
O e-commerce brasileiro vive uma mudança de comportamento que vai além da forma de comprar. Com base no volume de pedidos ligados à operação da Wake – empresa de tecnologia voltada ao varejo digital -, os dados mostram que o consumidor está comprando de forma mais distribuída ao longo do ano, usando novos meios de pagamento e ampliando a presença do comércio eletrônico fora dos grandes centros tradicionais.
A geografia do e-commerce passam por processo de amadurecimento. São Paulo segue como principal origem e destino dos pedidos, mas o avanço do consumo em outras regiões revela que a penetração digital está se ampliando. Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso registraram crescimento no volume de pedidos recebidos entre 2023 e 2025. Pernambuco, por exemplo, saiu de 66.037 pedidos recebidos em 2023 para 100.013 em 2025.
O dado sugere que campanhas de frete grátis, expansão de transportadoras regionais e novas rotas logísticas estão ajudando a destravar o consumo fora do eixo Rio-São Paulo. O Sudeste ainda concentra a maior parte da operação, mas o mapa da demanda começa a se espalhar com mais consistência.
PIX x cartões
Os números extraídos do volume de pedidos que passaram pela plataforma da Wake mostram que o Pix ganhou protagonismo nesse processo. Sua participação saiu de 29% em janeiro de 2024 para 35% em dezembro de 2025, enquanto o boleto continuou perdendo espaço. A queda foi de 33,76% entre 2023 e 2024 e de 5,03% em 2025.
Essa mudança não ocorreu apenas por decisão espontânea do consumidor. O próprio varejo ajudou a moldar o novo hábito ao vincular descontos, aprovação imediata e benefícios ao pagamento por Pix. Ainda assim, o cartão de crédito segue como principal meio de pagamento, sustentado pela força do parcelamento no orçamento das famílias brasileiras. Pela base de pedidos da Wake, o cartão passou de cerca de 1,73 milhão de pedidos em 2023 para 2,32 milhões em 2024 e 2,83 milhões em 2025.
E-commerce diluído
Outra transformação relevante do e-commerce está na sazonalidade das vendas. O calendário promocional deixou de depender apenas da Black Friday tradicional. Datas duplas como 1.1, 8.8 e 11.11, antes mais associadas a marketplaces, foram incorporadas por diferentes segmentos do varejo. Com isso, as vendas passaram a se diluir ao longo do ano, reduzindo a concentração em eventos únicos e criando um ambiente permanente de campanhas.
Novembro simboliza bem essa mudança. O 11.11, realizado semanas antes da Black Friday, ganhou força e registrou crescimento de 51,1% em faturamento na comparação entre 2024 e 2025. O movimento confirma que a Black Friday deixou de ser apenas uma sexta-feira e se transformou em um mês de ofertas, no qual o consumidor antecipa compras e divide o orçamento entre diferentes campanhas.
O resultado é um varejo digital mais competitivo, mais promocional e mais dependente de eficiência logística. Para as empresas, o desafio será equilibrar margem, prazo de entrega, custo de frete e estratégia de pagamento. Para o consumidor, a compra online passa a ser cada vez menos concentrada em grandes datas e mais integrada à rotina. O e-commerce brasileiro entrou numa nova fase: a da compra pulverizada, imediata e cada vez mais orientada por conveniência.
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