
Com 74% da produção do Rio Grande do Norte escoada pelos portos de Suape (PE) e Pecém (CE), segundo estudo da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), o Porto de Natal inicia nesta sexta-feira (24) as obras de dragagem do canal de acesso, com investimento de R$ 60 milhões para elevar a profundidade para 12 metros e permitir a atracação de navios de maior porte.
O anúncio foi feito na tarde de quinta-feira (23) pela governadora Fátima Bezerra e pelo diretor-presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Paulo Henrique Macedo. Os recursos integram o pacote do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-3), que prevê investimentos totais superiores a R$ 130 milhões na infraestrutura do terminal potiguar.
A obra será executada em duas etapas. A primeira abrange a dragagem de manutenção de 4 milhas náuticas do canal (7,2 km) com prazo inicial de 120 dias. A segunda etapa compreende a readequação da bacia de evolução, área de manobra das embarcações, sem prazo definido por depender de condicionantes ambientais.
O investimento estimado para o conjunto das obras é de R$ 54,5 milhões, com previsão de conclusão ainda em 2026. A última dragagem do canal de acesso havia sido realizada em 2009 e a operação noturna do porto está suspensa desde 2012 por falta de defensas na Ponte Newton Navarro.
O escopo do PAC-3 no porto vai além da dragagem. As demais intervenções incluem a implantação de defensas de proteção nos pilares centrais da Ponte Newton Navarro, a recuperação das defensas do cais, a reforma de armazéns e galpões e a instalação de sistema fotovoltaico.
“Estamos resgatando esse importante vetor de desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Embora as obras só se completem neste ano, a gente já consegue resgatar toda a exportação de frutas e estamos preparando o porto para ampliar os negócios, como minério de ferro e cargas vivas”, afirmou Paulo Henrique Macedo.

Cargas, novos terminais e diversificação
Em 2025, a Gerência de Planejamento da Codern registrou crescimento de 21,23% na movimentação de cargas em comparação com o ano anterior, alcançando 494,9 mil toneladas, ante 408,2 mil toneladas em 2024. Em leilão realizado em fevereiro de 2026, na B3, em São Paulo, o Pátio Norte (NAT01) do porto foi arrematado pela Fomento do Brasil Mineração, ligada ao grupo indiano Fomento Resources, com outorga de R$ 50 mil e previsão de investimentos de R$ 55,17 milhões ao longo de 15 anos de concessão. O terminal será usado especialmente para o escoamento de minério de ferro, com operações previstas para o segundo semestre de 2028.
No Pátio Sul, um acordo de transição foi assinado com a Top Link, braço logístico da Agrícola Famosa, maior exportadora de melão e melancia do país, com previsão de aportes de até R$ 3 milhões em um ano e cessão do espaço por 25 anos. A safra 2025/2026 de exportação de frutas tem expectativa de movimentar 300 mil toneladas, quase o triplo das 131,5 mil toneladas exportadas na safra anterior.
Conexão com obras estruturantes do RN
A governadora Fátima Bezerra associou o início das obras no porto a outras intervenções consideradas estruturantes para o estado: a duplicação da BR-304 no trecho Natal/Mossoró, a restauração de 2 mil quilômetros de rodovias estaduais e o Ramal do Apodi, com conclusão prevista até o fim de 2026. Segundo a Fiern, a recuperação do Porto de Natal tem potencial de gerar movimentação econômica de aproximadamente R$ 1 bilhão por ano após a conclusão das obras, com base em estudo do Observatório Mais RN.
*Com informações do Governo do Rio Grande do Norte
Leia mais: Do sal ao hidrogênio verde: RN terá usina de R$ 12 bi em Areia Branca










