
Duas novas patentes de propelentes sólidos para foguetes e mísseis foram depositadas em abril pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ampliando para sete pedidos de patente o portfólio desenvolvido nos últimos cinco anos pelo professor Robson Fernandes de Farias, do Departamento de Engenharia Mecânica. As formulações utilizam compostos inéditos: uma delas combina óxido de grafite intercalado com polianilina e nanopartículas de alumínio; a outra usa ligas metálicas de alumínio-magnésio-lítio combinadas a um metal-organic framework (MOF) de parede dupla. As duas formulações visam elevar a energia liberada durante a combustão e reduzir o custo de produção.
A lógica das formulações é aumentar a proporção de combustível na mistura ao reduzir a necessidade de componentes adicionais. O óxido de grafite, por ter alto teor de oxigênio, permite essa substituição diretamente. O MOF de parede dupla potencializa a reação química. O resultado, segundo o pesquisador, é maior tempo de queima e melhor desempenho global. “A possibilidade de produzir propelentes com menor custo e boa performance pode representar uma vantagem competitiva significativa para países e instituições que dominam essa tecnologia”, afirma Robson de Farias.

Em abril, parte das formulações foi testada no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, a 12 km de Natal, em foguetes desenvolvidos especificamente para essa finalidade. Inaugurado em 12 de outubro de 1965 e considerado a primeira base de lançamentos de foguetes da América do Sul, o CLBI acumula mais de 400 lançamentos e tem no currículo missões com a NASA, o Instituto Smithsonian e a Agência Espacial Europeia.
Atualmente, o centro opera lançamentos de foguetes de pequeno e médio porte e vende serviços de lançamento e rastreamento a organizações nacionais e estrangeiras. Para o pesquisador, o teste “aproxima a pesquisa do uso real em aplicações aeroespaciais e de defesa, podendo validar, na prática, o potencial das novas soluções”. Os protótipos das formulações recém-patenteadas já estão concluídos, e novos estudos seguem em andamento no Laboratório de Propulsão Química da UFRN.

UFRN reforça Nordeste na agenda espacial brasileira
O avanço da UFRN ocorre em um momento de expansão da atividade espacial no Nordeste. Em dezembro de 2025, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, sediou o primeiro lançamento comercial de foguete em território brasileiro: o Hanbit-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, decolou em 23 de dezembro na Operação Spaceward, transportando cinco satélites e três experimentos de instituições brasileiras e indianas.
O foguete não alcançou a órbita pretendida, encerrando a missão sem sucesso. Ainda assim, a operação confirmou Alcântara como plataforma ativa para lançamentos comerciais internacionais. O CLA é a base de lançamento mais próxima da linha do equador, conferindo vantagem significativa no lançamento de satélites geossíncronos.
Para Robson de Farias, o patenteamento em áreas sensíveis como propulsão é estratégico: “Garante a precedência da invenção e assegura os direitos intelectuais e econômicos ao pesquisador e à instituição envolvida.” Além das aplicações em foguetes e mísseis, os propelentes sólidos podem ser utilizados como geradores de gás para turbinas e motores. O objetivo declarado da linha de pesquisa é desenvolver propelentes progressivamente mais baratos sem comprometer o desempenho.
*Com informações da Agir/UFRN
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