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Censo da Carcinicultura vai mapear 2,5 mil fazendas de camarão no Ceará

Ceará produziu 110 mil toneladas de camarão em 2024, com faturamento de R$ 3,5 bilhões. Censo em 2026 vai mapear 2.500 empreendimentos no Estado
Bruno Brandão
Bruno Brandão
De Fortaleza
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Produção de camarão
Ceará responde por 110 mil toneladas de camarão em 2024, mais da metade da produção nacional – Foto: Divulgação

Os números são expressivos. Com produção de 110 mil toneladas em 2024 e estimativa de 120 mil toneladas em 2025, faturamento de R$ 3,5 bilhões no ano passado e previsão de R$ 4 bilhões neste ano, cerca de 2.500 empreendimentos ativos, dos quais 85% são micro e pequenos produtores, e participação majoritária nas 210 mil toneladas produzidas pelo Brasil, o Ceará se prepara para realizar, entre março e outubro de 2026, o Censo da Carcinicultura, financiado com R$ 500 mil oriundos de emenda parlamentar federal e apoio de prefeituras. Os resultados devem revelar um panorama atual do setor.

O levantamento, coordenado pela Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), será apresentado na Feira Nacional do Camarão (Fenacam) 2026, de 17 a 20 de novembro, em Natal, e promete oferecer a mais ampla radiografia já feita da cadeia produtiva do camarão marinho cultivado no estado.

Segundo o presidente da ABCC, Itamar Rocha, em conversa com o Movimento Econômico, o objetivo é mapear, com georreferenciamento e entrevistas presenciais, todos os elos da atividade, das fazendas de cultivo às unidades de maturação e larvicultura, fábricas de ração e gelo, unidades de processamento e agregação de valor, além dos canais de comercialização.

“O censo é a ferramenta mais importante para levantar informações técnicas e produtivas, identificando número de produtores, áreas, produção, produtividade, infraestrutura, licenciamentos, financiamentos, investimentos, custeio operacional e entraves à produção”, afirma Rocha.

Presidente ABCC
Itamar Rocha, presidente da ABCC, destaca importância do censo para atrair investimentos – Foto: Divulgação

Liderança nacional

O Ceará lidera a produção nacional de camarão cultivado. Em 2024, o Brasil produziu 210 mil toneladas, das quais 110 mil toneladas foram cearenses, mais da metade do total. O Rio Grande do Norte produziu 36 mil toneladas e a Paraíba, 25 mil toneladas no mesmo período.

Os cerca de 2.500 empreendimentos ativos no Estado apresentam perfil majoritariamente pulverizado: 85% são micro e pequenos produtores, 10% médios e 5% grandes. A atividade se espalha do litoral ao sertão, utilizando águas consideradas de uso insignificante e com ciclos contínuos de produção, sem dependência direta de chuvas.

Produção de camarão
Censo da Carcinicultura vai georreferenciar fazendas do litoral ao sertão cearense – Foto: Divulgação

Exportações travadas

Apesar da escala produtiva, o Brasil não exportou “um quilo sequer” de camarão com preços competitivos em 2024, segundo a ABCC. Os principais entraves estão nos mercados internacionais.O cenário limita o escoamento externo justamente em um momento de expansão produtiva interna.

“Nos Estados Unidos, o produto brasileiro enfrenta tarifas elevadas. Na União Europeia, há restrições sanitárias em vigor desde 2019, associadas a questões envolvendo embarcações de pesca de Santa Catarina. Já na China, maior produtora e também maior importadora mundial de camarão, o setor esbarra em barreiras burocráticas que dificultam o acesso ao mercado”, explica Itamar.

Para Rocha, o censo será estratégico para destravar gargalos e atrair capital privado e apoio institucional. “O setor está mudando e precisa atrair investimentos e apoios governamentais. O censo vai mostrar os números reais da atividade, motivando a iniciativa privada, as prefeituras, o governo do Estado e os agentes financeiros”, afirma.

Os R$500 mil destinados ao levantamento são oriundos de emenda parlamentar, via Ministério da Pesca e Aquicultura, e contam com complementação das prefeituras de Acaraú, Itarema, Jaguaruana e São João do Jaguaribe, além de recursos próprios da ABCC. Segundo a entidade, o valor inicial não seria suficiente sem essa composição financeira adicional. 

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