
Li a matéria da competente jornalista Patrícia Raposo, CEO do portal Movimento Econômico e colunista da Folha de Pernambuco, sobre o edital lançado pelo Governo do Estado para transformar cerca de 1.200 hectares da Ilha de Itamaracá em um polo de turismo, entretenimento e conservação ambiental. A iniciativa revela mais do que um projeto urbanístico: aponta para uma decisão estratégica sobre o futuro econômico de Pernambuco e sobre como o Estado pretende diversificar suas fontes de desenvolvimento.
O edital não se limita a propor resorts ou ocupações imobiliárias convencionais. Ele abre espaço para projetos estruturantes, capazes de gerar fluxo permanente de visitantes, emprego, renda e identidade. Itamaracá, historicamente associada ao isolamento e a usos institucionais restritivos, pode ser ressignificada como território de convivência, educação, cultura e turismo familiar.
É nesse contexto que apresento, em primeira mão, a ideia de um Parque de Diversões Mundo Bita em Itamaracá, como proposta concreta de desenvolvimento baseada na economia criativa pernambucana. A iniciativa nasce da observação prática de quem empreende, planeja projetos e acredita que soluções estruturantes surgem quando se unem criatividade, articulação institucional e visão de longo prazo.
Há anos acompanho e admiro o trabalho do Mundo Bita, um projeto que nasceu nas ruas do Recife Antigo, no ambiente criativo que transformou cultura em inovação. O que começou como uma proposta simples de animação musical infantil tornou-se um dos maiores fenômenos brasileiros da primeira infância, presente em plataformas digitais, escolas, shows, produtos licenciados e no cotidiano de milhões de famílias. O Mundo Bita é a prova concreta de que Pernambuco sabe criar conteúdo com identidade, qualidade e escala.
É importante dizer, com responsabilidade, que os idealizadores do Mundo Bita, sozinhos, não teriam condições de tocar um empreendimento dessa dimensão. Um parque temático é uma operação complexa, que exige capital intensivo, governança sólida, planejamento urbano, licenciamento ambiental, logística, segurança e integração com políticas públicas de turismo e desenvolvimento. Por isso, essa proposta não é, nem pode ser, um projeto isolado de seus criadores. Ela exige uma mobilização maior, envolvendo Estado, empresários, investidores, setor turístico, universidades e sociedade civil.
Esse é o verdadeiro sentido da economia criativa como indústria: a transformação de talento cultural em cadeia produtiva estruturada. A indústria do entretenimento educativo, da infância e da experiência familiar gera empregos diretos e indiretos, movimenta serviços, fortalece o turismo e cria ativos duradouros para o território. Pernambuco já demonstrou, em outros setores, que sabe fazer isso. Falta consolidar esse movimento no turismo criativo.
Mundo Bita e Itamaracá
Um Parque Mundo Bita em Itamaracá, concebido com baixo impacto ambiental, arquitetura integrada à paisagem, forte componente educativo e alinhamento ao Plano de Manejo da CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente), dialoga diretamente com o espírito do edital. Não se trata de um parque de excessos, mas de um equipamento de significado, capaz de unir lazer, educação e cultura.
O papel do Estado, nesse processo, não é operar o parque, mas induzir, articular e criar segurança institucional. A realização depende da mobilização do empresariado pernambucano, do setor turístico, da economia criativa, das lideranças políticas, das escolas, das universidades e da própria população. Grandes projetos só se tornam realidade quando são assumidos coletivamente e incorporados pelo povo.
O Brasil já conhece, na prática, a força econômica de projetos baseados em personagens e narrativas próprias. A Turma da Mônica consolidou-se como um dos maiores ativos culturais do país, movimentando editoras, audiovisual, licenciamento, educação e turismo. O Beto Carrero World, em Santa Catarina, transformou uma cidade inteira, gera milhares de empregos diretos e indiretos e atrai milhões de visitantes todos os anos. Esses exemplos demonstram que parques temáticos são indústrias permanentes, capazes de alterar a economia regional de forma consistente.
Pernambuco reúne todos os elementos necessários para construir um projeto dessa natureza: talento criativo, identidade cultural forte, reconhecimento nacional e vocação turística. Um Parque Mundo Bita em Itamaracá representa a chance de unir governo, empresários, sociedade e população em torno de uma ideia com impacto econômico, educacional e simbólico. Não se trata de sonho distante, mas de oportunidade concreta. Cabe agora às lideranças públicas e privadas decidirem se o Estado dará esse passo histórico ou se continuará apenas observando outros transformarem criatividade em desenvolvimento.
*Inácio Feitosa é advogado, empreendedor e fundador do Instituto IGEDUC ([email protected] )









