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Agreste de Pernambuco ganha novos roteiros de ecoturismo e artesanato

Integração entre natureza, aventura e cultura nas cidades do Agreste cria experiências mais completas e amplia a competitividade do turismo no interior do Estado
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Agreste concentra cachoeiras e trilhas que farão parte do roteiro de ecoturismo. Foto: Pedro Romero/Sebrae

Com foco na valorização do turismo de experiência e na ampliação do tempo de permanência dos visitantes, o Sebrae Pernambuco lança, no dia 13 de maio, no Museu do Estado, dois novos roteiros integrados pelo interior. As iniciativas conectam municípios do Agreste em propostas que combinam natureza, aventura e cultura, estruturando produtos turísticos mais robustos e competitivos.

Os roteiros são voltados ao ecoturismo e à produção artesanal. A primeira rota abrange os municípios de Bonito, São Benedito do Sul e Buíque. Já o segundo tem as cidades de Caruaru, Garanhuns e Buíque como foco. Ambos foram desenvolvidos a partir da integração de destinos que, até então, eram promovidos de forma isolada.

A proposta, segundo o gestor de projetos de turismo do Sebrae Pernambuco, Laudemiro Ferreira Junior, é transformar experiências pontuais em jornadas completas. “A gente percebeu que esses destinos já tinham potencial individualmente, mas quando integrados passam a oferecer mais opções e aumentam o tempo de permanência do turista. Isso torna o produto mais atrativo, inclusive para mercados mais distantes”, afirma.

Ecoturismo conecta natureza e aventura no Agreste

O primeiro roteiro, de ecoturismo, conecta as cachoeiras e trilhas dos municípios como Bonito, São Benedito do Sul e a região do Vale do Catimbau, em Buíque, com seus sítios arqueológicos. “Esses municípios têm características diferentes, mas complementares. Quando a gente organiza isso em um roteiro integrado, o visitante entende que vale a pena viajar até lá porque terá uma experiência mais completa”, destaca Laudemiro.

Para estruturar o produto, foram realizadas ações de capacitação, qualificação de guias, visitas técnicas entre os destinos e a criação de um roteiro de três a quatro dias. Também foram promovidos famtours com agências de viagem e influenciadores, etapa fundamental para validação do produto no mercado.

Vale do Catimbau, em Buíque, também fará parte da rota de ecoturismo. Foto: Pedro Romero/Sebrae

“Mãos do Agreste” aposta no valor da arte

Já o segundo roteiro, batizado de Mãos do Agreste: do Barro à Madeira, tem como foco o turismo cultural e a valorização do artesanato regional. A iniciativa integra polos de artesanato de madeira de Garanhuns e Buíque e o tradicional Alto do Moura, em Caruaru.

A construção do roteiro partiu de uma percepção de mercado de que o artesanato local já despertava interesse nacional e internacional antes mesmo de ser estruturado como produto turístico.

“Quando começamos a receber demandas de compradores de fora, inclusive colecionadores e lojistas de outros estados, ficou claro que o nosso artesanato já estava em outro patamar. A partir disso, entendemos que era hora de estruturar uma rota”, afirma Gerlane Melo, gestora de turismo, artesanato e economia criativa do Sebrae no Agreste Meridional.

O roteiro foi desenhado para oferecer uma imersão no processo criativo dos artesãos, transformando ateliês em espaços de visitação e experiência. “A nossa ideia é que o turista conheça onde a peça é produzida, entenda o processo criativo e vivencie a realidade do artesão. Os ateliês passam a ser os grandes atrativos turísticos”, explica.

Um dos objetivos da rota “Mãos do Agreste” é transformar casas de artesãos em Buíque em pontos de visitação. Foto: Sebrae/Divulgação

Teste de mercado já aponta forte demanda

Antes do lançamento oficial, o Sebrae realizou um projeto piloto com lojistas e curadores de arte de diferentes regiões do país. Em apenas três dias de visitação, o resultado superou as expectativas. “Nesses três dias, foram gerados mais de R$ 150 mil em vendas. Isso mostrou claramente o potencial comercial da rota”, destaca Gerlane.

A validação também revelou demanda reprimida. Segundo a gestora, novos interessados já procuraram o Sebrae para participar da experiência, antes mesmo do lançamento oficial. “A gente já recebeu contatos de pessoas de Brasília, Rio e São Paulo querendo fazer a rota. Isso mostra que existe um mercado pronto”, afirma.

Estratégia mira promoção e mercado nacional

O investimento total nos dois projetos gira em torno de R$ 900 mil, fruto de parceria entre o Sebrae e instituições estaduais. A estratégia agora é ampliar a promoção comercial, com a inclusão dos roteiros em catálogos e sua divulgação em feiras nacionais.

A expectativa é que a iniciativa fortaleça o turismo regional e acompanhe uma tendência já consolidada no mercado. “Hoje, 74% dos turistas no Brasil escolhem seus destinos pela proximidade com a natureza. Quando a gente alia isso à cultura e à experiência, cria um produto muito mais competitivo”, conclui Laudemiro.

Tradicional artesanato de barro do Alto do Moura, em Caruaru, fará parte do roteiro. Foto: Sebrae/Divulgação

Além da valorização cultural, o projeto tem como objetivo impulsionar a economia regional. A expectativa é que os roteiros ampliem o fluxo turístico e beneficiem uma cadeia ampla de serviços. “O turismo movimenta diversos setores. Quando o visitante chega, ele se hospeda, se alimenta, se desloca. Isso gera impacto direto na economia local”, acrescenta Gerlane.

Leia também: Vale do Catimbau: tesouro arqueológico de PE ganha impulso turístico

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