
O Nordeste sustentou o maior volume absoluto do varejo farmacêutico brasileiro em 2025 e registrou a maior expansão territorial do setor, com abertura líquida de lojas superior à das demais regiões. Os dados são do estudo IQVIA encomendado pela Associação dos Distribuidores Farmacêuticos do Brasil (Abafarma) —, com base no MAT (Moving Annual Total) de setembro de 2025, e foram divulgados pela entidade como parte de seu monitoramento estratégico do setor.
O levantamento reúne indicadores de unidades comercializadas, participação regional, faturamento ao consumidor final e evolução por categoria em todo o varejo farmacêutico nacional. A região avançou 11,7% nos 12 meses encerrados em setembro de 2025 em faturamento ao consumidor final, acima da média nacional de 10,2%, ficando atrás apenas do Norte, que cresceu 14% no mesmo período. O estudo posiciona o Nordeste como eixo de maior massa de consumo fora do Sudeste e como principal polo de crescimento orgânico do varejo farmacêutico brasileiro.
Com 1,2 bilhão de unidades comercializadas até setembro de 2025 — equivalentes a 24,7% do mercado brasileiro —, o Nordeste consolidou a segunda maior participação nacional em volume físico, atrás apenas do Sudeste (44,1%, 2,1 bilhões de unidades) e à frente de Sul (13,9%), Centro-Oeste (9,8%) e Norte (7,4%). Em crescimento percentual de unidades no período, a região alcançou 5,7%, ocupando a terceira posição nacional, atrás do Norte (7,9%) e do Centro-Oeste (6,7%), e acima do Sul (2,7%) e do Sudeste (1,6%), contra taxa geral de 3,7%.
No faturamento ao consumidor final, o Nordeste movimentou R$ 28,6 bilhões nos 12 meses até setembro de 2025, alcançando 21,6% da receita nacional e garantindo a segunda maior receita do país, atrás do Sudeste (R$ 60,2 bilhões, 45,5%) e à frente de Sul (R$ 20,4 bilhões, 15,4%), Centro-Oeste (R$ 14,5 bilhões, 10,9%) e Norte (R$ 8,7 bilhões, 6,6%).
A combinação de volume expressivo e crescimento acima da média nacional desloca a estrutura competitiva do setor, fortalecendo operações regionais e redes independentes que expandem presença em capitais, regiões metropolitanas e municípios médios de alta circulação comercial.
Genéricos, prescrição e não medicamentos ampliam o portfólio regional
O desempenho por categoria de varejo farmacêutico revela onde o Nordeste concentra sua força competitiva. Em RX Genérico, a região registrou crescimento de 19,8% em faturamento — segundo maior do país, atrás apenas do Centro-Oeste (21%) e acima da média nacional de 18% —, com expansão de 11% em unidades, também segunda posição nacional. O resultado reflete a predominância de medicamentos de baixo custo e alta rotatividade no perfil de consumo regional.
Em RX Promovido (medicamentos de prescrição médica), o Nordeste avançou 9,1% em faturamento — terceiro maior crescimento nacional, atrás do Norte (13,5%) e do Sudeste (10,1%) — e 5% em unidades, segunda posição, atrás apenas do Norte (7,7%) e acima da média de 4,3%, sinalizando avanço também no segmento de maior valor agregado.
Em MIP (medicamentos isentos de prescrição), o Nordeste avançou 7,5% em faturamento, terceiro maior crescimento nacional, atrás do Norte (9,5%) e do Centro-Oeste (8%), e bem acima do Sudeste (2,3%) e do Sul (2,9%), sinalizando expansão do consumo de balcão em mercados de renda intermediária.
Em nutricionais — categoria que inclui nutrição infantil, adulta e geriátrica, alimentos especiais e fibras —, o Nordeste liderou o crescimento nacional com 24,6%, acima do Norte (20,5%), Centro-Oeste (15,6%), Sudeste (12%) e Sul (10,2%), e bem acima da média de 15%.
Em PAC (produtos para cuidados do paciente, como tiras de glicemia, fraldas geriátricas e medidores de glicose), o crescimento foi de 14,8%, segundo maior do país, atrás apenas do Norte (21,9%) e acima da média nacional de 13,7%. Os dois indicadores apontam para envelhecimento da base de consumidores e ampliação do acesso a categorias de maior valor agregado.
Maior expansão física do varejo farmacêutico do país
A abertura líquida de lojas reforça o movimento. O Nordeste registrou a maior expansão física do país no período, com adensamento de pontos de venda em corredores de mobilidade urbana e ampliação de redes locais em Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Piauí. O resultado do levantamento da Abafarma acompanha o avanço do varejo em áreas de médio porte e suporta a interiorização dos distribuidores com malha logística adaptada ao perfil de consumo regional.
A dinâmica competitiva se intensifica em todas as frentes do varejo farmacêutico nacional. O Sudeste mantém hegemonia de faturamento e volume absoluto, mas perde participação marginal em unidades e registra os menores índices de crescimento em categorias como genéricos (16,5%) e MIPs (2,3%). O Norte lidera crescimento percentual geral, mas opera sobre base consideravelmente menor. O Centro-Oeste acelera acima da média nacional em genéricos e unidades totais. O Sul segue trajetória mais lenta em praticamente todos os segmentos.
O Nordeste, ao combinar alta participação, velocidade de expansão acima da média e liderança em categorias estratégicas como nutricionais e genéricos, consolida posição estratégica para fabricantes e distribuidores no planejamento comercial e na expansão projetada para 2026.
Leia mais: Insumos para nutrição animal: Quimtia abre seu 1º CD no Nordeste em março











