
Com R$ 175,1 milhões em investimentos distribuídos entre dois estados, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) formalizou nesta quinta-feira (26) três intervenções de infraestrutura logística no Nordeste: a entrega do Aeroporto Regional de Patos (PB), a modernização tecnológica do Aeroporto Jorge Amado em Ilhéus (BA) e a assinatura do termo de compromisso para obras no Porto de Cabedelo (PB). As ações integram a estratégia federal de ampliação da segurança operacional e da capacidade logística regional em diferentes modais.
As obras do Aeroporto Regional de Patos foram financiadas com R$ 26,8 milhões da União e R$ 13,8 milhões de contrapartida do governo estadual — total de R$ 40,6 milhões — e incluíram reconstrução da pista com 1.375 metros de comprimento, implantação de novo pátio de aeronaves, construção de terminal de passageiros de 682 metros quadrados e instalação de equipamentos de navegação.
A ausência de um aeroporto operacional na cidade representava gargalo logístico para 24 municípios da região após 15 anos sem operação regular em um polo econômico de mais de 100 mil habitantes do Sertão paraibano, com reflexo sobre os setores de turismo, negócios e escoamento de produção nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.
“Patos tem mais de cem mil habitantes e é uma região estratégica da Paraíba. Não tinha sentido uma cidade tão fundamental como ela é para o crescimento do sertão não ter um aeroporto pronto para receber a população. Agora sim, pode receber turistas de todo o Brasil que vão visitar o sertão paraibano”, afirmou o ministro Silvio Costa Filho durante a cerimônia de entrega.
O governador da Paraíba, João Azevêdo, destacou o papel do município como polo regional. “Pela importância geográfica e econômica, Patos recebeu um olhar diferenciado. É importante entender que cada região tem um polo de desenvolvimento, de prestação de serviços. Foi exatamente a partir dessa condição de que Patos poderia liderar o desenvolvimento de todo o sertão que a gente resolveu investir de verdade aqui”, disse.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, classificou a obra como prioridade histórica para a região. “Aqui temos a concretização de um sonho de 15 anos de trabalho do povo sertanejo que beneficiará a população de três estados — Pernambuco, Rio Grande do Norte e a própria Paraíba, que conta agora com mais um aeroporto para se interligar com os principais centros do nosso país”, afirmou.

Aeroporto de Ilhéus: EMAS substitui expansão impossível
O Aeroporto Jorge Amado (SBIL) receberá R$ 70 milhões do Novo PAC para implantação do EMAS (Engineered Material Arresting System) — sistema que desacelera aeronaves de forma segura em casos de ultrapassagem do limite da pista, por meio de materiais que absorvem energia de frenagem.
A solução foi identificada pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) como resposta técnica à impossibilidade de prolongamento físico da pista, cercada por obstáculos naturais e urbanos. O projeto integra plano de estruturação para aeronaves de porte 4C e o investimento federal cobre intervenção de segurança não prevista originalmente no contrato com a concessionária, afastando o ônus da operadora.
“Estamos trabalhando para levar mais segurança e tecnologia aos nossos aeroportos. O sistema EMAS em Ilhéus é uma solução moderna que permite ao terminal operar com tranquilidade, mesmo em áreas com restrições físicas”, disse o ministro Silvio Costa Filho.
Com projeção de superar 1 milhão de passageiros até 2031, o terminal registrou 669.734 passageiros em 2024 e atende diretamente a cadeia produtiva do cacau e o setor hoteleiro do Sul da Bahia. O próximo passo é a finalização dos estudos técnicos para início das obras.
Porto de Cabedelo: R$ 105 mi para dragagem e ampliação do molhe
O termo de compromisso assinado entre a União, a Companhia Docas da Paraíba (Docas-PB), representada pelo presidente Ricardo Barbosa, e o governo estadual prevê R$ 64,5 milhões para dragagem do canal de acesso e R$ 40,5 milhões para ampliação do molhe de abrigo. A dragagem abrange volume estimado de 976,5 mil metros cúbicos, com alargamento do canal e ampliação do raio da bacia de evolução, permitindo a operação de navios de maior porte, incluindo embarcações de cruzeiro.
O assoreamento atual impõe restrições de atracação em determinados horários e condições de maré, limitando o porte dos navios em operação e elevando custos logísticos por atraso. A extensão do molhe visa ampliar a estabilidade do canal e reduzir a recorrência do assoreamento, aumentando a durabilidade da infraestrutura portuária.
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