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Pernambuco encerra 2025 com 40 voos internacionais por semana

Pernambuco supera Ceará e Bahia em oferta de voos para o exterior, avança em negociações com empresas aéreas e investe na captação de turistas
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Presidente da Empetur, Eduardo Loyo destaca que o estado tem ligações diretas com noves destinos internacionais, com 40 voos semanais Foto: Reprodução do vídeo
Presidente da Empetur, Eduardo Loyo destaca que o estado tem ligações diretas com noves destinos internacionais, com 40 voos semanais Foto: Reprodução do vídeo

A malha aérea internacional de Pernambuco encerrará 2025 com 40 frequências semanais, número mais que quatro vezes superior às nove operações existentes no início de 2023. O resultado será impulsionado pela chegada da espanhola Iberia, pela nova rota da Latam para Buenos Aires e pelo avanço das negociações para outras ligações. Com isso, o número de destinos voados passou de 3 (Lisboa, Montevidéu e Buenos Aires), em 2023, para 9 atualmente – Lisboa, Porto (Portugal), Montevidéu, Buenos Aires, Madri, Córdoba (AR), Assunção (Paraguai), Santiago (Chile) e Orlando (EUA). O voo semanal da Iberia dreto para Madri tem início no próximo dia 13. O da Latam para Buenos Aires também será semanal e terá início no dia 20.

De acordo com o presidente da Empresa Pernambucana de Turismo (Empetur), Eduardo Loyo, a expansão é fruto de muito trabalho para atrair novas rotas e, numa alfinetada a outros Estados, afirma que ocorre sem subsídios diretos às companhias aéreas.

“A gente mostra o potencial do mercado, apresenta dados de ocupação, sazonalidade e perfil de demanda. As companhias analisam e tomam decisão. Pernambuco não paga por voos”, afirmou. A política contrasta com modelos adotados por outros estados do Nordeste e, ainda assim, permite que o Recife tenha hoje mais rotas internacionais do que Ceará e Bahia, duas referências tradicionais do setor.

Processo de negociação

Para Loyo, o crescimento expressivo resulta de uma estratégia que combina previsibilidade regulatória com presença ativa nos grandes mercados emissores. Cada reunião com executivos de companhias aéreas é realizada com base em estudos que detalham fluxo turístico, performance hoteleira, comportamento de gasto e atrativos adequados para cada tipo de público.

“Quando mostramos que Pernambuco tem mercado, sazonalidade clara e produto diferenciado, a companhia entende que consegue operar com segurança. Isso faz diferença”, explicou. Ele destaca que o foco não é apenas atrair novas rotas, mas garantir que elas permaneçam no longo prazo. “O objetivo não é ter um voo que chega e vai embora. É consolidar operações sustentáveis. A gente trabalha olhando 2025, 2026, 2027”, afirmou.

Os principais mercados trabalhados atualmente são Europa — especialmente Espanha, França e Portugal —, Estados Unidos e as Américas, principalmente a central. Ele acrescenta que o Estado também mantém negociações com operadoras para ampliação de pacotes de lazer e turismo cultural.

Promoção internacional de Pernambuco

A ampliação das rotas está integrada a um calendário de promoção internacional que posiciona Pernambuco de forma mais agressiva fora do país. A Empetur intensificou a presença em feiras, rodadas de negociação e roadshows que envolvem operadoras, companhias aéreas, redes hoteleiras e agências de receptivo.

“A gente não vai só para aparecer. Vai com estudo de mercado, com números de fluxo, com ofertas combinadas com o trade. Quando sentamos com um operador, mostramos o que ele pode vender em Pernambuco, em que época, com que tipo de público. Isso faz diferença no fechamento do negócio”, explicou Loyo.

As ações dos últimos meses foram concentradas na América do Sul, na Europa e nos Estados Unidos, com foco na ocupação da baixa estação, mas lembra que, para um voo vir para Pernambuco, uma outra rota fica prejudicada, por uma série de motivos, entre eles, falta de aeronaves. “Estamos conversando com várias companhias. Algumas rotas estão mais avançadas, outras em estudo. Mas o trabalho está acontecendo todos os dias”, completou.

Presidente da Empetur, Eduardo Loyo afirma que Pernambuco vem investindo muito para atrair novos turistas e o calendário de eventos ajuda muito
Presidente da Empetur, Eduardo Loyo afirma que Pernambuco vem investindo muito para atrair novos turistas e o calendário de eventos ajuda muito

O desafio dos cruzeiros

O estado também aposta na ampliação da temporada de cruzeiros, que terá 14 atracações no Porto do Recife nesta temporada. A estratégia envolve reforço no receptivo, criação de roteiros de curta duração e integração com o comércio local, especialmente no centro da capital.

“O visitante do cruzeiro tem ticket médio alto. Ele vai para o centro, compra artesanato, consome gastronomia, faz passeio de curta duração. É um público importante para o Estado”, disse Loyo.

Segundo ele, o avanço depende de fatores que extrapolam o turismo, como custos operacionais portuários e disponibilidade de navios. Loyo explica que um dos problemas no Porto do Recife é o local de atracação, que fica distante do terminal e demanda uma robusta envolvendo ônibus e táxis. “O cruzeiro depende de uma logística grande. A gente faz a parte do turismo, organiza receptivo, prepara os destinos. Mas há componentes portuários e operacionais que pesam. Mesmo assim, estamos avançando”, avaliou.

Eventos impulsionam o turismo

Loyo acrescentou que o crescimento do turismo pernambucano vem sendo puxado por ciclos sazonais consolidados — verão, Carnaval, Semana Santa, São João e, nos últimos anos, o programa Pernambuco Meu País —, aliados à retomada do turismo de negócios no segundo semestre.

Ele lembrou que a ampliação da rede hoteleira no Agreste e no Sertão também acompanha o aumento da demanda regional. Unidades recentes de redes como Ibis em Arcoverde e Serra Talhada e Nobile em Araripina demonstram, segundo o presidente, que a interiorização do turismo está conectada à expansão econômica dessas regiões. “Quando um hotel novo chega em Arcoverde ou Serra Talhada, ele puxa os outros a melhorarem. Isso é concorrência. E isso mostra que o interior está crescendo”, afirmou.

Loyo considera que a atual política de promoção turística só se sustenta porque o governo estadual trata o turismo como vetor econômico, e não como tema restrito a lazer ou sazonalidade.

“O que precisa ser feito é que os governantes enxerguem o turismo como forma de desenvolvimento econômico. E isso vem sendo feito pelo  governo da governadora Raquel Lyra e de Priscilla Krause”, afirmou.

Ele lembrou ainda o caráter histórico do cargo na sua trajetória pessoal. “Meu avô foi hoteleiro e presidiu a Empetur em dois mandatos. Depois de 20 anos, assumir a empresa tem uma importância grande para mim”, concluiu.

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