
Com a abertura da válvula dispersora da barragem de Oiticica, o Projeto Seridó entrou em fase de testes para a chegada total das águas do Eixo Norte da Transposição do São Francisco ao Rio Grande do Norte. O procedimento foi executado na última terça-feira (19), no município de Jucurutu, e marca a pré-operação do sistema que vai distribuir água a 24 municípios do Seridó potiguar.
A liberação da água partiu do reservatório de Caiçara, na Paraíba, seguindo por gravidade até o leito do rio Piranhas-Açu, onde encontra a barragem de Oiticica. A partir dessa estrutura, o volume será conduzido por meio de adutoras a serem integradas ao sistema definitivo do Projeto Seridó, que possui cerca de 330 quilômetros de extensão.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a ação corresponde a uma fase controlada de enchimento e verificação técnica da infraestrutura. O reservatório de Oiticica tem capacidade para 590 milhões de metros cúbicos e desempenha papel estratégico no reequilíbrio das bacias hidrográficas do semiárido nordestino.
Durante a cerimônia de acionamento, o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, declarou: “Essa entrega de água ao Seridó, iniciando por Oiticica, mostra o compromisso do Governo Federal com a segurança hídrica do povo nordestino. A Transposição do Rio São Francisco é uma das maiores obras estruturantes do Brasil e tem como prioridade garantir abastecimento humano.”
Governadora destaca novo ciclo hídrico no estado
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, acompanhou o início da operação e reforçou o impacto histórico da chegada das águas ao estado. “Estamos assistindo a um momento que é verdadeiramente um divisor de águas para o semiárido potiguar. Um sonho acalentado por décadas se torna realidade. Essa conquista não é apenas de um governo, mas de todo um povo que lutou pelo direito à segurança hídrica”, afirmou.
“Estamos conectando infraestrutura e vida. Não se trata apenas de engenharia, mas de dignidade para o povo potiguar”, disse a governadora Fátima Bezerra, ao destacar a conexão entre Oiticica e a barragem Armando Ribeiro Gonçalves. Com a abertura das comportas, as águas seguirão em direção ao maior reservatório do estado, inaugurando uma nova etapa de segurança hídrica.
A obra da barragem foi iniciada em 2013 e integra o conjunto de ações do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O Projeto Seridó, por sua vez, é executado pelo Governo do RN, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), com financiamento do Banco Mundial.
O Projeto de Integração do Rio São Francisco é a maior obra de infraestrutura hídrica do país, com 477 quilômetros de extensão em dois eixos. A água percorre 412 quilômetros até chegar ao Rio Grande do Norte, onde passará a abastecer parte da população por meio da infraestrutura em implantação. A iniciativa deve garantir segurança hídrica a 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Além da distribuição urbana, o sistema deverá beneficiar áreas rurais e produtivas do Seridó, somando cerca de 280 mil pessoas atendidas ao final da implantação.

Transposição do São Francisco e próximos passos técnicos
O Rio Grande do Norte é o quarto e último estado do Nordeste a receber as águas da Transposição do São Francisco. Antes dele, já haviam sido contemplados os estados da Paraíba, Pernambuco e Ceará. O sistema de Oiticica é o ponto de recepção das águas no território potiguar, com expectativa de funcionamento integral até 2026.
A próxima etapa será a integração da barragem às adutoras do Projeto Seridó, cujas obras estão em andamento em diferentes trechos. A Semarh e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) serão responsáveis por monitorar o comportamento hidráulico da barragem, garantindo a segurança das estruturas durante o enchimento.
Segundo dados da ANA, o Seridó é uma das regiões brasileiras com maior escassez hídrica, com precipitações médias anuais inferiores a 600 mm. A operação do sistema é considerada essencial para assegurar o abastecimento humano, principalmente nos períodos de estiagem prolongada. * Com informações do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e do Governo do Rio Grande do Norte
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