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Com R$ 144 bi em projetos, Nordeste busca financiamento para 102 iniciativas

Piauí concentra R$ 68,6 bi dos R$ 144 bi da carteira do Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE). Infraestrutura responde por 80% do valor total. Sudene reuniu estados, BNDES e agências da ONU no Recife
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Sudene: projetos prioritários dos estados para o Nordeste demandam R$ 144 bilhões em investimentos
Encontro promovido pela Sudene permitiu alinhar projetos estaduais a estratégias de financiamento para o Nordeste. Foto: Elvis Aleluia/Ascom Sudene

Projetos de logística, mobilidade urbana e energias renováveis respondem por R$ 115,8 bilhões dos R$ 144 bilhões demandados pela carteira de 102 iniciativas estruturantes do Nordeste, com o Piauí concentrando sozinho R$ 68,6 bilhões em apenas 6 projetos. Os números foram apresentados nesta quarta-feira (3) pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) em encontro com governos estaduais, bancos de desenvolvimento e agências da ONU no Recife (PE).

O evento encerrou um trabalho desenvolvido pela Sudene em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para qualificar a carteira regional, ampliar sua capacidade de atrair investimentos e fortalecer a governança das iniciativas. As propostas foram indicadas pelos próprios governos estaduais e integram o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), principal instrumento de planejamento regional coordenado pela Sudene. Participaram representantes do BNDES, Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Finep, PNUD e UNOPS (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos).

A Bahia concentra o maior número de iniciativas, com 30 projetos que somam R$ 39,5 bilhões. O Piauí, com apenas 6 projetos, registra o segundo maior volume de investimentos da carteira: R$ 68,6 bilhões. Pernambuco participa com 6 projetos estimados em R$ 19,9 bilhões. O Maranhão aparece com 23 projetos e demanda de R$ 1,5 bilhão; o Ceará, com 10 projetos e R$ 3,7 bilhões; e o Rio Grande do Norte, com 9 projetos e R$ 6,4 bilhões. Minas Gerais e Sergipe registram, respectivamente, 6 e 5 projetos, com demandas de R$ 54,9 milhões e R$ 1,7 bilhão. Alagoas participa com 4 projetos avaliados em R$ 13,9 milhões e a Paraíba com 3 projetos e R$ 2,5 bilhões.

Por eixo estratégico, a infraestrutura regional domina a carteira: dos 102 empreendimentos, 56 estão enquadrados nesse eixo, concentrando R$ 115,8 bilhões em investimentos previstos, quase 80% do valor total. O desenvolvimento produtivo aparece em segundo lugar, com 34 projetos e R$ 26,7 bilhões. Os demais projetos distribuem-se entre meio ambiente (5 projetos/R$ 235,4 milhões), inovação (4 projetos/R$ 232,5 milhões), desenvolvimento social (2 projetos/R$ 213,6 milhões) e educação (1 projeto/R$ 675 milhões).

Metodologia e estruturação

Um dos diferenciais da carteira foi a adoção de metodologia de avaliação da maturidade dos projetos, desenvolvida em conjunto com os estados e apoiada pela Pezco Economics, consultoria parceira da Sudene. Cada iniciativa foi classificada de acordo com seu estágio de desenvolvimento e avaliada com base em critérios como estruturação técnica, estudos de viabilidade econômica, maturidade regulatória, modelagem jurídica e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

“A partir dessa metodologia, baseada em boas práticas internacionais, conseguimos associar os projetos a diferentes trilhas de financiamento e identificar quais fontes de recursos ou de assistência técnica são mais adequadas para cada estágio de desenvolvimento”, afirmou Gabriel Fiuza, diretor-executivo da Pezco Economics.

Articulação do Nordeste

O assessor do BNDES, Caio Ramos, destacou que o banco pode contribuir tanto pelo financiamento direto quanto pelo apoio técnico à preparação dos projetos. “Além de financiar estados e empresas, o BNDES atua na modelagem econômica, financeira e jurídica dos empreendimentos, ajudando a estruturar concessões e parcerias público-privadas”, explicou. Para o gerente de monitoramento da Secretaria Especial de Planejamento, Orçamento e Inovação de Sergipe, Diego Menezes, o encontro criou ambiente favorável para transformar prioridades de governo em projetos preparados para captar recursos.

Para o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o momento é de transformar a carteira em oportunidades concretas. “Estamos diante de um conjunto expressivo de projetos que exigirá articulação permanente entre planejamento, financiamento e execução. O papel da Sudene é aproximar os diversos atores envolvidos, construir soluções financeiras e contribuir para que essas iniciativas avancem em direção à implementação”, afirmou.

*Com informações da Sudene

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