
A consolidação do setor de gestão de resíduos na América Latina atingiu um novo patamar com a incorporação da Vital pela Orizon, formando uma empresa com receita líquida superior a R$ 3 bilhões e EBITDA projetado em R$ 1 bilhão. O negócio, estruturado por meio de troca de ações, duplica a força operacional da companhia, que passa a administrar 30 EcoParques em 15 estados brasileiros. Entre os ativos estratégicos do grupo estão as operações já existentes em Pernambuco.
O movimento estratégico ocorre em um cenário de verticalização do setor, impulsionado por novas exigências em Parcerias Público-Privadas (PPPs) que demandam gestão integrada — da coleta domiciliar à destinação final.
Com a fusão, a Orizon assume o controle de 14 milhões de toneladas de resíduos anualmente, atendendo cerca de 18% da população brasileira. A escala permite à nova companhia liderar a produção de biometano e créditos de carbono, mitigando riscos de suprimento ao dominar o fluxo da matéria-prima desde a origem.
Do ponto de vista societário e financeiro, o controle da nova gigante permanecerá com a EB Capital e a família Queiroz Galvão, que detêm juntas 60% das ações, enquanto os 40% restantes seguem em livre circulação no mercado (free float). A transação, que ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), projeta um lucro líquido acima de R$ 350 milhões.
Verticalização e conversão energética
A integração promete sinergias operacionais que transformarão aterros sanitários em complexos de bioenergia, com foco especial na substituição da matriz energética para indústrias e transportes.
De acordo com Milton Pilão, CEO da Orizon, a entrada no segmento de gestão integrada representa a oportunidade de construir novos contratos ao redor dos EcoParques atuais, como o de Jaboatão, multiplicando a receita gerada nesses negócios.
“A incorporação da Vital traz sinergias ao agregar capacitação técnica na sua área de expertise, apoiada por uma cultura de excelência operacional e por perspectivas robustas de crescimento orgânico por meio dessa plataforma que transforma resíduos em biometano e energia elétrica”, destaca o executivo.
O potencial energético é um dos pilares da tese de investimento da nova companhia, que estima uma produção de dois milhões de metros cúbicos de biometano por dia.
Para André Câncio, responsável pelo portfólio de investimentos da família Queiroz Galvão, o movimento reforça a atuação em frentes estratégicas de descarbonização.
“Participar desse novo ciclo, com atuação ativa na governança, reforça o compromisso com a estratégia de longo prazo e a contribuição relevante para a diversificação da matriz energética brasileira”, afirma Câncio.
A nova estrutura também projeta impactos significativos no mercado de trabalho e na economia circular regional. As operações combinadas serão responsáveis pela sustentação de 15 mil empregos diretos e 45 mil indiretos.
Em Pernambuco, a expectativa é que a unidade de Jaboatão dos Guararapes acelere a triagem de recicláveis e a reinserção de materiais na cadeia produtiva, consolidando o estado como um hub de soluções sustentáveis integradas à nova plataforma latino-americana.
Leia também: Pernambuco terá 100 ônibus elétricos com foco em renovação da frota









