Neste episódio da série Conexões Transnordestina, abordamos os entraves históricos e técnicos da Ferrovia Transnordestina, destacando que o projeto, iniciado há décadas, ainda não conseguiu cumprir seu papel de integrar o Nordeste e impulsionar o desenvolvimento regional. Apesar de avanços em alguns trechos, especialmente no Ceará, a obra permanece paralisada há mais de dez anos em Pernambuco, revelando um desequilíbrio na execução e levantando questionamentos sobre sua efetividade como corredor logístico estratégico.
Os especialistas Fernando Jordão e Maurício Pina, que são engenheiros e professores, apontam falhas relevantes na concepção do projeto, sobretudo no traçado, que desconsiderou áreas produtivas importantes do Estado. Exemplos como o de Belo Jardim evidenciam que a ferrovia passa distante de polos industriais, o que compromete sua viabilidade econômica. Além disso, há trechos já concluídos que seguem sem uso, deteriorando ao longo do tempo e gerando custos, enquanto segmentos prioritários, como a ligação até o Porto de Suape, ainda não possuem sequer projeto, licenciamento ou desapropriação. “Se tivesse sido construída do litoral ao Sertão, a ferrovia já estaria em Belo Jardim transportando baterias”, diz Pina.
O debate também evidencia problemas estruturais mais amplos, como a falta de planejamento de longo prazo, a desarticulação da malha ferroviária após a privatização e a ausência de um modelo de negócios claro para a operação da ferrovia. Como consequência, o Nordeste corre o risco de consolidar um vazio ferroviário, com estados desconectados das principais rotas logísticas. A avaliação dos entrevistados é de que a solução passa por decisões políticas, maior integração regional e revisão estratégica do projeto, para que a ferrovia deixe de ser apenas uma obra inacabada e passe a cumprir seu papel no desenvolvimento econômico.
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