
A empresa holandesa SBM Offshore apresentou uma proposta de US$ 3,65 bilhões para a construção e operação de duas plataformas do tipo FPSO destinadas ao projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP), conduzido pela Petrobras. O valor representa a menor das três propostas recebidas na licitação, superando a oferta de US$ 4,33 bilhões da indiana Shapoorji Pallonji e a proposta de US$ 5,26 bilhões da japonesa Modec.
O modelo adotado na contratação é o BOT (build, operate and transfer), em que a empresa vencedora se responsabiliza pela construção, operação e posterior transferência das unidades à estatal. A Petrobras prevê o início da produção no SEAP em 2030, conforme estabelecido no Plano Estratégico 2024–2028. A análise das propostas deve durar até seis meses, período durante o qual o governo de Sergipe busca garantir que parte das operações e fornecimentos seja realizada no estado.
O projeto será implantado em dois módulos. O SEAP 1 reúne os campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste, Cavala e Palombeta, enquanto o SEAP 2 abrange os campos de Budião, Budião Noroeste e Budião Sudeste. Cada unidade FPSO terá capacidade para processar 120 mil barris de óleo por dia e até 12 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O gás será processado diretamente no mar, dispensando o uso de unidades de tratamento em terra, e a infraestrutura prevista inclui um gasoduto com vazão de até 18 milhões de metros cúbicos por dia.
Governo de Sergipe acompanha processo
O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, tem articulado ações para inserir o estado nas etapas do projeto. A gestão estadual participou de reuniões com representantes da SBM durante eventos como a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston, e a Gastech, em Milão, com o objetivo de atrair investimentos e promover a contratação de fornecedores locais.
A licitação atual marca a segunda tentativa de contratar as unidades para o SEAP. A primeira rodada, realizada anteriormente, foi cancelada por falta de atratividade para os investidores. Como resposta, a Petrobras reformulou o modelo de negócios, flexibilizou condições e adotou o formato BOT para tornar o projeto mais viável.
O Sergipe Águas Profundas é considerado estratégico para a ampliação da oferta de gás natural no país, com potencial de transformar o estado em um novo polo offshore. Embora Sergipe ainda não registre produção marítima efetiva, concentra reservas relevantes em águas profundas. De acordo com dados da ANP de 2024, o estado, ao lado do Ceará e do Rio Grande do Norte, representa cerca de 6% das reservas provadas de gás natural do Brasil, consolidando o potencial da região Nordeste para a expansão da produção energética.
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