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Redução de tarifas de energia no Nordeste entra em consulta pública

Aneel abre consulta pública para definir critérios de rateio de recursos que podem reduzir as tarifas de energia no Nordeste, hoje próximas ou acima da média nacional
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A energia elétrica tem peso relevante na estrutura de custos da indústria, do comércio e dos serviços do Nordeste. Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abriu consulta pública para receber contribuições da sociedade sobre os critérios de distribuição de recursos destinados à redução das tarifas de energia elétrica nas regiões Norte e Nordeste. A iniciativa integra o processo regulatório que vai orientar a aplicação desses recursos no ciclo tarifário de 2026.

O debate ocorre em um contexto em que as tarifas praticadas no Nordeste estão, em média, alinhadas ou ligeiramente acima da média nacional. Dados consolidados da Aneel indicam que a tarifa residencial média no Brasil situa-se entre R$ 0,70 e R$ 0,75 por kWh, sem considerar tributos e a aplicação das bandeiras tarifárias.

No Nordeste, as tarifas residenciais homologadas para as distribuidoras da região variam, em geral, entre R$ 0,72 e R$ 0,83 por kWh, com diferenças entre os estados. Alagoas (R$ 0,86/kWh), Bahia (R$ 0,82/kWh) e Piauí (R$ 0,83/kWh) figuram entre as tarifas mais elevadas da região, enquanto Paraíba (R$ 0,59/kWh) e Sergipe (R$ 0,67/kWh) registram valores mais próximos ou abaixo da média nacional.

Essas variações refletem fatores estruturais do setor elétrico, como custos de distribuição, densidade do mercado consumidor, características das redes de atendimento e a estrutura de encargos setoriais, além da carga tributária estadual incidente sobre a conta de luz. Na composição da tarifa, o valor pago pelo consumidor inclui a Tarifa de Energia (TE), que remunera a geração e a compra da eletricidade, e a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), destinada a cobrir os custos da rede elétrica até o consumidor final.

Critérios em análise e alcance regional

Segundo a agência, a consulta busca estabelecer parâmetros técnicos e objetivos para o rateio dos valores entre as distribuidoras que atuam nas áreas atendidas pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste e pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, com foco na modicidade tarifária do mercado regulado.

Três alternativas estão em debate. A primeira considera a proporção do mercado cativo de cada área de concessão, com base no número de consumidores atendidos. A segunda adota uma proporção ponderada pelo nível de tensão, diferenciando consumidores de baixa, média e alta tensão. A terceira busca uma redução equilibrada das tarifas, de modo a gerar percentuais semelhantes de desconto entre os consumidores beneficiados.

Impactos econômicos regionais

No Nordeste, a energia elétrica tem peso relevante na estrutura de custos da indústria, do comércio e dos serviços, especialmente em estados com menor renda média e maior dispersão do mercado consumidor. Dados setoriais indicam que a região concentra cerca de 30% da capacidade instalada de geração eólica e solar do país, mas os custos associados à transmissão e à distribuição continuam influenciando o valor final da tarifa.

A redução das tarifas tende a impactar diretamente a competitividade das empresas locais e o orçamento das famílias, em um cenário de ajustes regulatórios e discussão sobre encargos setoriais.

Como participar da consulta pública

Os interessados podem enviar contribuições ao processo até 8 de janeiro de 2026, por meio do e-mail [email protected]. As manifestações serão analisadas pelas áreas técnicas da Aneel e poderão subsidiar ajustes na proposta final antes da deliberação pela diretoria colegiada, prevista para ocorrer antes da aplicação dos critérios nos reajustes e revisões tarifárias de 2025 e 2026.

A diretora relatora do processo na Aneel, Agnes da Costa,reforçou a abertura ao debate público. “Esta relatoria permanece aberta à incorporação de contribuições que apresentem critérios adicionais para a alocação dos recursos do Uso do Bem Público (UBP). É fundamental reconhecer que a sociedade pode não apenas opinar sobre os critérios sugeridos pela área técnica, mas também propor outros parâmetros que julgue relevantes para apreciação pela Aneel.”

*Com informações da Aneel

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