
A BWH Hotels está em negociação contratual com hotéis no Ceará, Alagoas e Paraíba e projeta assinar cinco novos contratos no Brasil até o final de 2026, com meta de chegar a 30 hotéis no país até 2030. Ricardo Manarini, Country Manager da rede no Brasil, confirmou os avanços em entrevista ao Movimento Econômico durante a WTM Latin America 2026, nesta terça-feira (14), em São Paulo.
“Temos cartas de intenção assinadas e estamos caminhando para os detalhes contratuais. Esses três estados são onde temos os projetos mais encaminhados”, disse Manarini. A equipe da rede visitará o Nordeste nas próximas duas semanas para avançar nas negociações.
Os três projetos em negociação têm perfis distintos. Um é voltado ao segmento de luxo e experiência, com produto de alto padrão. O segundo operará sob a marca Best Western, no segmento midscale. O terceiro será posicionado no segmento upscale, sob uma das marcas principais do grupo.
A BWH Hotels opera atualmente seis hotéis no Brasil — em Salvador, Porto Seguro, Maceió, Natal, Caldas Novas e Campos do Jordão — e tem escritório próprio em Alphaville (SP) desde 2025, com equipe local estruturada para contratos em português e reais. Com cinco cartas de intenção assinadas e negociações em curso nos três estados nordestinos, a rede projeta dobrar o portfólio nacional ainda em 2026 e chegar a 30 hotéis até 2030. A BWH reúne as marcas WorldHotels (luxo), Best Western (midscale/upscale) e SureStay (econômico), com mais de 4.000 hotéis em mais de 100 países.
Modelo de associação é diferencial da BWH Hotels
A BWH opera como associação sem fins lucrativos. Os hoteleiros são os acionistas e os lucros são reinvestidos na rede, diferentemente das redes de capital aberto listadas em bolsa. Manarini afirmou que esse modelo tem gerado mais receptividade no Nordeste, onde predominam hotéis independentes com dificuldade de competir em distribuição com grandes redes internacionais. “Quando a gente explica isso para o cliente, ele se abre mais. Ele sente que estamos do mesmo lado, levando negócio para ele”, disse.
Entre as ferramentas oferecidas aos associados estão acordos diretos com operadoras como CVC e plataformas como Booking e Expedia, além de um programa de fidelidade com mais de 60 milhões de membros. “Para um hotel independente montar um programa de benefícios assim é quase impossível. Ele entra na nossa rede e já ganha visibilidade mundial imediata”, afirmou. As tarifas de adesão são mais acessíveis do que as praticadas por redes de capital aberto, segundo o executivo, o que facilita a entrada de empreendimentos de menor porte.
João Pessoa e o Polo Cabo Branco
No conjunto dos destinos nordestinos, Manarini destacou João Pessoa (PB) como praça prioritária e elogiou o trabalho da Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) na estruturação do Polo Turístico Cabo Branco. “Eles têm sido muito proativos em buscar redes, buscar investidores e fazer a coisa acontecer”, afirmou. O executivo citou o centro de convenções do polo como uma das âncoras do destino. “Para mim, é um dos melhores do Brasil em termos de estrutura para diferentes tipos de eventos”, disse.
A chegada do Tauá Resort — com investimento de R$ 770 milhões e abertura prevista para julho de 2026 — foi avaliada como fator positivo para o polo, não como concorrência. “Só ajuda a chamar atenção para a hotelaria e a mostrar que uma marca internacional faz diferença. Atrai até mais investidores. Nem todo mundo vai ficar no resort grandão — vai ter demanda para hotéis midscale e upscale também”, disse Manarini.
Projeto de experiência no sertão nordestino
Para além do litoral, Manarini confirmou que a BWH está em negociação para um projeto de alto padrão no sertão nordestino, voltado a um público distinto do turismo de praia. “É contra intuitivo. Quando se fala em Nordeste, todo mundo pensa em praia. Esse projeto é o oposto — é a experiência do sertão, da cultura, da culinária”, disse, sem revelar o destino.
O executivo indicou que o projeto está localizado em uma região de forte identidade cultural e histórica que abrange mais de um estado nordestino. O segmento, segundo ele, exige mais cuidado no desenvolvimento, mas representa uma oportunidade de diversificação da oferta turística regional.
Malha aérea, crise do petróleo e mercado interno
Manarini descreveu a conectividade aérea entre cidades do Nordeste como um obstáculo ao desenvolvimento do turismo intrarregional. “A gente programou uma viagem e não consegue voo direto entre capitais do Nordeste, às vezes tem que passar por São Paulo ou Brasília”, relatou. O fluxo entre cidades da região, de Aracaju para Maceió, de Maceió para Porto de Galinhas, existe e é expressivo, mas a falta de conectividade direta obriga os viajantes a rotas mais longas e caras, segundo o executivo.
Esse gargalo se agrava no contexto da alta nas passagens aéreas provocada pela crise do petróleo no Oriente Médio. Para Manarini, porém, o impacto sobre o turismo doméstico será parcialmente absorvido pelo mercado regional. “O cliente tem um orçamento. Se não couber de avião, ele vai de carro. O mercado regional vai suprir”, afirmou. O executivo ressaltou que mais de 90% dos hóspedes dos hotéis da rede no Brasil são brasileiros, o que reduz a exposição ao encarecimento das rotas internacionais. “O mercado interno continua muito forte”, disse.
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