
Alagoas chega ao fim da safra de cana-de-açúcar em 2026 com um resultado bem próximo ao registrado no ciclo anterior, com crescimento de 0,15% no total de cana processada. Em um período em que fatores climáticos e oscilação de preços derrubaram o açúcar, o etanol foi a saída para evitar um colapso no setor. A perspectiva, ainda com muitas incertezas, aponta que a próxima safra terá como carro chefe o biocombustível, até que a cana-de-açúcar volte a ter estabilidade no mercado.
Segundo dados do Sindicato da Indústria do Açúcar e Etanol em Alagoas (Sindaçúcar), o último boletim de produção da safra em Alagoas, divulgado no último dia 17 de abril, aponta que o estado moeu 17, 6 milhões de toneladas de cana. Deste montante, foram produzidas 1.392.574 toneladas de açúcar e 472,913 milhões de litros de etanol.
O total de cana processado nesta safra é 0,15% maior que o registrado no período entre 2024 e 2025, quando o estado moeu 17,4 milhões de toneladas de cana. Já a produção de etanol cresceu 16,8% em comparação à última safra.
Segundo informações do Sindaçúcar, a decisão de ampliar a fabricação de etanol foi tomada pelas usinas diante das demandas de mercado, como a questão de preços mais favoráveis.
Com isso, 12 das 15 usinas em operação neste ciclo em Alagoas produziram mais etanol do que açúcar. Dados do Sindicato apontam ainda que das mais de 17 milhões de toneladas de cana processadas no ciclo atual, mais de 2,9 milhões de toneladas tiveram como destino a produção de etanol.
Do total do biocombustível fabricado até o fim de março, o que corresponde a sete meses de moagem, 269,384 milhões de litros foram do tipo hidratado e 203,529 milhões de litros do tipo anidro, que é misturado à gasolina.

Resultado ruim no açúcar motivou usinas a produzir mais etanol
A safra de 2025/2026 é avaliada como ruim pelos plantadores de cana do estado. Segundo o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, os produtores amargaram uma queda de 20% na produção, o que fez com que a atual safra terminasse com resultado muito próximo ao registrado em 2024/2025.
“Esse resultado ocorreu porque existiu muita cana própria de usina, plantio que foi feito no ano anterior e muita compra de cana de outros estados. Esse dado acaba não representando a situação terrível que os produtores de cana de Alagoas vêm passando esse ano por conta de redução de safra. O clima foi muito severo, a safra não desenvolveu e, além disso, o ATR caiu 40% em comparação a safra anterior”, explicou ao Edgar ao Movimento Econômico.
Com resultados abaixo do esperado pelo setor, a expectativa para a próxima safra é de que haja uma recuperação, sobretudo no plantio da cana e um novo fôlego nos preços praticados no mercado para o açúcar.
“As chuvas já estão melhores neste momento, as socarias rebrotaram, mas há ainda muita preocupação com relação ao trato da cana, uma vez que não tivemos preço, as contas não fecham e muitas usinas não pagaram totalmente os fornecedores. Temos unidades que pediram três meses para pagar os fornecedores, então a crise no setor é muito grande e o produtor vem sentindo isso”, afirmou o presidente da Asplana.
Edgar aponta ainda que a falta de pagamentos aos produtores de cana compromete também etapas fundamentais para o desempenho da cana, como a adubação, aplicação de herbicidas e outros tratamentos básicos do plantio. “Muitos produtores escolhem manter suas famílias, suas vidas do que reinvestir em canavial, que não tem preço, não fecha conta, então isso certamente vai refletir na próxima safra”, alertou.

Etanol deve se manter como saída na próxima safra
A safra 2026/2027 está se iniciando no Centro-Sul do país e deve ditar a direção para o setor nordestino, que inicia sua moagem em meados de setembro. Dados da SCA Brasil apontam que a próxima moagem no Centro-Sul deve atingir 629 milhões de toneladas de cana e o açúcar deve recuar 48% em produção. Com isso, a oferta de etanol oriundo da cana deve crescer e bater 5 bilhões de litros nesta safra.
Em Alagoas, a Asplana acredita que o etanol será o carro chefe da produção sucroalcooleira na próxima safra. “Com os preços ruins para o açúcar, a expectativa é que o etanol de fato seja dominante. Há ainda uma questão da produção de etanol de milho, que aperta o preço, pois quanto mais oferta, menos preço”, analisou Edgar Antunes.
Ele avalia que o ritmo a ser observado na safra do Centro-Sul será determinante para a safra em Alagoas e no Nordeste como um todo. “Nossa avaliação é que quem puder migrar para o etanol vai fazer isso até que o açúcar enxugue no mercado, diminua a oferta e o preço volte a subir. No médio prazo, nossa esperança é que em setembro tenhamos preços melhores para nossa safra. Essa é a nossa esperança”, completou Antunes.
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