
Pernambuco é o segundo maior produtor de leite de cabra do país, com 53,5 milhões de litros por ano, segundo o Censo Nacional da Caprinocultura Leiteira (CNPC 2022). O estado fica atrás apenas da Bahia, que lidera com 78,2 milhões de litros. Juntas, as duas unidades da federação concentram mais de 63% da produção nacional. No total, o Nordeste responde por 92,7% de todo o leite caprino produzido no Brasil.
A atividade, predominante em pequenas propriedades do semiárido, tem forte presença no Agreste pernambucano, onde se concentram mais de 70% das bacias leiteiras do estado. É nesse contexto que o Banco do Nordeste (BNB) lançou, na terça-feira (16), o Plano de Ação Territorial (PAT) voltado à caprinocultura leiteira no Agreste Setentrional de Pernambuco.
A medida integra o Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter) e visa estruturar a cadeia produtiva em quatro municípios: Santa Cruz do Capibaribe, Brejo da Madre de Deus, Taquaritinga do Norte e Jataúba. Santa Cruz do Capibaribe está entre os cinco municípios com maior produção de leite de cabra do estado, ao lado de Petrolina, Floresta, Ipubi e Sertânia.
Cinco eixos estruturam a estratégia no território
O plano foi lançado na sede da Agência Municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa (Adec), em Santa Cruz do Capibaribe, com a presença de parceiros locais. Segundo o superintendente do BNB em Pernambuco, Hugo Luiz de Queiroz, a caprinocultura leiteira tem papel relevante na segurança alimentar e na geração de renda no campo. “Em Pernambuco, a caprinocultura leiteira é crucial para a geração de renda e segurança alimentar de famílias de pequenos produtores rurais, que muitas vezes operam em regime familiar e informal”, afirmou.
A estratégia do PAT está estruturada em cinco frentes principais: articulação institucional, capacitação técnica, difusão de tecnologia, crédito orientado e apoio à comercialização. A articulação busca integrar produtores, cooperativas e órgãos públicos para enfrentar gargalos como a informalidade e a baixa capacidade de comercialização. As ações de capacitação incluem cursos de gestão, associativismo e boas práticas agropecuárias.
O eixo de tecnologia prevê a introdução de manejo genético, alimentar e sanitário com foco na produtividade e na qualidade do leite. O crédito será viabilizado por meio de linhas como o Agroamigo, voltadas à aquisição de insumos, equipamentos e adequações estruturais. Por fim, o plano contempla medidas para industrialização e agregação de valor aos derivados, como queijos e iogurtes artesanais, fortalecendo a comercialização regional.
Caprinocultura conta com apoio de instituições locais e federais
A execução do PAT envolve o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), as prefeituras dos quatro municípios contemplados, o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Sebrae, além de sindicatos, cooperativas e instituições de ensino técnico.
Segundo o gerente de Desenvolvimento Territorial do BNB em Pernambuco, Josué Lucena, o plano visa transformar a base econômica local. “O Prodeter é uma ferramenta estruturante para o desenvolvimento sustentável no Nordeste”, declarou.
Sistemas produtivos e rendimento em Pernambuco
Pernambuco contava com 7.096 produtores de leite de cabra em 2022, o equivalente a 17,7% do total nacional. O modelo predominante é o sistema semiextensivo, baseado em pastagens nativas, com suplementação alimentar e uso parcial de curral. O manejo é majoritariamente familiar, com baixa mecanização e forte relação com a agricultura de subsistência.
O rendimento médio estadual é de 0,75 litro por cabra/dia, superior à média nordestina (0,70 l/dia) e à média nacional (0,68 l/dia), o que aponta para um desempenho produtivo acima da média nacional, mesmo com predominância de sistemas não intensivos.
Desafios para a cadeia produtiva local incluem a informalidade, a dificuldade de acesso a mercados e a escassez de serviços veterinários regulares, especialmente em áreas mais isoladas. Esses entraves justificam as ações estruturantes do PAT, que buscam não apenas aumentar a produtividade, mas também fortalecer o arranjo produtivo regional.
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