
A governadora Raquel Lyra encaminhou à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) o Projeto de Lei Ordinária nº 003573/2025, solicitando autorização para a supressão de 47,46 hectares de vegetação nativa em cinco municípios da Região Metropolitana do Recife (RMR), no traçado do Lote 2 do Arco Viário Metropolitano. A área impactada equivale a 66 campos de futebol oficiais e está distribuída entre os municípios de Paudalho, São Lourenço da Mata, Moreno, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho.
Do total solicitado, 4,24 hectares estão em Áreas de Preservação Permanente (APP), como margens de cursos d’água e nascentes das bacias dos rios Tapacurá, Pirapama e Goitá, o que exige autorização legislativa conforme determina a Lei Estadual nº 11.206/1995. A expectativa do governo estadual é iniciar as obras ainda neste ano, mantendo o cronograma previsto após a aprovação do pedido.
Área em APP representa quase 10% da vegetação a ser suprimida
De acordo com o relatório técnico que acompanha o projeto, a distribuição das áreas de APP por município é a seguinte: São Lourenço da Mata, com 1,19 hectare; Cabo de Santo Agostinho, 1,05 hectare; Moreno, 0,89 hectare; Paudalho, 0,64 hectare; e Jaboatão dos Guararapes, 0,47 hectare. Essas áreas concentram vegetação nativa de regeneração secundária, muitas em faixas marginais a cursos d’água. Os outros 43,22 hectares estão fora de APPs, mas também exigem supressão por conta da implantação da nova rodovia.
A proposta apresentada pelo governo estadual prevê que todas as intervenções vegetais, inclusive em APPs, serão objeto de compensações ambientais equivalentes ou superiores, supervisionadas pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).
Tabela detalha áreas em hectares com vegetação nativa a serem suprimidas, discriminando Áreas de Preservação Permanente (APPs) e fragmentos fora de APP nos cinco municípios afetados pela obra
Trecho Sul terá execução estadual e federal com R$ 1,2 bilhão em investimentos
O Lote 2 do Arco Metropolitano, que corresponde ao trecho Sul da obra, será dividido em dois subtrechos. O primeiro, de 25,32 quilômetros entre a BR-232 (em Moreno) e a BR-101 Sul (no Cabo de Santo Agostinho), será executado pelo Governo de Pernambuco, com investimento de R$ 631,9 milhões. O contrato foi firmado com o consórcio formado pelas empresas Dois A Engenharia e Tecnologia, Azevedo & Travassos Infraestrutura e KPE Engenharia — classificado em segundo lugar —, após a desclassificação da empresa inicialmente vencedora por problemas documentais.
O segundo subtrecho, de 20 quilômetros entre a BR-408 e a BR-232, será executado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), com aporte de R$ 500 milhões do governo federal. O investimento total nos dois segmentos soma próximo a R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 700 milhões foram garantidos por empréstimo aprovado pela Alepe.
Trecho Norte segue em estudos e sem licença ambiental
Enquanto o trecho Sul avança para a etapa de execução, o Lote 1 do Arco Metropolitano, que corresponde ao trecho Norte da obra, permanece em fase de estudos preliminares até 2027. O segmento compreende cerca de 50 quilômetros entre a BR-101 Norte e a BR-408 e atravessa a Área de Proteção Ambiental (APA) Aldeia-Beberibe, o que dificulta a definição do traçado e a obtenção da licença ambiental prévia.
A vigência do contrato com o consórcio responsável pelos estudos foi prorrogada até fevereiro de 2027, conforme aditivo publicado no Diário Oficial do Estado no dia 13 deste mês. A indefinição sobre o traçado pode levar à adoção de soluções de engenharia complexas, como túneis ou elevados, caso não haja possibilidade de redirecionamento do projeto.
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