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Alagoas tenta apoio federal para escoar produção local de arroz

Saca de arroz teve queda de 50% no preço entre a safra anterior e atual e produtores relatam prejuízos na venda
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Pindorama arroz de sequeiro
Produtores do Baixo São Francisco amargam prejuízos com queda no preço da saca do arroz. Foto: Cooperativa Pindorama

A queda de 50% do valor da saca de arroz em comparação à safra 2024 com a atual tem impactado produtores do Baixo São Francisco de Alagoas. Muitos deles não possuem condições de estocar a safra e tem amargado prejuízos na venda direta do produto. O estado tenta viabilizar a compra do produto pelo Governo Federal.

Segundo o presidente da Cooperativa dos Beneficiadores de Arroz do Povoado Ipiranga, Roberto Moura, o preço comercial caiu e vem prejudicando os produtores, que não em conseguido estocar ou vender suas produções. Na safra anterior, o preço para uma saca de 240 quilos, ou um alqueire, custava R$ 400 e atualmente tem saído por R$ 200.

“Com esse valor o arroz na casca sai a menos de R$1 na roça, muito pouco para o produtor. As grandes empresas têm estocado e isso baixa muito o valor praticado comercialmente. Como muitos produtores não tem estrutura para estocar sua produção, estão vendendo a qualquer preço e isso tem nos prejudicados muito”, explicou.

Moura disse que as cooperativas do estado têm buscado diálogo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para tentar uma Aquisição do Governo Federal (AGF) no sentido de amenizar a situação dos produtores. Ele também disse que tem buscado diálogo com o Estado, por meio da Agência Desenvolve, para destravar uma linha de crédito que financie a estocagem da safra produzida em Alagoas. Enquanto o financiamento não ocorre, as cooperativas têm buscado compradores para o produto alagoano em outros estados.

Esse é um processo muito burocrático, que não avançou, mas seria uma saída para auxiliar os produtores. Infelizmente muitos produtores não têm uma estrutura, então eles colhem e já querem vender, mas as empresas possuem suas práticas de mercados e aí o preço cai e a cadeia produtiva sai prejudicada”, lamentou.

Produção de arroz é ampliada, mesmo em cenário desfavorável

Apesar dos prejuízos com a colheita da atual safra, iniciada no fim de novembro e com previsão de conclusão em fevereiro de 2026, Alagoas colheu mais de 20 mil toneladas do grão nos municípios e Penedo, Igreja Nova, Porto Real do Colégio e Piaçabuçu. O crescimento na produção ocorre em um momento de investimentos por parte da Secretaria de Estado da Agricultura, que tem incentivado produtores por meio do programa Alagoas Mais Arroz.

Atualmente, cada hectare plantado tem produção entre oito e dez toneladas de arroz. A área total plantada, conforme os arranjos produtivos dos perímetros irrigados hoje é de 2,5 mil hectares.

Em resposta ao Movimento Econômico sobre os problemas enfrentados pelos produtores de arroz do Baixo São Francisco, a Seagri disse por meio de nota que vai buscar diálogo com a Conab para credenciar produtores alagoanos no programa Arroz da Gente para que o grão produzido no estado seja adquirido e componha estoques públicos, garantindo um preço mínimo ao setor.

A pasta disse ainda que criou este ano a Câmara Setorial da Rizicultura para debater as demandas do setor entre os integrantes do poder público estadual, academia e a cadeia produtiva de Alagoas e que, juntos, realizam monitoramento do Baixo São Francisco.

“A Seagri destaca que a primeira tratativa da Câmara está ligada à qualidade técnica do setor, incluindo participação da Embrapa Arroz e Feijão (GO), com notórios avanços técnicos proporcionados pelo programa Alagoas Mais Arroz. A próxima etapa será a parte mercadológica”, diz outro trecho da nota.

produção de arroz
Afetado pela queda no preço, produtores recorrem ao Governo Federal em busca de medidas que amenizem prejuízo com safra de arroz. Foto: Divulgação

Governo divulga subvenção para equalização de preços do arroz

Foram publicadas na segunda-feira (15) as Portarias Interministeriais MAPA/MF/MPO/MDA nº 31 e nº 32, que definem os parâmetros para a concessão de subvenção econômica, na forma de equalização de preços, para o arroz em casca da safra 2024/2025 e para o trigo em grãos da safra 2025/2026. As medidas visam garantir renda aos produtores, estimular o escoamento da produção nacional e contribuir para o equilíbrio do mercado agrícola.

A subvenção será operacionalizada por meio do pagamento do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural ou sua Cooperativa (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP), ofertados em leilões públicos a serem realizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no âmbito da Política de Garantia dos Preços Mínimos (PGPM).

Para o arroz em casca, o montante de recursos destinado à política é de até R$ 100 milhões. Os Preços Mínimos vigentes foram fixados em R$ 63,64 por saca de 50 kg para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e em R$ 80,00 por saca de 60 kg para o estado do Paraná e para as demais Unidades da Federação das regiões Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Sudeste.

No caso do trigo em grãos, o volume total de recursos previsto é de até R$ 67 milhões. O benefício está condicionado ao escoamento do produto, in natura ou processado, para fora da Unidade da Federação de produção. A subvenção será concedida apenas ao trigo produzido no Brasil, quando o preço de mercado estiver abaixo do Preço Mínimo vigente para a safra, conforme definido na Portaria MAPA nº 780, de 2025.

Poderão participar dos leilões do Pepro os produtores rurais e as cooperativas de produtores rurais. Já nos leilões do PEP, poderão participar, no caso do trigo, as indústrias moageiras e os comerciantes de cereais, e, no caso do arroz, as indústrias e os comerciantes de cereais.

Leia mais: Produção de panetones movimenta mais de R$ 10 mi na economia de AL

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