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Açúcar fora da lista: trégua tarifária dos EUA pode mirar etanol americano

Os EUA são importadores líquidos de açúcar e não faz sentido deixar o produto brasileiro excluído
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Açúcar exportação Alagoas Tarifas
Açúcar do Nordeste segue sob pressão/Foto: Adobe Stock

Por Giovanni Lorenzon, especial para Movimento Econômico

A boa notícia que o presidente Donald Trump deu ao Brasil não pode ser comemorada totalmente pelo Nordeste. A ordem executiva liberando os 40% de tarifas excluiu o açúcar.
E o pior não está descartado. Ao deixar de fora o açúcar, da lista de mais de 200 itens que voltam a ter alíquotas de importação nos Estados Unidos aos níveis de antes ainda da tarifa recíproca de 10% – eliminadas no último dia 13 -, o governo Trump pode estar pressionando o Brasil a rebaixar a tarifa do etanol daquele país.

Simples: praticamente todo o biocombustível dos EUA, quando importado pelo Brasil como foi no governo Bolsonaro, é internado quase todo ele no Norte e Nordeste.

Os EUA são importadores líquidos de açúcar, como cerca de 2,5 milhões de toneladas ano, segundo cálculos de Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar PE, então não faz sentido deixar o produto brasileiro excluído não fosse essa possível pretensão via etanol.

O Brasil aplica 18% ao etanol de milho americano e lá o biocombustível brasileiro pagava 2,5%, até ser retaliado por Trump na mesma proporção. E o presidente americano, desde que começou a guerra comercial, com o Brasil – e com o mundo – sempre implicou o etanol nessa disputa.

A aceitação dessa possibilidade, se confirmada, é improvável por parte das indústrias da região, porque implicaria até em mais problemas que a compensação do açúcar aparentemente daria, deixa explícito o executivo, também presidente da Novabio.

Renato Cunha/Divulgação
O presidente da NovaBio e do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha /Foto: Divulgação

Lembra-se, ainda, que a cota brasileira de açúcar, de apenas 155,9 mil toneladas por ano-fiscal dos EUA, de outubro a setembro, é performada 100% pelas usinas da região ampliada até o Maranhão. Apesar de insignificante pela capacidade produtiva do Nordeste, em especial, é muito significativa para as economias agregadas de todos os estados.

“Só exportamos 60 mil toneladas até agora e os EUA costumam, nessa época, estudar as suplementações e sempre puderam contar com o Nordeste em credibilidade, qualidade e agilidade na entrega”, diz Renato Cunha, destacando os investimentos feitos por muitas usinas até em terminais visando aquele mercado.

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