
A pesquisa “2025 Generative AI in Professional Services Report”, conduzida pela Thomson Reuters, aponta que a adoção da inteligência artificial generativa (GenAI) em serviços profissionais cresceu significativamente em 2025, mas ainda enfrenta desafios estratégicos. O levantamento ouviu 1.702 profissionais das áreas jurídica, tributária, de auditoria, riscos corporativos, fraudes e governo, entre janeiro e fevereiro deste ano. Embora o relatório não traga dados específicos sobre o Brasil, o cenário global pode ser diretamente correlacionado ao contexto nacional, especialmente diante da crescente adoção de IA no setor público e corporativo brasileiro.
Atualmente, 22% das organizações já utilizam ferramentas de GenAI, como ChatGPT, Gemini e Copilot, quase o dobro em relação a 2024. Outros 50% ainda estão planejando ou avaliando essa adoção. A expectativa é de que a IA generativa se torne central no fluxo de trabalho de 95% das organizações nos próximos cinco anos. Entre os usuários individuais, 41% já utilizam ferramentas de IA abertas e 17% adotam soluções específicas do setor.
Apesar do entusiasmo – 55% dos entrevistados se dizem empolgados ou esperançosos com o uso de GenAI –, persistem lacunas importantes: apenas 20% das organizações estão medindo o retorno sobre o investimento (ROI) dessas ferramentas. Além disso, 52% dos profissionais afirmam que suas empresas não têm políticas definidas para o uso da IA, e 64% não receberam qualquer tipo de treinamento formal.

O relatório destaca ainda a desconexão entre a adoção prática da tecnologia e seu alinhamento com as estratégias organizacionais. Profissionais estão usando IA no dia a dia, mas poucas empresas integram essa ferramenta aos seus objetivos estratégicos. Isso também se reflete na falta de clareza entre clientes e prestadores de serviços: 71% dos clientes de escritórios jurídicos e 59% dos de firmas contábeis disseram não saber se seus parceiros utilizam IA.
Entre as principais aplicações da GenAI estão automação de tarefas repetitivas, economia de tempo e aumento de produtividade. No setor jurídico, o uso é mais evidente em revisão de documentos, pesquisa legal e elaboração de contratos. No setor tributário, as ferramentas são usadas para preparação de declarações, contabilidade e pesquisa fiscal.
A pesquisa revela que a resistência inicial à IA vem diminuindo, e a percepção de que ela complementa – e não substitui – o trabalho humano está se consolidando. Contudo, persistem preocupações sobre acurácia, viés algorítmico e segurança de dados. O desafio agora é estruturar a governança da GenAI nas organizações e garantir que sua aplicação gere valor concreto.
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