
O prefeito do Recife, João Campos (PSB), entregou nesta quarta-feira (7) o Parque Alagável Campo do Barro, o segundo equipamento desse tipo inaugurado na cidade. A estrutura integra a estratégia municipal de enfrentamento às enchentes em áreas historicamente afetadas por alagamentos, com atuação direta na bacia do Rio Tejipió, uma das mais críticas do município.
O parque faz parte de um conjunto de oito parques lineares, dos quais quatro são classificados como alagáveis, projetados para ampliar a capacidade de retenção das águas das chuvas e reduzir o avanço das cheias sobre áreas residenciais e vias urbanas. A proposta é combinar drenagem urbana com uso permanente do espaço público.
Ao destacar a função do equipamento, o prefeito explicou o conceito técnico adotado pela gestão municipal. “O parque vai funcionar durante quase todos os dias do ano como espaço de lazer e convivência e, nos períodos de chuva forte, vai acumular água para evitar que ela chegue às casas das pessoas. É uma estratégia usada no mundo inteiro, com dupla função, que coloca a segurança das pessoas em primeiro lugar. Isso nunca foi feito na história do Recife”, afirmou João Campos.

Parque para retenção de água
O projeto foi concebido para que o campo de futebol e de vôlei existentes no local funcionem como reservatório temporário nos períodos de chuva intensa. Em dias de estiagem, o espaço é utilizado normalmente pela comunidade. Essa solução evita que o volume excedente de água avance para ruas e moradias próximas.
Com investimento de R$ 3,4 milhões, por meio do ProMorar Recife, o parque ocupa uma área superior a 23 mil metros quadrados e tem capacidade de armazenar temporariamente 1.510,88 metros cúbicos de água, o equivalente a cerca de 1.500 caixas d’água de mil litros. Segundo a Prefeitura, esse volume contribui para reduzir a elevação do nível do rio em eventos de chuvas intensas.
A secretária de Projetos Especiais, Marília Dantas, destacou que a intervenção foi planejada para integrar infraestrutura urbana, meio ambiente e uso social do espaço. “Essa é uma intervenção planejada para mitigar os impactos das inundações sazonais e promover o convívio social e a preservação ambiental. No período das chuvas o parque acumulará água e, ao mesmo tempo, oferece um espaço de convivência e lazer”, afirmou.
Capacidade de drenagem ampliada
O Parque Alagável Campo do Barro integra um projeto mais amplo de macrodrenagem — termo técnico que se refere a intervenções estruturais em rios e canais para controlar grandes volumes de água. A primeira etapa incluiu o alargamento de 850 metros do Rio Tejipió. Estão previstas novas intervenções, como o alargamento de mais dois quilômetros do rio, no trecho entre a garagem da empresa Metropolitana e a Avenida Recife.
Durante entrevista, o prefeito detalhou o funcionamento do sistema. “Esse é o conceito clássico ou popular de um parque alagável, que é um parque que funciona para o lazer, para as pessoas utilizarem, jogarem bola, exercício, corrida, atividade física nos dias de sol e num dia de forte chuva, o que é área de lazer vai ser uma área que vai ser coberta de água. Por que isso é assim? Porque primeiro é melhor para a cidade, porque você tem dois usos.”
João Campos acrescentou que a estratégia evita a construção de reservatórios sem uso social. “Em vez de fazer só um reservatório de água aqui, uma piscina que vai ser utilizada para nada, você cria um parque. E, segundo, em vez da água ir para casa das pessoas, ela vai para um campo de futebol que é projetado para isso.”
Segundo o prefeito, os parques fazem parte de um pacote mais amplo de intervenções. “Não apenas esse parque vai resolver o problema, mas estamos falando de oito parques que estão ou entregues ou em projeto para serem executados. Esse conjunto de obras é o que vai fazer com que a gente tenha uma capacidade maior de drenagem nessa região.”
Validação técnica dos projetos
Além dos parques, o município prevê a implantação de sistemas complementares, como estações de bombeamento e a construção da laje estaqueada da Avenida Dom Hélder Câmara, descrita pelo prefeito como “um reservatório gigante”, projetado para armazenar água da chuva sob a estrutura viária.
De acordo com João Campos, o conjunto de obras deve demandar investimentos entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele ressaltou que os projetos foram desenvolvidos com base em modelagem hidrológica e hidrodinâmica, estudos técnicos que simulam o comportamento da água em diferentes cenários de chuva.
“Nós fizemos toda essa modelagem e todos esses projetos são feitos com tripla validação. Tem uma validação local, tem uma validação no Brasil feita pelo BID e tem uma validação também de uma consultoria da Espanha, contratada pelo Banco Interamericano para validar todos esses componentes de drenagem”, afirmou.
Impacto direto na comunidade
Além da função hidráulica, o parque conta com deck, guarda-corpo, arquibancada, iluminação, brinquedos, paisagismo e uma pista de cooper de 400 metros, demanda antiga dos moradores da região.
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