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Reforma tributária vai exigir revisão do modelo de negócio no setor atacadista

Evento promovido em Maceió pelo setor atacadista debateu incertezas e oportunidades da reforma tributária
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Acadeal Conecta reforma tributária
Consultor Rubens Tavares explicou pontos importantes da reforma tributária para representantes do setor de atacado de Alagoas. Foto: Vanessa Siqueira

A reforma tributária já entrou no radar imediato do setor atacadista, que vê na transição do novo sistema um período de adaptação complexa para empresas que operam com alto giro, margens apertadas e forte dependência de crédito, logística e planejamento tributário. Em Alagoas, o tema foi o principal eixo do Acadeal Conecta, evento promovido nesta quinta-feira (16), em Maceió, pela Associação dos Atacadistas e Distribuidores de Alagoas (Acadeal), que reuniu empresários, especialistas e executivos para discutir os impactos da mudança no ambiente de negócios.

A Acadeal representa um segmento que movimenta mais de R$ 11 bilhões por ano em Alagoas, segundo dados apresentados pela própria entidade, o que ajuda a dimensionar porque a discussão tributária ganhou tanta centralidade no encontro.

O tema foi debatido de forma mais técnica pelo CEO do grupo BMS, Rubens Tavares. Em entrevista ao Movimento Econômico, ele explicou que a reforma é necessária, mas a simplificação prometida para o futuro não elimina a turbulência que as empresas devem enfrentar no caminho.

Para ele, o principal erro é tratar a mudança como uma pauta restrita ao jurídico ou à contabilidade, quando na prática ela alcança toda a estrutura operacional das empresas, afetando áreas como compras, contratos, crédito, fluxo de caixa e formação de preço.

“Quem se prepara antes não só sobrevive, como cria vantagem competitiva em relação aos concorrentes. O executivo do setor atacadista precisa entender o que, como e quando fazer. A hora de consertar o telhado é em dia de sol”, disse.

Na prática, a preocupação do consultor está no período de convivência entre os dois sistemas tributários e no aumento da complexidade operacional durante essa travessia. Segundo ele, a promessa de simplificação radical ainda não se sustenta no curto prazo, justamente porque a transição exigirá das empresas mais controle e mais preparação.

“A reforma é necessária. O IVA está em vários países do mundo. O grande problema é que ela simplifica no futuro, mas a gente vai ter muita turbulência no caminho. E simplificação futura não paga boleto hoje”, afirmou.

Na reforma tributária, alíquota é só a ponta do iceberg

Para Rubens, um dos equívocos mais comuns na abordagem da reforma tributária é concentrar a atenção apenas em ferramentas de simulação de alíquota, sem considerar os efeitos mais profundos da mudança sobre a estrutura das empresas.

“O que está badalado hoje é a calculadora da reforma tributária. Mas isso é como ler mão pelo telefone. A calculadora olha só a taxa efetiva. O problema real está no restante do iceberg: contrato, capital de giro, fluxo de caixa e modelo de negócio”, disse.

Para Tavares, entre os pontos que mais exigirão atenção das empresas estão o tratamento do crédito tributário, a revisão de cláusulas contratuais e os reflexos do split payment sobre o caixa. Esse processo pode afetar diretamente a competitividade de empresas que não se anteciparem à nova dinâmica.

“O segredo não é pensar só preço e margem, mas entender os impactos da reforma. Quem sair antes consegue ter um preço melhor, uma margem melhor e uma posição melhor em relação ao concorrente”, afirmou.

Presidente Acadeal, Almir Rogério
Presidente da Acadeal, Almir Rogério, abriu evento destacando importância dos debates para o setor atacadista de Alagoas. Foto: Rodrigo Marinho

Nordeste teme impacto sobre incentivos e competitividade

Se a fala do consultor traz o desenho técnico da preocupação, a visão do setor atacadista de Alagoas ajuda a localizar esse debate na realidade regional. Para o presidente da Acadeal, Almir Rogério, um dos pontos mais sensíveis da reforma tributária para a região está justamente na relação com os incentivos fiscais, historicamente usados como instrumento de atração e preservação da competitividade empresarial.

“A reforma tributária preocupa muito o Nordeste. Como temos incentivos fiscais no estado, estamos vendo como dialogar com a Secretaria da Fazenda e com o governo para que esses incentivos, com a reforma, de alguma forma sejam compensados”, afirmou.

Almir também destacou o empenho da Associação em dialogar e buscar caminhos de adaptação que reduzam perdas de competitividade.

“O setor está com muitos desafios pela frente. A Acadeal sempre foi do diálogo, de sentar-se e debater. Hoje a reforma tributária é uma das grandes preocupações dos empresários, porque ainda existem muitas incertezas”, disse.

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