
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite desta quinta-feira (20), que a retirada das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representa um sinal de respeito ao Brasil. A fala ocorreu durante a abertura do Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo, poucas horas após o presidente norte-americano Donald Trump anunciar o fim da tarifa adicional de 40% sobre 1.250 produtos brasileiros, entre eles café, carne bovina, frutas tropicais, sucos e cacau.
“Quando o presidente dos EUA tomou a decisão de fazer a supertaxação, todo mundo entrou em crise e ficou nervoso. E eu não costumo tomar decisão com 39 graus de febre. Eu espero a febre baixar. Se você tomar decisão com febre, você vai cometer um erro”, afirmou Lula em discurso.
O presidente destacou que a reversão tarifária decorre de postura firme do Brasil na condução das relações comerciais. “Hoje estou feliz porque o presidente Trump começou a reduzir as taxações. E essas coisas vão acontecer na medida em que a gente consiga galgar respeito das pessoas. Ninguém respeita quem não se respeita”, completou.
Ordem cita diretamente Lula e negociações em andamento
Na ordem executiva publicada pela Casa Branca, Trump justificou a medida com base em tratativas diplomáticas: “Após considerar as recomendações recebidas e o progresso das negociações com o governo do Brasil, incluindo minha conversa telefônica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a qual concordamos em iniciar negociações para tratar das questões identificadas na Ordem Executiva 14.323, determinei que é apropriado modificar o escopo dos produtos sujeitos à tarifa recíproca adicional.”
A decisão do governo norte-americano inclui ainda reembolso retroativo das tarifas cobradas desde 13 de novembro e alinha sua vigência à decisão anterior, de 14 de novembro, que havia reduzido tarifas recíprocas para todos os parceiros comerciais. Para os produtos brasileiros, essa tarifa era de 10%.
Entre os produtos beneficiados pela retirada da tarifa estão café em grão, carne bovina in natura e processada, cacau e derivados, tomate, banana, manga, laranja, chá e especiarias como canela e noz-moscada. O Nordeste é destaque na produção de diversos itens contemplados, como frutas tropicais, cacau e açaí.
Entidades destacam impacto econômico imediato
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) avaliou como “positiva e estratégica” a retirada das tarifas, destacando que o setor enfrentava alíquotas efetivas superiores a 70% para determinados cortes. “É uma sinalização clara de reabertura comercial. O Brasil volta a disputar espaço no maior mercado do mundo com produtos de alto valor agregado”, disse a entidade em nota.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) afirmou que a medida tem efeito imediato na competitividade dos produtos brasileiros. Em comunicado, a entidade declarou que a retirada das tarifas “restabelece condições justas de competição, amplia margens e melhora a previsibilidade para exportadores”.
Diálogo diplomático e reaproximação comercial
A reversão parcial do tarifaço ocorre após meses de tensão diplomática, iniciados com a imposição da tarifa de 50% por parte de Trump em agosto, sob justificativa de “ameaça à segurança nacional”. A reaproximação política com o Brasil, consolidada no encontro entre os presidentes em outubro na Malásia, e a pressão interna nos EUA por alimentos mais baratos influenciaram a decisão.
A ordem executiva ressalta que apenas produtos classificados nos códigos de 8 dígitos do sistema tarifário HTSUS listados no Anexo I estão isentos, e que 11 produtos constantes do Anexo II — a maioria com finalidades religiosas — permanecem sujeitos à tarifa adicional.
*Com informações da Agência Brasil
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