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Álvaro Porto denuncia milícia digital ligada ao gabinete de Raquel Lyra

Presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto afirma que assessor da governadora lidera rede de difamação contra deputados e órgãos públicos com verba do Estado
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presidente da Assembleia Legislativa (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB)
Segundo Álvaro Porto, a Superintendência de Inteligência Legislativa (Suint) comprovou que o material foi produzido por um assessor da governadora em uma lanhouse no Shopping RioMar, utilizando um pendrive. Foto: Marcio Didier/ME

Uma rede de comunicação estruturada com recursos públicos para atacar parlamentares e órgãos de controle estaria sendo operada a partir do gabinete do gabinete do gabinete da governadora Raquel Lyra (PSD). A denúncia foi formalizada nesta quarta-feira (20) pelo presidente da Assembleia Legislativa (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), que atribuiu a autoria das ações ao assessor Manoel Pires Medeiros Neto, integrante do núcleo direto da governadora.

A denúncia mais recente envolve uma representação anônima encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e à imprensa contra a deputada Dani Portela (PSOL), responsável pelo pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Publicidade. Segundo Porto, a Superintendência de Inteligência Legislativa (Suint) comprovou que o material foi produzido por Manoel Pires em uma lan house no Shopping RioMar, utilizando um pendrive. Imagens de segurança e dados do computador utilizado fazem parte do material apresentado à Mesa Diretora.

“Minha presença nesta tribuna é também e, principalmente, para denunciar que a milícia digital não é só obra da Casa Civil, como se pensava. A cabeça, senhoras e senhores, pasmem — mas, pasmem mesmo — está montada no gabinete da governadora”, afirmou o deputado.

Investigação revela rede de ataques operada com verba pública

A investigação interna aponta que a chamada “milícia digital palaciana” tem como principal articulador Manoel Pires Medeiros Neto, que também figura em outra denúncia apresentada à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A peça acusa Manoel e sua prima, a advogada Manoela Álvarez Medeiros, de obter informações sigilosas de processos no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região com uso de credenciais indevidas. Os dados seriam repassados ao assessor para alimentar conteúdos em redes sociais e blogs com foco em deslegitimar opositores do Executivo estadual.

Além de integrar o gabinete da governadora, Manoel também é conselheiro da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e da Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE). Entre 2011 e 2022, ele atuou como assessor da atual vice-governadora Priscila Krause (Cidadania) durante seus mandatos como vereadora do Recife e deputada estadual. Após a eleição de 2022, integrou o comitê de transição da gestão Raquel Lyra.

Porto destacou que, dada a capilaridade do assessor e sua relação direta com os principais nomes do governo, os fatos apurados são ainda mais graves. “Se a governadora e a sua vice vêm se valendo de um servidor público para tentar coagir ou constranger uma deputada estadual no cumprimento da sua função fiscalizadora, trata-se de situação absurda e alarmante”, afirmou.

Falas contra CPI seriam tentativa de deslegitimação

Segundo o presidente da Alepe, os ataques contra Dani Portela têm como objetivo enfraquecer a atuação da deputada na CPI da Publicidade, instalada nesta segunda-feira (19) para investigar contratos e aplicação de recursos em comunicação institucional por parte do Executivo. “O que não faltam são fatos determinados a serem investigados pela CPI da Publicidade instalada ontem nesta Casa”, declarou.

Porto questionou publicamente se a governadora manterá ou exonerará o assessor envolvido. “Vai exonerar o assessor espião do seu gabinete, demonstrando desaprovar as ações de perseguição a deputados e a integrantes de outras instituições públicas? Ou vai dar a ele uma promoção como premiação pelas ações maquinadas dentro do seu gabinete?”, indagou.

Material sobre milícia digital será encaminhado à Justiça e à CPI

De acordo com Porto, todos os elementos reunidos pela Suint — incluindo imagens, cruzamento de dados e histórico de dispositivos — serão entregues à CPI, aos deputados e à Justiça. Ele afirmou que o Legislativo estadual continuará atento a possíveis violações da separação entre os poderes.

“Não podemos aceitar que o trabalho de fiscalização de qualquer um dos 49 parlamentares desta Casa seja deslegitimado e desacreditado por denúncias falsas e difamações pensadas e ordenadas pelo gabinete da governadora e veiculadas numa teia de comunicação paga com dinheiro público”, disse.

O parlamentar concluiu com uma convocação à unidade da Casa: “Precisamos todos, deputados e deputadas, estar unidos na defesa das nossas prerrogativas”.

Leia mais: Empréstimo de R$ 1,5 bi avança na Alepe, mas mudanças põem em xeque obras do governo

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