
O ministro dos Transportes, Renan Filho, lança nesta sexta-feira (31) o edital de licitação para a retomada das obras da ferrovia Salgueiro-Suape da Transnordestina às 10h em Brasília. Será escolhida uma empresa para implantar 73 km de ferrovia entre as cidades de Custódia e Arcoverde com um investimento previsto de R$ 200 milhões. Iniciada em 2006, a parte pernambucana da obra está paralisada, pelo menos, desde 2016. O empreendimento é considerado fundamental para melhorar a logística de Pernambuco e estados vizinhos. A governadora Raquel Lyra vai acompanhar o anúncio por videoconferência.
A ferrovia Salgueiro-Suape terá 544 km – incluindo 179 km que foram concluídos -, e representam 38% do total. O custo de implantação é estimado entre R$ 3,5 bilhões e R$ 5 bilhões, dependendo das soluções de engenharia adotadas na sua construção. O trecho que liga Custódia a Arcoverde tem 37% de execução. A expectativa é de que as obras sejam retomadas no início do próximo ano, de acordo com informações do Ministério dos Transportes.
“A retomada das obras é uma ótima notícia. A conclusão do trecho Salgueiro-Suape é uma necessidade do setor produtivo de Pernambuco, da sociedade em geral e da população. É uma unanimidade que essa obra é fundamental, está sendo retomada e não vai mais parar”, diz o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso.
Para Bruno, com o avanço da obra vai aumentar a cobrança para que a ferrovia chegue ao Porto de Suape. “A cada quilômetro construído aumenta a pressão e o interesse pela conclusão. É um consenso entre o setor produtivo e a sociedade: essa obra precisa ser finalizada”, afirma.
Membro do Comitê Tecnológico Permanente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Pernambuco (CREA-PE), o engenheiro Carlos Calado diz que, na visão do CREA, a luta para implantar o trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina não deve ser só de Pernambuco, mas envolver os estados do Nordeste Oriental, como Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Calado defende que “Salgueiro-Suape é a linha tronco, que pode receber futuros ramais desses estados, conectando não só as cargas, mas os portos destes Estados. É difícil imaginar um futuro, realmente, bom para um porto sem ferrovia”. Os quatro estados citados estão sem operação ferroviária desde 2013. Ele também defende que a sociedade e os “que têm mandato” devem se unir em torno deste projeto para que ele realmente seja concluído.
“Há carga para os dois ramais. E o seminário feito pelo Movimento Econômico mostrou isso, conectando as pontas, mostrando locais onde têm cargas e não se falava muito”, comentou, se referindo aos dois trechos da Transnordestina: o pernambucano que liga Salgueiro a Suape e o que começa na cidade de Eliseu Martins, no Sul do Piauí, seguindo até o Porto do Pecém, começando a subir para o Ceará depois de Salgueiro.
Na opinião do diretor e acionista da Agemar, Manoel Ferreira, “a retomada das obras é importante para Pernambuco e estados vizinhos. A falta de uma ferrovia impede que algumas exportações, como a de grãos, escoe pelo Porto de Suape. É um empreendimento que vai levar mais desenvolvimento ao interior. Por exemplo, Salgueiro poderia ter uma base de distribuição de combustíveis, recebendo esse produto pela ferrovia. E o gesso também poderia se beneficiar deste ramal, entre outras cargas”.
O Movimento Econômico vai realizar no dia 18 de novembro, no Porto de Suape, o último evento do Seminário Conexões Transnordestina que, desde julho, passou por Salgueiro, Petrolina, Araripina, Belo Jardim e Caruaru. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo Sympla.
Trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina
No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 do governo federal destina somente R$ 50 milhões as obras do trecho Salgueiro-Suape numa rubrica do Ministério dos Transportes/Valec. O montante de recursos previsto no orçamento federal será ampliado de acordo com a evolução do cronograma de execução da obra, segundo informações do Ministério dos Transportes.
Ainda de acordo com informações do Ministério dos Transportes, o projeto prevê a implantação de bitola larga com 1,60m no trecho Salgueiro-Suape. A ferrovia poderia receber mais cargas se fosse implantada com a bitola mista, segundo alguns especialistas.
“Para transformar a bitola larga em mista é necessário colocar um trilho a mais. Neste momento, a lógica é retomar as obras e fazer o possível para que o empreendimento se torne cada vez mais indispensável”, defende o presidente da Fiepe, Bruno Veloso, acrescentando que isso vem sendo discutido há um ano e meio.
O que foi construído no trecho Salgueiro-Suape está em bitola larga, como os 179 km finalizados entre Salgueiro e Custódia, além do trecho Custódia-Arcoverde – que tem 37% de execução – e Arcoverde-Pesqueira com 53 km de extensão e 24% de execução.
Opinião similar ao do presidente da Fiepe tem o engenheiro Carlos Calado. “Com helper ou sem helper. Com bitola larga ou mista, precisamos do trecho Salgueiro-Suape da Transnordestina”, defendeu o engenheiro, argumentando que a discussão técnica é salutar desde que não comprometa o reinício da obra.
Helper é o nome dado a uma terceira locomotiva que puxa o trem e os vagões em determinados trechos que as rampas ou curvas são maiores. No projeto antigo da Transnordestina previa a utilização de helpers por 88 km da ferrovia, o que tornaria a operação mais cara. O Ministério dos Transportes informou que “a necessidade de helpers na operação da ferrovia será definida conforme a atualização dos estudos realizados pela Infra S.A”.
Outro fator que também terá que ser definido é o direito de passagem entre Eliseu Martins e Salgueiro, quando o trecho pernambucano da ferrovia entrar em operação. As cargas que embarcarem no começo da ferrovia (depois de Salgueiro no sentido oeste) terão que passar pelo trecho operado pela empresa empresa Transnordestina Logística S.A. (TLSA), que tem a concessão do trecho que começa em Eliseu Martins, no Sul do Piauí e vai até o Porto de Pecém, no litoral do Ceará. Subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacioanal (CSN, a TLSA é a concessionária explorar o serviço e que iniciou a construção da obra em 2006.

Projeto original da Transnordestina
Em 2006, a Transnordestina começava em Eliseu Martins, no Sul do Piauí, seguia até Salgueiro e depois desta cidade se dividia em dois ramais: Salgueiro-Porto de Pecém e Salgueiro Suape. Em 2022, a TLSA devolveu o trecho Salgueiro-Suape dizendo que não tinha viabilidade econômica. É este trecho que agora tem as obras retomadas pelo governo federal como obra pública.
Com 1206 km de extensão, o trecho que liga Eliseu Martins-Salgueiro-Pecém teve as obras retomadas pela pela TLSA em 2023 e deve ser concluído em 2027, passando por 53 municípios. Até agora, foram gastos R$ 14,9 bilhões empregados na Transnordestina inteira e a maior parte destes recursos foram empregados no trecho Eliseu Martins-Salgueiro-Pecém.
A solenidade com o anúncio da retomada das obras do trecho pernambucano será transmitida no canal do Ministério dos Transportes no YouTube[https://www.youtube.com/@mintransportes].
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