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Pesquisador da UFRN amplia portfólio de patentes em propulsão aeroespacial

Professor Robson Fernandes de Farias, da UFRN, deposita duas patentes em abril e chega a sete pedidos em cinco anos, com formulações de propelentes testadas no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (RN)
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  1. Professor Robson Fernandes de Farias da UFRN deposita duas novas patentes de propelentes sólidos para foguetes.
  2. Formulações inovadoras combinam óxido de grafite com polianilina e ligas metálicas de alumínio-magnésio-lítio.
  3. Novas composições aumentam energia de combustão enquanto reduzem custos de produção de propelentes.
  4. Testes práticos realizados em abril no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno validam desempenho das soluções.
  5. UFRN amplia presença do Nordeste na agenda espacial brasileira com tecnologia aeroespacial de destaque.
Pesquisador da UFRN amplia portfólio de patentes em propulsão aeroespacial
Na UFRN, os testes são realizados no Laboratório de Propulsão Química, vinculado ao Departamento de Engenharia Mecânica. Foto: Cícero Oliveira/UFRN

Duas novas patentes de propelentes sólidos para foguetes e mísseis foram depositadas em abril pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ampliando para sete pedidos de patente o portfólio desenvolvido nos últimos cinco anos pelo professor Robson Fernandes de Farias, do Departamento de Engenharia Mecânica. As formulações utilizam compostos inéditos: uma delas combina óxido de grafite intercalado com polianilina e nanopartículas de alumínio; a outra usa ligas metálicas de alumínio-magnésio-lítio combinadas a um metal-organic framework (MOF) de parede dupla. As duas formulações visam elevar a energia liberada durante a combustão e reduzir o custo de produção.

A lógica das formulações é aumentar a proporção de combustível na mistura ao reduzir a necessidade de componentes adicionais. O óxido de grafite, por ter alto teor de oxigênio, permite essa substituição diretamente. O MOF de parede dupla potencializa a reação química. O resultado, segundo o pesquisador, é maior tempo de queima e melhor desempenho global. “A possibilidade de produzir propelentes com menor custo e boa performance pode representar uma vantagem competitiva significativa para países e instituições que dominam essa tecnologia”, afirma Robson de Farias.

Pesquisador da UFRN amplia portfólio de patentes em propulsão aeroespacial
Professor Robson de Farias defende que propelentes com menor custo e boa performance podem representar uma vantagem competitiva para o país. Foto: Cícero Oliveira/UFRN

Em abril, parte das formulações foi testada no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, a 12 km de Natal, em foguetes desenvolvidos especificamente para essa finalidade. Inaugurado em 12 de outubro de 1965 e considerado a primeira base de lançamentos de foguetes da América do Sul, o CLBI acumula mais de 400 lançamentos e tem no currículo missões com a NASA, o Instituto Smithsonian e a Agência Espacial Europeia.

Atualmente, o centro opera lançamentos de foguetes de pequeno e médio porte e vende serviços de lançamento e rastreamento a organizações nacionais e estrangeiras. Para o pesquisador, o teste “aproxima a pesquisa do uso real em aplicações aeroespaciais e de defesa, podendo validar, na prática, o potencial das novas soluções”. Os protótipos das formulações recém-patenteadas já estão concluídos, e novos estudos seguem em andamento no Laboratório de Propulsão Química da UFRN.

Pesquisador da UFRN amplia portfólio de patentes em propulsão aeroespacial
Novas formulações elevam a energia liberada durante a combustão e ampliam o alcance de foguetes ou mísseis. Foto: Cícero Oliveira/UFRN

UFRN reforça Nordeste na agenda espacial brasileira

O avanço da UFRN ocorre em um momento de expansão da atividade espacial no Nordeste. Em dezembro de 2025, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, sediou o primeiro lançamento comercial de foguete em território brasileiro: o Hanbit-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, decolou em 23 de dezembro na Operação Spaceward, transportando cinco satélites e três experimentos de instituições brasileiras e indianas.

O foguete não alcançou a órbita pretendida, encerrando a missão sem sucesso. Ainda assim, a operação confirmou Alcântara como plataforma ativa para lançamentos comerciais internacionais. O CLA é a base de lançamento mais próxima da linha do equador, conferindo vantagem significativa no lançamento de satélites geossíncronos.

Para Robson de Farias, o patenteamento em áreas sensíveis como propulsão é estratégico: “Garante a precedência da invenção e assegura os direitos intelectuais e econômicos ao pesquisador e à instituição envolvida.” Além das aplicações em foguetes e mísseis, os propelentes sólidos podem ser utilizados como geradores de gás para turbinas e motores. O objetivo declarado da linha de pesquisa é desenvolver propelentes progressivamente mais baratos sem comprometer o desempenho.

*Com informações da Agir/UFRN

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