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Startup cria ecossistema para resolver fragmentação do cuidado na saúde

O público da startup é formado principalmente por pacientes crônicos e sindrômicos, com tratamentos complexos e de longo prazo

De Recife
CEO do Movimento Econômico
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Gabriela Maira e Barbara Mendonça
Gabriela Maira e Bárbara Mendonça/Foto: divulgação

Uma startup pernambucana está ajudando a resolver um dos maiores desafios da área da saúde: a fragmentação do cuidado. O termo descreve quando o atendimento ao paciente acontece de forma desconectada entre os diferentes profissionais, serviços e etapas do tratamento.

Em vez de haver uma linha contínua de acompanhamento, cada profissional ou instituição cuida de uma parte isolada do processo — o médico realiza a consulta, o laboratório faz os exames, o fisioterapeuta conduz o tratamento — sem integração das informações e do histórico do paciente.

A plataforma Nery desenvolveu um ecossistema inteligente de manejo clínico que conecta profissionais, pacientes e cuidadores primários por meio da tecnologia, reduzindo desperdícios e falhas de comunicação — causas da maior parte dos erros clínicos.

“Hoje, a saúde é completamente desintegrada, o que gera redundância, desperdício e erros. As estatísticas mostram que 70% dos erros clínicos vêm da falha de comunicação, não de diagnósticos equivocados”, afirma Gabriela Meira, cofundadora da startup ao lado de Bárbara Mendonça.

O sistema é composto por dois aplicativos e uma plataforma web. O Nery Scrubs é voltado para profissionais de saúde, que podem registrar atendimentos, práticas clínicas e acompanhar pacientes de qualquer lugar. Já o Nery Check é destinado a pacientes e cuidadores, permitindo o registro contínuo de informações e reações aos tratamentos. Ambos se integram à Nery Pulse, plataforma de gestão populacional e institucional que já reúne dados de milhares de pacientes e profissionais.

“Quando você tem esse modelo espelhado de coordenação e manejo de cuidado, é possível aumentar a aderência em até 40%, impactando os resultados do sistema de saúde de forma significativa”, explica Gabriela. Segundo ela, a Nery também garante o controle dos dados tanto para profissionais — que preservam o histórico de seus atendimentos — quanto para pacientes e cuidadores, por meio do CPF registrado na plataforma.

Um dos diferenciais é o uso de inteligência artificial, por meio da assistente virtual Ana, que interage via WhatsApp para facilitar o acesso de pessoas com baixo letramento digital.

A startup foi lançada oficialmente nas lojas de aplicativos em fevereiro de 2025, após quatro anos de desenvolvimento. Atualmente, reúne cerca de 2.500 pacientes e 3.000 profissionais de saúde.

Gabriela destaca que a Nery aposta na continuidade do cuidado e no protagonismo do cuidador primário, como mães, esposas ou familiares que acompanham o paciente diariamente.

Trampolim para a startup

“A gente trabalhava na Interne (empresa de home care) quando veio a pandemia e a pressão pela digitalização. A pandemia trouxe a necessidade de resolver as coisas de forma mais eficiente, com a demanda de desospitalização”, relembra.

“Naquele momento, todo mundo queria sair do hospital. Se você não estivesse com Covid, precisava estar fora do hospital. Isso criou uma demanda por atenção contínua e recorrente fora do ambiente hospitalar. Esse foi o trampolim para a gente mergulhar no desenvolvimento de uma tecnologia que possibilitasse esse cuidado contínuo, descentralizado e de longo prazo, envolvendo todos os agentes do sistema de saúde”, completa a empreendedora.

O público da startup é formado principalmente por pacientes crônicos e sindrômicos, que necessitam de tratamentos complexos e de longo prazo, com vários profissionais envolvidos no cuidado. “O potencial de mercado é muito grande — estimamos 100 milhões de pessoas no Brasil que precisam de acompanhamento contínuo fora das instituições hospitalares”, calcula Gabriela.

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