
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu um passo decisivo na organização do pleito de 2026 ao formalizar uma frente de trabalho conjunta com os tribunais regionais. Em sua primeira reunião com os presidentes dos TREs após assumir o cargo, o ministro Nunes Marques estabeleceu como prioridade a criação de uma comissão permanente voltada exclusivamente para o uso responsável da Inteligência Artificial (IA) nas campanhas eleitorais.
O novo grupo técnico terá a missão de elaborar um catálogo nacional de soluções para os desafios tecnológicos que a Justiça Eleitoral enfrentará nos próximos meses. A estratégia busca antecipar problemas como a disseminação de deepfakes e o uso de robôs para influenciar o eleitorado.
De acordo com o planejamento apresentado, os trabalhos dessa comissão devem ser finalizados em um prazo de 90 dias, período crucial para o fechamento das regras de propaganda.
Parcerias técnicas e perícia digital
Para garantir a eficácia das investigações sobre irregularidades no ambiente virtual, o TSE confirmou parcerias com universidades especializadas em perícias de ilícitos digitais.
Essa cooperação científica visa dar suporte técnico aos magistrados em casos de manipulação de áudio e vídeo que possam comprometer a lisura do processo. A ideia é que a academia forneça ferramentas de ponta para identificar conteúdos sintéticos não rotulados.
Além do reforço externo, a infraestrutura interna da Justiça Eleitoral passará por uma modernização obrigatória. Ficou definido que todos os Tribunais Regionais Eleitorais devem criar, no prazo de 30 dias, suas próprias unidades de segurança da informação.
A medida descentraliza o monitoramento de ataques cibernéticos e protege os bancos de dados locais contra tentativas de invasão ou vazamento de informações sensíveis.
Diálogo com partidos e regras de março
A gestão de Nunes Marques, iniciada em 12 de maio, sinaliza um endurecimento na fiscalização das condutas partidárias. O presidente do TSE decidiu que realizará rodadas de conversas com as legendas para reafirmar a obrigatoriedade do cumprimento das normas vigentes.
O foco será garantir que as inovações tecnológicas não sejam utilizadas para burlar a legislação ou realizar ataques coordenados contra adversários.
As ações atuais complementam as resoluções aprovadas pela Corte em março deste ano. Entre as principais restrições está a proibição de que provedores de IA ofereçam, mesmo se solicitados, sugestões de candidatos para votação.
Segundo o entendimento do tribunal, o objetivo da norma é evitar que a interferência de algoritmos condicione a escolha dos cidadãos, preservando a autonomia do voto direto e secreto.
Combate à desinformação nas redes
De acordo com as diretrizes do TSE, a Justiça Eleitoral também mantém o monitoramento constante sobre as plataformas de redes sociais. A obrigação de rotular conteúdos gerados por IA é um dos pilares para as eleições presidenciais de outubro.
Candidatos que utilizarem ferramentas digitais para criar fatos sabidamente inverídicos ou para descontextualizar falas de oponentes estarão sujeitos à cassação de registro ou de mandato.
O tribunal reforça que o uso da tecnologia deve ser uma ferramenta de transparência e não de engano. A criação da comissão permanente e das unidades de segurança nos estados cria uma “malha fina” tecnológica.
Com o prazo apertado até as eleições, a integração entre o TSE e as universidades surge como a principal aposta para barrar o avanço de estratégias de desinformação que evoluem na mesma velocidade das novas ferramentas digitais.
Com informações da Agência Brasil e do portal do TSE.
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