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Nordeste tem mais hubs que startups agro e cresce acima da média nacional

Segundo o Radar Agtech Brasil 2025, o Nordeste concentra 15,9% dos ambientes agro do país, mas apenas 6,5% das agtechs, e cresce 15,5% em startups — três vezes acima da média nacional de 5%
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Agronegócio agtechs Nordeste tem mais hubs que startups agro e cresce acima da média nacional drones
Startups voltadas para o agronegócio, as agtechs atuam na área de agricultura de precisão no Nordeste com uso de drones. Há também empresas de segmentos como biotecnologia, automação e robotização e soluções de marketplace. Foto: Divulgação

O Nordeste concentra 15,9% dos ambientes de inovação agropecuária do país — hubs, incubadoras, aceleradoras e parques tecnológicos —, mas responde por apenas 6,5% das 2.075 agtechs mapeadas nacionalmente em 2025. As startups agropecuárias nordestinas avançaram 15,5%, de 116 para 134 agtechs, ante crescimento nacional de 5% — o menor índice da série histórica iniciada em 2019. Os dados são do Radar Agtech Brasil 2025, elaborado pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens Inovação e Conhecimento, e lançado oficialmente nesta terça-feira (24), durante o Radar Agtech Summit, evento realizado em São Paulo.

A relação entre startups e ambientes chegou a 2,2 no Nordeste, contra média nacional de 5,3 e 9,0 no Sudeste — indicador que o relatório classifica como capacidade institucional potencialmente subutilizada. Apesar do crescimento acima da média, a região perdeu uma posição no ranking nacional: o Norte alcançou 157 agtechs (7,6% do total), ultrapassando o Nordeste. Em 2023, as duas regiões tinham participações praticamente idênticas — 116 e 103 agtechs, respectivamente.

O Radar Agtech Brasil 2025 mapeou 2.075 agtechs distribuídas em 468 municípios, além de 390 ambientes de inovação e dados sobre investidores do ecossistema agropecuário brasileiro. A edição de 2024, base de comparação desta análise, registrava 1.972 agtechs e 451 ambientes. O material pode ser acessado gratuitamente em radaragtech.com.br/.

Ceará e Pernambuco puxam expansão interna

A liderança estadual nordestina permaneceu com a Bahia (31 agtechs; 1,5% do total nacional), seguida por Pernambuco (28; 1,3%) e Ceará (26; 1,3%). Os maiores crescimentos individuais foram do Ceará, que avançou de 17 para 26 startups (+52,9%), e de Pernambuco, que foi de 23 para 28 (+21,7%). Esses dois estados, junto com a Bahia, concentram 63% das agtechs nordestinas e operam os ecossistemas de inovação mais estruturados da região. Recife figura entre os municípios com mais de 1 milhão de habitantes acima da média nacional de densidade agtech, com 1,1 agtech por 100 mil habitantes — ao lado de Manaus e Belém como únicos representantes fora do eixo Sul-Sudeste nesse grupo.

O Maranhão manteve 15 startups (0,7%), com crescimento concentrado nos últimos dois ciclos. Piauí e Rio Grande do Norte chegaram a 9 cada (0,4%); a Paraíba a 8 (0,4%); Sergipe a 5 (0,2%). Alagoas entrou pela primeira vez no mapeamento, com 3 startups (0,1%), completando a presença do Nordeste em todos os seus estados — dado inédito na série histórica do Radar. Nos estados de menor participação, ambientes de inovação vinculados a ICTs e universidades públicas são apontados pelo relatório como principal vetor para o surgimento de novos negócios nas próximas edições.

Infraestrutura de inovação supera participação em startups no Nordeste

O Nordeste abriga 62 ambientes com vocação agro entre os 390 mapeados no país. Entre os estados nordestinos, Pernambuco lidera em ambientes, com 17 (27,4% do total regional), seguido por Bahia (11; 17,7%), Rio Grande do Norte e Ceará (10 cada; 16,1% cada), Alagoas (5; 8,1%), Paraíba (4; 6,5%), Maranhão (3; 4,8%) e Sergipe (2; 3,2%).

