
O crescimento do ecossistema de startups no Nordeste começa a atrair cada vez mais atenção de investidores. Uma das principais redes de investidores-anjo do país, o BR Angels, iniciou a estruturação de um capítulo regional com base no Recife e atuação voltada para toda a região. A iniciativa pretende aproximar investidores locais do mercado de inovação e ampliar o acesso de startups nordestinas a capital, mentoria e conexões estratégicas.
Fundado em 2019, em São Paulo, pelo executivo Orlando Cintra, o BR Angels reúne empresários, executivos e investidores interessados em apoiar startups brasileiras em estágio inicial. A rede atua como um ecossistema de investimento-anjo que combina aporte financeiro com orientação estratégica e networking para acelerar o crescimento das empresas.
Atualmente, o BR Angels conta com cerca de 500 membros entre executivos, empresários e investidores que participam da análise e das rodadas de investimento em startups com potencial de crescimento.
Segundo Carlos Rebellato, um dos articuladores da expansão da rede na região, o objetivo do capítulo Nordeste é formar uma comunidade regional de investidores e aproximar o ecossistema local do ambiente de investimento que já existe no Sudeste.

“O grande diferencial do BR Angels é o smart money. Os associados são diretores, CEOs e executivos de alto nível. É um grupo extremamente qualificado e conectado, que contribui tanto na análise das startups quanto na abertura de mercado para elas”, afirma.
A proposta também inclui trazer para a região eventos e encontros de investidores que normalmente acontecem em São Paulo, além de promover rodadas de apresentação de startups para potenciais investidores.
Seleção rigorosa de startups
As startups que buscam investimento passam por um processo estruturado de seleção dentro do BR Angels. O funil inclui triagem inicial, apresentação para os membros da rede e etapas de avaliação técnica antes da abertura das rodadas de investimento.
De acordo com Rebellato, o nível de exigência da comunidade é elevado. “Mais de seis mil startups já passaram pelo processo de avaliação do BR Angels e apenas 37 receberam investimento. Não é por falta de recursos, mas pelo nível de qualificação que buscamos nos negócios.”
Outro diferencial do modelo é a autonomia dos investidores. Diferentemente de fundos tradicionais de venture capital, os membros da rede decidem individualmente se desejam participar ou não de cada rodada. “Em um fundo tradicional, o investidor aporta recursos e a gestora decide onde investir. No BR Angels, cada membro decide se quer ou não participar de determinada rodada”, explica.
Nordeste ganha espaço no ecossistema de inovação
O CESAR, centro de inovação sediado no Recife, também integra a rede do BR Angels como membro corporativo. Nesse modelo, instituições participam da comunidade de investidores por meio de representantes e podem colaborar na análise e no desenvolvimento das startups. A instituição contribui especialmente na avaliação tecnológica das empresas analisadas para investimento, ajudando a verificar a consistência das soluções e o potencial de escala dos negócios.
De acordo com Augusto Galvão, diretor executivo do CESAR Ventures, o crescimento do ecossistema regional foi um dos fatores que estimularam a criação do capítulo nordestino. Hoje, o Nordeste ocupa a segunda posição no país em número de startups. “O Nordeste superou o Sul nesse quisito. Isso mostra que existe um ecossistema em expansão e um grande potencial para conectar inovação e capital”, afirma.
Embora a base da operação esteja no Recife, a atuação será regional, com articulação também em estados como Ceará, Paraíba e Bahia. Segundo Galvão, a iniciativa visa fortalecer a cultura de investimento em startups na região. “Ainda existe o desafio de ampliar a cultura de investimento em inovação. O que queremos é estimular essa mentalidade e mostrar que esse tipo de investimento pode gerar oportunidades relevantes.”
Casos mostram potencial de retorno
Para os membros do BR Angels, investir em startups é uma modalidade de investimento com riscos, mas também com alto potencial de retorno.
Um dos exemplos citados é o da startup cearense Tallos, plataforma de atendimento digital fundada em 2017 e adquirida pela RD Station, empresa do grupo TOTVS, em 2022. Segundo os investidores, a operação gerou retorno de até 93 vezes o valor aplicado nas rodadas iniciais.
Outro caso envolve a startup Novo Pré-Drink, criada pelo empreendedor Felipe Rebellato. A empresa enfrentava dificuldades para acessar grandes redes de farmácias no país.
Após entrar no ecossistema de investidores, o empreendedor conseguiu rapidamente chegar aos principais tomadores de decisão do setor.
Segundo Carlos Rebellato, a rede de relacionamentos dos investidores foi decisiva para abrir portas no mercado, permitindo contato direto com dirigentes das principais redes farmacêuticas do país.
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