
O Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais (Coriff) definiu, em reunião realizada nesta quarta-feira (25), a seleção de pelo menos um projeto por estado para receber incentivos e avançar para contratação até o fim do semestre. A reunião foi realizada na sede da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), no Recife. Também será criado um grupo de trabalho para o turismo na Região, com a meta de fazer um diagnóstico dos principais gargalos e estruturar novas oportunidades de financiamento no setor.
O governador de Alagoas e presidente do Consórcio Nordeste, Paulo Dantas (MDB), destacou o esforço coordenado entre diferentes atores para garantir a efetivação dos projetos. “Nós temos até junho para, no mínimo, entregar uma contratação por estado. Pode parecer pouco, mas tenho plena convicção de que teremos uma alavancagem muito alta e resultados concretos para a economia regional”, afirmou. Segundo ele, o acompanhamento será contínuo, com relatórios quinzenais envidados pelas instituições financeiras para monitorar o avanço das iniciativas.
Ao todo, a chamada Nordeste reúne uma demanda de aproximadamente R$ 113 bilhões em crédito, distribuída entre setores como energia renovável, saneamento, gás natural, saúde e industrialização. Parte relevante desse volume já está em fase de análise pelas instituições financeiras.
BNDES lidera volume de financiamento
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é um dos principais vetores de financiamento. A instituição deve liberar, com recursos próprios, cerca de R$ 54 bilhões para projetos selecionados na região. “Os processos já estão bem adiantados, cada projeto em sua fase, mas todos sendo acompanhados pelas equipes setoriais do banco”, explicou o assessor de diretoria de crédito digital do BNDES, Caio Cavalcanti Ramos .
Além das operações diretas, o banco também atua por meio de linhas indiretas, em parceria com instituições como Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Essa frente amplia o alcance do crédito, especialmente para empresas de menor porte, com acesso a recursos voltados à descarbonização, inovação industrial e inclusão digital.
Banco do Nordeste amplia pipeline
O presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, ressaltou que a instituição já possui cerca de R$ 10 bilhões para os projetos da Chamada Nordeste em tramitação interna. “A gente está contemplando as expertises regionais, garantindo que cada estado tenha prioridade e que pelo menos um projeto seja efetivado já em 2026”, afirmou.
A Sudene, responsável pela coordenação regional, também reforçou o compromisso com o cronograma. O superintendente Francisco Alexandre indicou que a expectativa é alcançar as primeiras contratações até abril e consolidar a meta de um projeto por estado até junho. “Estamos trabalhando para que esses projetos se materializem, porque isso significa geração de renda e crescimento do PIB regional”, pontuou .
Turismo entra na agenda de investimentos
Além da agenda de investimentos, o Coriff aprovou ainda a criação de um grupo de trabalho voltado ao turismo, com o objetivo de mapear gargalos e estruturar novas oportunidades de financiamento no setor, considerado estratégico para o Nordeste. A proposta é percorrer os estados em articulação com governos locais, instituições financeiras e representantes do setor produtivo, apresentando linhas de crédito disponíveis e identificando oportunidades de investimento.
“Nós vamos chamar as instituições financeiras para que elas apresentem as linhas de crédito e as possibilidades, e, a partir disso, vamos estruturar uma agenda de investimentos para o turismo em toda a região”, explicou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre.
Além da mobilização institucional, o GT também prevê a contratação de uma consultoria especializada para mapear gargalos estruturais e apontar segmentos prioritários dentro da cadeia do turismo, como hotelaria, transporte, equipamentos culturais e serviços associados. O objetivo é alinhar diagnóstico técnico com instrumentos de financiamento, tornando mais assertiva a aplicação de recursos. “A partir desse estudo, a gente vai discutir quais são as alternativas de financiamento e onde estão as maiores necessidades de investimento. Isso vai nos permitir atuar de forma mais direcionada e eficiente”, afirmou Francisco Alexandre.
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