A maior parte desses ambientes é constituída por incubadoras tecnológicas vinculadas a Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs). O relatório aponta que estudantes de graduação e pós-graduação originários do interior dos estados nordestinos trazem demandas da agropecuária familiar para o ambiente universitário, gerando iniciativas de inovação voltadas a problemas locais.

Quatro estados nordestinos — Bahia, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte — contam com consultores de inovação agropecuária alocados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária no âmbito do programa MAPA Conecta, lançado pela Portaria nº 839/2025, voltado à estruturação da governança estadual de inovação e à articulação entre ecossistemas regionais.

Bahia e densidade per capita expõem limites do ecossistema

No recorte por Unidades da Federação, a Bahia registra os índices mais baixos entre os estados listados no relatório. Com 14,9 milhões de habitantes e PIB de R$ 431 bilhões (2023), o estado contabiliza apenas 7,2 agtechs por R$ 100 bilhões de PIB — abaixo da média nordestina de 8,9 e da nacional de 19,0. Salvador apresenta densidade de 0,6 agtech por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional de 0,97. O Radar enquadra a Bahia como caso de grande população e PIB com baixa proporcionalidade institucional no ecossistema agtech.

A densidade ajustada pela população posiciona o Nordeste na última colocação entre as cinco regiões: 0,23 agtech por 100 mil habitantes, ante 0,20 no Radar 2024, contra média nacional de 0,97 e 1,57 no Sul. A base demográfica de 57,2 milhões de habitantes é a maior entre as regiões com participação inferior no ecossistema. O crescimento da região ocorre em paralelo à retração de polos consolidados: o Rio Grande do Sul perdeu 27 agtechs em 2025; São Paulo recuou em 6; Tocantins e Distrito Federal registraram queda de 7 cada. A participação do Sudeste recuou de 65,7% em 2019 para 55,2% em 2025.

Para o pesquisador da Embrapa Vitor Mondo, o crescimento nacional moderado de 5% decorre da acomodação do ecossistema após o boom de ambientes de inovação e fundos entre 2019 e 2021, com permanência das iniciativas mais bem estruturadas. No Nordeste, onde o ecossistema está em estágio anterior de consolidação, o crescimento acima da média nacional em 2025 ocorre com base institucional proporcionalmente maior do que a base de startups instaladas.

Fruticultura irrigada e culturas do Matopiba

O relatório aponta fruticultura irrigada, grãos no Matopiba, pecuária e agricultura familiar como cadeias com maior espaço para expansão de soluções tecnológicas na região. No levantamento nacional por cultura, as agtechs brasileiras já atendem cadeias presentes no Nordeste: algodão é coberto por 68 startups (40,0% do total mapeado), bovinos por 65 (38,2%), outras frutas por 61 (35,9%), banana por 37 (21,8%) e mandioca por 35 (20,6%). As culturas do Matopiba figuram entre as mais atendidas: soja conta com 98 agtechs (57,6%) e milho com 93 (54,7%). O relatório não traz recorte regional por cultura.

Em termos de segmento, 41,1% das agtechs brasileiras atuam dentro da fazenda — automação, sensoriamento remoto, gestão de propriedade rural e irrigação de precisão —, 40,9% depois da fazenda, com foco em alimentos inovadores, marketplaces e rastreabilidade, e 18,4% antes da fazenda, em bioinsumos, sementes, crédito e genômica.

No plano tecnológico, 83% das agtechs utilizam inteligência artificial em produtos ou processos e 35% têm a IA como núcleo da proposta de valor. Para Aurélio Favarin, coordenador do Radar Agtech e analista da Embrapa, a tecnologia digital deixou de ser diferencial pontual e passou a constituir camada estrutural do modelo de negócio das agtechs brasileiras.

*Com informações da Embrapa

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