
O senador Fernando Dueire (MDB-PE) apresentou o Projeto de Lei 3311/2025, que institui o Programa Nacional do Metano Zero. A iniciativa tem como objetivo transformar resíduos sólidos em energia limpa e reduzir emissões de gases de efeito estufa. A proposta está entre as prioridades da pauta ambiental no Senado e o parlamentar espera que ela votada antes da realização da COP 30, em Belém (PA).
O metano é considerado pela comunidade científica o segundo maior responsável pelo aquecimento global, depois do dióxido de carbono (CO₂). De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), esse gás tem potencial de aquecimento global cerca de 28 vezes superior ao do CO₂ em um horizonte de 100 anos. No Brasil, as principais fontes de emissão estão no setor agropecuário, em aterros sanitários e em sistemas de tratamento de esgoto. A proposta de Dueire busca atacar justamente essas frentes, criando mecanismos para transformar poluentes em energia renovável.
“Estamos diante de uma política estratégica que reúne inovação tecnológica, impacto ambiental positivo e inclusão social. O Brasil tem condições de liderar essa transformação e mostrar ao mundo que é possível crescer com responsabilidade”, afirmou o senador.
Tecnologias e mercado de carbono
O projeto incentiva o uso de tecnologias como a biodigestão anaeróbia, o coprocessamento de resíduos e a recuperação energética de materiais não recicláveis. A meta é criar um novo modelo de gestão de resíduos que produza energia elétrica e biocombustíveis. Um dos pilares da iniciativa é o Certificado de Origem Metano Zero, instrumento que permite mensurar e monetizar a redução das emissões, com potencial de integração ao mercado de carbono em expansão no Brasil.
Além disso, o texto prevê a criação do Comitê Interministerial do Programa Nacional do Metano Zero (Cipem), responsável por normas, fiscalização e articulação entre União, estados, municípios e sociedade civil. O programa também estabelece metas obrigatórias de contratação mínima de energia gerada a partir de resíduos, que será integrada à matriz energética nacional.
Dueire quer aprovação até COP30
“A COP 30 é uma oportunidade histórica. Precisamos chegar lá com soluções concretas, capazes de demonstrar que o Brasil não apenas assume compromissos climáticos, mas também os transforma em políticas públicas consistentes”, disse Dueire.
Outro diferencial do projeto é a atenção a empreendimentos de pequeno porte, com regras simplificadas de certificação e estímulos à participação de cooperativas de catadores. Parte da receita gerada com os certificados poderá ser direcionada para redução tarifária no setor elétrico e investimentos em saúde pública, criando um ciclo de benefícios sociais e ambientais.
O PL 3311/2025 também se alinha ao Pacto da Transição Ecológica, lançado pelo governo federal, e complementa políticas em andamento, como o marco legal da energia eólica offshore e o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. Para Dueire, “tratar o metano como prioridade é essencial para garantir coerência à agenda climática brasileira. Essa proposta coloca o Brasil entre os países que levam a sério o futuro do planeta”.
Veja também:
GoVerde vai implantar uma segunda planta de e-metanol em Suape










