
A Unidos do Viradouro conquistou o título do Carnaval do Rio de Janeiro de 2026 com 270 pontos, após desfile que homenageou Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, que completa 70 anos como o mais longevo mestre de bateria de escola de samba em atividade. O resultado foi anunciado nesta quarta-feira (18) após apuração na Cidade do Samba, bairro da Gamboa. No mesmo evento, a Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para a Série Ouro com 264,6 pontos, após apresentar o enredo Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil.
A Beija-Flor e a Vila Isabel empataram na vice-liderança com 269,9 pontos cada. Completam o pódio Salgueiro (269,7 pontos), Imperatriz (269,4) e Mangueira (269,2). As seis escolas participam do Desfile das Campeãs no próximo sábado (21) no Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
Este é o quarto título da Viradouro no Carnaval carioca, sendo o segundo consecutivo — o último troféu havia sido em 2024. No ranking histórico, a Portela permanece líder com 22 títulos, seguida de Mangueira (20), Beija-Flor de Nilópolis (15), Salgueiro, Império Serrano e Imperatriz Leopoldinense (9 cada).
Homenagem a Ciça
O enredo Para cima, Ciça! celebrou os 70 anos de carreira de Moacyr da Silva Pinto, reconhecido pelas bem ensaiadas paradinhas das baterias. Durante o desfile, o mestre homenageado participou da comissão de frente e do último carro alegórico, regendo os ritmistas.
Ciça liderou a percussão em dois dos três carnavais vencidos pela Viradouro (2020 e 2024) e em um desfile ganho pela Estácio de Sá (1992), onde começou em 1988. Além da Viradouro, o mestre já regeu as baterias da Unidos da Tijuca, Grande Rio, União da Ilha e Estácio de Sá.
Polêmica no enredo sobre Lula
A Acadêmicos de Niterói recebeu apenas duas notas 10 no último quesito (samba-enredo) e terminou em último lugar com 264,6 pontos. A escola homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com enredo sobre sua trajetória desde a infância pobre no Nordeste até a chegada à Presidência da República. O samba-enredo repetia o trecho mais famoso do jingle usado por Lula em campanhas e fazia menções ao número 13, do PT.
A oposição considerou que houve propaganda eleitoral antecipada e acionou a Justiça. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou pedido para proibir o desfile, mas alertou o governo sobre possíveis condutas inadequadas de autoridades na Sapucaí. A primeira-dama Janja da Silva desistiu de desfilar. Em nota, o PT rebateu as críticas e afirmou que “não há fundamento jurídico para qualquer discussão sobre inelegibilidade relacionada ao episódio”.
A escola representou o ex-presidente Jair Bolsonaro como palhaço preso e levou para a avenida ala chamada “Neoconservadores em conserva”, em que integrantes usavam fantasia em forma de lata de alimentos com desenho de família e dizeres “família em conserva”. Políticos de direita viram no desfile ofensa a famílias conservadoras e evangélicas e fizeram duras críticas à escola e a Lula.
A agremiação que ocupará a vaga da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial será conhecida na quinta-feira (19), quando sai o resultado oficial da apuração de votos da Série Ouro.
*Com informações da Agência Brasil
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