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Asfalto e trilhos: NE terá 1,6 mil km de três rotas leiloadas em 2026

Os investimentos totalizam R$ 288 bilhões e devem gerar 60 mil empregos diretos e indiretos. Os projetos incluem as rotas dos Sertões (502 km) e 2 de Julho (663 km) e o Corredor Ferroviário Leste-Oeste, integrando a região
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Ferrovia de Integração Oeste-Leste trilhos Nordeste leilão rotas
Corredor Ferroviário Leste‑Oest tem trecho baiano e integra as rotas que serão leiloadas em 2026. Foto: Infra S/A

O Nordeste brasileiro terá dois trechos rodoviários e um corredor ferroviário leiloados a partir de 2026, totalizando aproximadamente 1.650 quilômetros de infraestrutura de transporte renovados. Os trechos rodoviários são a Rota dos Sertões (BR‑116/324), com 502 km entre Feira de Santana (BA) e Salgueiro (PE), e a Rota 2 de Julho (BR‑116/324/BA), com 663 km inteiramente na Bahia.

O trecho ferroviário corresponde ao Corredor Ferroviário Leste‑Oeste (FICO‑FIOL), com extensão prevista de 485 km no território baiano, ligando Barreiras a Caetité. Na configuração completa, o corredor segue até o estado do Tocantins. O investimento total previsto para a renovação e operação desses três blocos soma R$ 288 bilhões, fortalecendo o transporte de cargas e passageiros e impulsionando o desenvolvimento regional.

O cronograma de leilões no Nordeste prevê, para 2026, a concessão de dois trechos rodoviários e um corredor ferroviário, com investimentos significativos e impacto direto na infraestrutura regional. O primeiro é a Rota dos Sertões (BR‑116/324 – BA/PE), que conecta Feira de Santana, na Bahia, a Salgueiro, em Pernambuco, totalizando 502 quilômetros.

O edital está previsto para março de 2026, com expectativa de investimento de R$ 6 bilhões, incluindo duplicações, passarelas, pontos de parada e descanso. A obra deve gerar cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e operação.

O segundo trecho rodoviário, a Rota 2 de Julho (BR‑116/324/BA), com 663 quilômetros inteiramente na Bahia, terá seu edital ao longo de 2026 e contempla projetos de modernização viária e melhorias de segurança, reforçando a conectividade entre os municípios baianos e aprimorando o transporte de cargas e passageiros.

Leilão ferroviário tem trecho na Bahia com licitação prevista

Complementando o pacote, o Corredor Ferroviário Leste‑Oeste (FICO‑FIOL – BA/TO) integra a carteira de oito leilões ferroviários nacionais. Antes do leilão, a Infra S.A. lançou licitação para o trecho 05FC da FIOL II, com abertura marcada para o dia 20 de janeiro de 2026, às 10h. A contratação contempla elaboração dos projetos básico e executivo de engenharia e execução de serviços remanescentes para conclusão de 35,75 km de ferrovia, subdivididos nos segmentos 05FC1 (12,3 km) e 05FC2 (23,45 km), incluindo pátios de desvio. O valor estimado é de R$ 506,5 milhões.

O Corredor Ferroviário Leste‑Oeste possui uma extensão total de 1.708 quilômetros, distribuídos entre os 383 quilômetros da FICO I (ligando Água Boa/MT a Mara Rosa/GO), os 840 quilômetros da FIOL 3 (ligando Mara Rosa/GO a Correntina/BA) e os 485 quilômetros da FIOL 2 (conectando Barreiras a Caetité, ambas na Bahia).

Seu potencial é de R$ 140 bilhões em investimentos imediatos, podendo alcançar até R$ 600 bilhões ao longo dos contratos. A obra será essencial para o transporte de grãos, minerais e produtos industriais, com impacto direto no escoamento da produção do semiárido baiano e na integração logística da região.

A iniciativa faz parte da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, lançada em novembro de 2025 pelo Ministério dos Transportes, que estabelece planejamento, governança e sustentabilidade para a retomada do modal ferroviário, com integração de recursos públicos e privados. Segundo o ministro Renan Filho, a política é inédita e transformadora, trazendo previsibilidade e segurança jurídica para investidores e consolidando a infraestrutura logística nacional.

Impacto regional do leilão das rotas e projeções econômicas

Além da geração de empregos, os leilões devem atrair investimentos privados em terminais, armazéns e logística integrada. O Corredor Leste‑Oeste, ao conectar o interior da Bahia ao litoral e, posteriormente, ao Tocantins, potencializa o escoamento de grãos, minerais e produtos agroindustriais, beneficiando municípios estratégicos da região, como Feira de Santana, Ilhéus e Barreiras.

Uma das características do projeto de expansão da FIOL é a conexão com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), na cidade de Mara Rosa, em Goiás. O traçado integra a ferrovia bioceânica, ligando o Atlântico ao Pacífico – do Porto de Ilhéus ao Porto de Chancay, no Peru -, que irá criar um novo eixo comercial com a Ásia. O projeto está incluído no Plano Plurianual (PPA) 2024/2027 e já tem verba garantida do governo federal.

Segundo Leonardo Ribeiro, secretário Nacional de Transporte Ferroviário, a expansão ferroviária reduz o custo marginal do transporte, barateia frete e integra cadeias produtivas, consolidando o modal como instrumento de competitividade regional. Para Davi Barreto, presidente da ANTF, o lançamento da política representa um passo decisivo para consolidar as ferrovias como política de Estado, com visão de longo prazo e previsibilidade para investidores.

A carteira de projetos 2026 consolida a retomada do setor. Em menos de três anos, o governo realizou 21 leilões rodoviários, somando 10.009 km de estradas concedidas e R$ 232 bilhões em investimentos. Com a execução da agenda de 2026, estão previstos 13 novos leilões rodoviários.

*Com informações do Ministério dos Transportes

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