
Um projeto que combina hotelaria com uma piscina de ondas artificiais desenvolvida pela empresa norte-americana SurfLoch é o 12º empreendimento do Polo Turístico Cabo Branco, em João Pessoa. Com investimento inicial de R$ 322 milhões e previsão de geração de 610 empregos diretos, a estrutura gera ondas de 60 cm a 1,8 metro de altura, com quebra para a direita, para a esquerda ou em pico duplo, intervalos de 13 a 15 segundos entre ondas e tempo de descida de até 18 segundos.
A capital paraibana passará a integrar a rede global da SurfLoch, empresa com quase 40 anos de pesquisa em tecnologia de ondas artificiais, mais de 100 patentes registradas e projetos em operação no Palm Springs Surf Club, na Califórnia, e no RiF010, instalado em um canal urbano de Rotterdam — além de novos desenvolvimentos em curso nos EUA, na Austrália e no Brasil. O fundador e CEO da SurfLoch, Tom Lochtefeld, posicionou João Pessoa como destino estratégico para a empresa. “A Paraíba se tornará um ícone, um destino imperdível do surfe por viajantes do mundo inteiro”, afirmou, em vídeo exibido durante a solenidade.
O contrato foi assinado pelo governador João Azevêdo nesta terça-feira (31 de março), no Hotel Ba’ra, na orla da capital paraibana. A solenidade contou com a presença do vice-governador Lucas Ribeiro, do presidente da Empresa Paraibana de Turismo (PBTur), Ferdinando Lucena, e do CEO da Alliance, Marcelo Fam — parceira da SurfLoch na execução do empreendimento, articulado pela Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep).
“A chegada de equipamento para o Polo Turístico Cabo Branco representa uma revolução. É mais um empreendimento que chega para carimbar a viabilidade do Polo Turístico Cabo Branco, na qual o nosso Governo sempre acreditou. Isso aqui representa mais turistas, emprego e geração de renda para a nossa população”, declarou o governador João Azevêdo.
O projeto de João Pessoa integra um movimento de expansão das piscinas de ondas artificiais pelo Nordeste. Em Itaporanga D’Ajuda (SE), a cerca de 44 km de Aracaju, o INZUMA Surf Park está em desenvolvimento com previsão de inauguração em 2026 e também utilizará tecnologia da SurfLoch, segundo confirmação da Azimute Solar Brasil, parceira investidora do empreendimento. O projeto sergipano disputa o posto de pioneiro na região e se posiciona como a primeira piscina de ondas com água do mar do Nordeste e do hemisfério ocidental.
Estrutura para surfistas e famílias
A estrutura hoteleira prevê 400 unidades, divididas em 200 unidades padrão de 22 m², voltadas a estadias convencionais, e 200 unidades long stay de 42 m², para famílias e permanências mais longas. O complexo terá mais de 16 mil m² de área construída, integrando hospedagem, lazer e experiências esportivas.
O presidente da Cinep, Rômulo Polari, atribuiu a viabilidade do polo à diversidade dos perfis contratados. “Estão sendo instalados no Polo Turístico Cabo Branco equipamentos com perfis distintos para atrair diversos perfis de turistas, o que fortalece ainda mais a viabilidade desse projeto que saiu do papel e se tornou realidade”, disse.
Tecnologia para geração de ondas
A piscina da SurfLoch opera por sistema pneumático modular composto por caixões — câmaras estanques de concreto posicionadas ao longo da piscina — que combinam pressão e vácuo para liberar pulsos de energia na água de forma independente e sequencial. Cada caixão é acionado com precisão de milésimos de segundo pelo software WaveWare, desenvolvido com tecnologia do portfólio Xcelerator da Siemens, e o sistema utiliza gêmeo digital da onda — simulação que replica virtualmente o comportamento físico da onda antes da construção — com diferença inferior a 5% entre o modelo digital e a onda real.
No oceano, um surfista experiente completa em média 5 a 10 ondas por hora; na piscina da SurfLoch, a frequência é determinada pela programação operacional. O mesmo equipamento permite configurações distintas na mesma sessão — ondas técnicas para surfistas profissionais, ondas suaves para iniciantes e zonas recreativas simultâneas.
Em dezembro de 2025, a SurfLoch anunciou o Wavebender, versão mais avançada da tecnologia, com caixões dispostos em semicírculo em vez de linha reta, gerando ondas que curvam continuamente em direção ao surfista à semelhança de um recife de coral tropical, com projetos em desenvolvimento no Brasil, nos EUA e na Austrália. O contrato de João Pessoa foi assinado em 31 de março de 2026 — o vínculo com o Wavebender não foi confirmado oficialmente pelo governo da Paraíba.
O campeão olímpico de surfe Ítalo Ferreira, investidor do empreendimento por meio da IF 15, participou da solenidade por vídeo. “Eu fico muito feliz de ver que o Nordeste está pronto para receber um equipamento desse, de tão alto nível, algo que pode mudar o cenário. Eu vejo como uma evolução do esporte na região”, comentou o atleta, que disputava etapa do circuito mundial WSL na Austrália na data da assinatura.

Polo Cabo Branco com 12 empreendimentos confirmados
Com o novo contrato, o Polo Cabo Branco acumula R$ 3,3 bilhões em investimentos totais, 15.649 novos leitos, mais de 21 mil empregos diretos e indiretos na fase de construção e mais de 24 mil na fase operacional. Os 11 empreendimentos anteriores contratados são: Ocean Palace Jampa Eco Beach Resort, Amado Bio & SPA Hotel, Tauá Resort & Convention João Pessoa, Acquaí Parks & Resort, The Westin João Pessoa, Holanda’s Gold Resort Club, Mardisa Hotel e Resort, W.A.M. Experience, Hotel Resort Setai, Parque Terra dos Dinos e INSEA Global Health & Wellness.
Os cinco primeiros já estão em fase de construção. O Tauá Resort inaugurou a primeira etapa em 25 de março. O Acquaí Parks tem abertura prevista para agosto de 2026. O projeto, coordenado pela Cinep, levou 40 anos desde sua concepção até a saída do papel. O prazo de início de obras e inauguração do 12º empreendimento não foi divulgado pelo governo estadual.
*Com informações do Governo da Paraíba
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