratórios de IA no país é o que seus pesquisadores chamam de Green AI, uma abordagem que trata a eficiência energética não como responsabilidade ambiental secundária, mas como vantagem competitiva direta. “Estamos utilizando uma infraestrutura que é robusta mas também eficiente em termos de consumo energético”, explica Alex Monteiro, Gerente Executivo de Operação do Alia. “Uma infraestrutura mais otimizada é mais sustentável no campo do impacto ambiental, inclusive no custo financeiro.”

Na prática, isso significa trabalhar em toda a chamada “pilha de IA”, da camada de hardware ao sistema operacional, das ferramentas às aplicações, para criar modelos mais especializados e enxutos, que exijam menos poder de processamento. “Eu crio modelos mais especializados que requerem menos custo de processamento. Tenho um sistema de orquestração de infraestrutura otimizado para criar um ambiente mais eficiente e, assim, consigo utilizar de forma eficiente os recursos computacionais e ao mesmo tempo reduzir custos energéticos”, detalha Monteiro.

Laboratório simula ambiente industrial para testar tecnologias antes de aplicá-las no chão de fábrica - Foto: Divulgação
Laboratório simula ambiente industrial para testar tecnologias antes de aplicá-las no chão de fábrica – Foto: Divulgação

Fábrica simulada dentro do laboratório

Outra novidade que distingue o Alia é sua infraestrutura de robótica industrial. O laboratório conta atualmente com seis equipamentos robóticos: um robô humanoide, um quadrúpede, dois “Doutor Bots” e dois braços robóticos. Juntos, eles compõem um ambiente que replica, em escala de laboratório, o funcionamento de um chão de fábrica real.

“A partir dessa infraestrutura, consigo trazer problemas que acontecem dentro de um chão de fábrica e desenvolver tecnologias em um ambiente simulado. A partir do momento que começo a desenvolver esse tipo de tecnologia em um ambiente que permite me aproximar o máximo possível de uma linha de produção real, consigo amadurecer essa tecnologia para depois levá-la a um ambiente real”, explica Monteiro.

As aplicações já mapeadas incluem automação de processos, visão computacional para controle de qualidade, monitoramento de segurança do trabalho e otimização de vistoria e produção. O Atlântico já atua com indústrias de alimentos e do setor siderúrgico, e o Alia amplia essa capacidade de resposta. “Qualquer tipo de fábrica que tenha um processo fabril tradicional e queira modernizar já pode sentir impacto. Basta trazer os desafios para o Atlântico”, afirma o executivo.

O robô quadrúpede já tem aplicação em curso: uma prova de conceito com parceiro do setor de energia para mapeamento e monitoramento de regiões de difícil acesso ou risco elevado. Drones também já foram utilizados em campo, para mapear áreas remotas durante a implantação de equipamentos em um projeto do setor energético. O humanoide, recém-chegado ao laboratório, deverá ser integrado a testes com os braços robóticos nos próximos meses.

O gerente executivo do Alia, Alex Monteiro, defende que eficiência energética e redução de custos andam juntas na IA  - Foto: Divulgação
O gerente executivo do Alia, Alex Monteiro, defende que eficiência energética e redução de custos andam juntas na IA – Foto: Divulgação

Plataforma Nexus: IA que desenvolve IA

Além da infraestrutura física, o projeto que deu origem ao Alia prevê o desenvolvimento de uma plataforma digital chamada Nexus, e é aqui que a proposta ganha contornos ainda mais ambiciosos do ponto de vista tecnológico e econômico.

“Ela tem dois grandes entregáveis. O primeiro é que ela é uma plataforma aberta e federada de dados, vai permitir que parceiros, empresas e usuários compartilhem dados para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias, de forma segura e com boa governança”, explica Monteiro. O modelo se inspira no projeto europeu Gaia-X, iniciativa de compartilhamento de dados em nuvem com governança europeia.

O segundo entregável é uma camada de ferramentas que usa a própria IA para acelerar o desenvolvimento de novas soluções, conceito conhecido como auto-LLM. “A nossa intenção é permitir que, além do uso dos dados em massa, a gente possa desenvolver ferramentas e ganhar muito tempo em velocidade”, diz Monteiro. A plataforma também prevê integração com robôs e drones para projetos-piloto dentro de empresas, além de uma frente de aplicação da IA em políticas públicas e novos negócios, conduzida em parceria com a UECE e o IEL.

Com R$ 15 milhões investidos, o Alia pretende ser considerado um dos laboratórios de IA mais modernos do Brasil - Foto: Divulgação
Com R$ 15 milhões investidos, o Alia pretende ser considerado um dos laboratórios de IA mais modernos do Brasil – Foto: Divulgação

Hub aberto para universidades, empresas e startups

O Alia foi concebido como uma estrutura de acesso compartilhado. Universidades, empresas e startups podem solicitar o uso da infraestrutura mediante adesão a termos de uso definidos pelo Atlântico. Para startups, o caminho de entrada é o programa de aceleração Praia; para empresas, passa pelo setor comercial da instituição; para universidades, pelo programa de inovação aberta do Atlântico.

A abrangência já supera as fronteiras do Ceará: o laboratório já mantém relações com a Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e acelera startups de outros estados. “Todos eles poderão ter acesso à nossa infraestrutura”, afirma Monteiro.

O Alia também está alinhado às ambições institucionais do próprio Atlântico, que busca a designação de Centro de Competência em IA pelo governo federal, um reconhecimento reservado a instituições que pesquisam tecnologias consideradas estratégicas para a soberania nacional. “Este laboratório vai fortalecer a infraestrutura de pesquisa do Nordeste e do Brasil, e também é uma peça-chave para tornar o Atlântico um Centro de Competência em IA”, afirma Alex Monteiro.

Para os próximos cinco anos, a meta é que o próprio Alia se torne financeiramente autossustentável, com infraestrutura continuamente atualizada e maior capacidade de parcerias com universidades, empresas e startups, além de ampliar a formação de profissionais por meio da unidade educacional do Atlântico, a Avanti, que já executa um projeto nacional de capacitação em IA voltado para os desafios da indústria brasileira.

Leia mais:
Ainda em obras, data centers já movimentam R$ 190 mi com empresas cearenses
​Hostweb injeta R$ 100 milhões para expandir infraestrutura digital no NE


- Publicidade -
- Publicidade -

Mais Notícias

- Publicidade -