
A reforma tributária aprovada no Congresso Nacional inaugura um novo modelo de desenvolvimento econômico no país, com mudanças começando a partir de 2026 e trazendo profundas implicações para a atração de investimentos pelos entes federativos. É nesse momento de transição estrutural que a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe) completa 60 anos de atuação e decide marcar sua nova fase com o lançamento do Invest Pernambuco — programa com o qual o governo do estado pretende reposicionar o estado na disputa por projetos estruturantes e cadeias produtivas alinhadas à nova economia.
A novidade foi lançada na festa de celebração do sexagenário da Adepe, na última segunda-feira (15), e vem em meio a um ciclo de investimentos em Pernambuco impulsionado por gigantes globais como Stellantis, Heineken e APM Terminals. O novo programa está sendo apresentado como uma resposta estrutural que visa blindar o estado dos riscos de um modelo tributário que tende a exaurir a velha “Guerra Fiscal”.
Novo paradigma na Adepe
Segundo Ana Luiza Ferreira, diretora-presidente da Adepe, o principal diferencial do Invest Pernambuco é a sua mudança de paradigma, que deixa de ter a renúncia fiscal como eixo central para adotar uma visão integrada, territorial e sustentável de desenvolvimento. Ela diz que a prioridade não é mais apenas o volume de capital, mas sim a criação de valor local e a redução das desigualdades.
O Invest Pernambuco nasce com três frentes principais: estruturação de uma nova narrativa de atração de investimentos, inclusão regional e foco na nova economia. ”A Adepe agora prioriza projetos alinhados a vocações regionais e a megatendências, como economia verde, transição energética, inovação e o fortalecimento do capital humano”, diz Ana Luiza, enfatizando o foco social da estratégia. “O dado que mais orgulha este governo é que isso se materializou na vida de quem mais precisa. A gente teve uma redução de 29% nos internamentos por desnutrição, segundo os dados do Ministério da Saúde. Então, o Invest Pernambuco é sobre isso, é sobre economia para quem mais precisa”, destaca.
O programa nasce ancorado em planejamento territorial, com mapeamento prévio das potencialidades regionais; organização por 12 regiões de desenvolvimento (respeitando as especificidades locais); e compromisso de entregar planos de desenvolvimento econômico por região.
Preparação pós-Reforma Tributária
Ana Luiza ressalta que os pilares do novo modelo são: infraestrutura logística robusta; segurança jurídica; planejamento territorial; qualificação de pessoas; e integração entre setor público, privado e academia.
Os principais desafios identificados pela Adepe incluem a mudança do local de arrecadação (origem → destino) e o fim dos incentivos fiscais tradicionais, o que desloca a competitividade para fatores estruturais.

Mercado interno e externo
Uma das ferramentas do Invest Pernambuco para combater a concentração de capital na Região Metropolitana do Recife (RMR) é a Rede de Agentes de Inovação e Sustentabilidade. São São trainees (bacharéis e mestres) que atuarão diretamente nas 12 regiões de desenvolvimento do Estado.
O papel desses agentes é mapear as oportunidades e as vocações produtivas únicas de cada área, transformando-as em projetos estruturados para atração de investimentos. A diretora-presidente da Adepe detalha a missão.
“Esses agentes são responsáveis por analisar a vocação econômica de cada território e mapear no Brasil e no mundo quem é que tem interesse em vir para esse ecossistema da economia de Pernambuco. Então, criar um pipeline real de empresas para atrair para cá.”
Um destaque do programa é a internacionalização, a Adepe avança com um braço estratégico na Ásia. “O Invest Pernambuco já nasce com um braço na China”, revela Ana Luiza Ferreira. O suporte em Xangai, que começa em janeiro e visa não apenas atrair investimento chinês, mas também apoiar empresários pernambucanos.
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