
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta terça-feira (2) a Operação Check-in, que investiga desvios em contratos de terceirização de mão de obra celebrados pela Prefeitura do Recife em 2020. Os valores repassados pelo município à empresa investigada somaram cerca de R$ 25,8 milhões, dos quais aproximadamente R$ 17 milhões eram de origem federal. A operação mobilizou 32 policiais federais e dois auditores da CGU, que cumpriram oito mandados de busca e apreensão nos municípios pernambucanos de Recife, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho. Não houve prisões.
As investigações, iniciadas em 2026 a partir da apreensão de canhotos de cheques no âmbito da Operação Firenze, apontam para o pagamento de vantagem indevida a agente público do alto escalão da Prefeitura do Recife por parte da empresa contratada. O nome e o cargo do servidor não foram divulgados pela PF. Segundo a corporação, a empresa investigada já mantinha relação contratual com a prefeitura em exercícios anteriores a 2020, o que levanta a possibilidade de o prejuízo ao erário ser ainda mais robusto. Os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, organização criminosa, fraude em licitação ou contrato e lavagem de capitais.
Os contratos são do exercício de 2020, último ano da gestão do então prefeito Geraldo Júlio (PSB). A Prefeitura do Recife divulgou nota nesta terça-feira (2) afirmando que “não é alvo da operação Check-in, que trata de contratos referentes a uma empresa terceirizada que atuou em contratos celebrados em 2020 no âmbito municipal”, e reforçou que segue à disposição dos órgãos de controle.
Firenze e o esquema de terceirização em Pernambuco
A Operação Firenze, deflagrada em 5 de junho de 2025 pela mesma dupla PF-CGU, investigou organização criminosa especializada em fraudes licitatórias em municípios pernambucanos. As empresas do grupo mantinham contratos de terceirização de mão de obra com diversos municípios do estado e com o governo estadual, gerando receitas superiores a R$ 880 milhões entre 2021 e 2024, dos quais mais de R$ 214 milhões tinham origem em recursos federais.
Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Jaboatão dos Guararapes, Timbaúba e São Paulo, com participação de 95 policiais federais e seis auditores da CGU. Segundo a CGU, os contratos de terceirização investigados afetam diretamente políticas públicas de saúde, educação e assistência social.
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