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Eleição 2026 transforma Alepe e Câmara em campo de batalha político

Retomada dos trabalhos legislativos expõe escalada de conflitos entre governo e oposição, como reflexos diretos da eleição estadual de 2026
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A Assembleia Legislativa e a Câmara do Recife iniciam ano legislativo com muita polêmica e se transforma em palco das eleições de 2026 Foto: Divulgação
A Assembleia Legislativa e a Câmara do Recife iniciam ano legislativo com muita polêmica e se transforma em palco das eleições de 2026 Foto: Divulgação

Esta segunda-feira (2) marca não apenas a retomada dos trabalhos legislativos em Pernambuco, mas o início formal da temporada de confrontos mais acirrados que deve se estender até a eleição de outubro. A reabertura da Assembleia Legislativa (Alepe) e da Câmara Municipal do Recife ocorre sob a sombra de pedidos de impeachment contra a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB), em um ambiente já contaminado pela antecipação da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Embora os riscos jurídicos de deposição sejam muito baixos, o movimento expõe um Legislativo em modo de campanha permanente, onde cada crise administrativa é convertida em munição política.

Na Assembleia Legislativa, o cenário é de confronto aberto e escalada contínua entre o Palácio e uma oposição que, na prática, controla o ritmo da Casa. O pedido de impeachment contra Raquel Lyra, protocolado pelo deputado Romero Albuquerque (União), tem como base a suspeita de crime de responsabilidade envolvendo a empresa Logo Caruaruense, ligada à família da governadora. O requerimento sustenta que a empresa teria operado sem vistorias obrigatórias e com taxas em atraso, levantando a tese de omissão ou favorecimento indevido por parte do Executivo estadual. Após o episódio vir à tona, a Caruaruense entregou as linhas à Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI) e a empresa foi encerrada.

Mais do que o mérito jurídico, o pedido se soma a um ambiente de confronto político já em curso. A oposição tem o controle das principais comissões permanentes da Casa, travando matérias estratégicas do governo. Um exemplo foi o pacote de quatro propostas enviado durante a convocação extraordinária e que segue paralisado. Em outro braço, a chamada CPI da Publicidade, que apura contratos do governo, permanece como ameaça latente, nunca formalmente arquivada, ficando como uma sombra constante que ameaça o Governo.

O desgaste do governo se ampliou com novos episódios que prometem repercussão direta no plenário. Entre eles, a revelação do monitoramento de um secretário da Prefeitura do Recife, episódio que, embora atinja a gestão de João Campos, tende a ser explorado na Alepe como símbolo da degradação institucional e do uso político de estruturas administrativas. O assunto ganhou um novo capítulo neste fim de semana, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinou que a Polícia Federal apure a atuação da Polícia Civil de Pernambuco.

Soma-se a isso a situação do presidente da EPTI, alvo de acusações de racismo e misoginia, caso que pressiona o governo Raquel Lyra a dar respostas rápidas e que deve ser explorado pela oposição como prova de falhas na condução política e administrativa do Estado.

Em 2025, Álvaro Porto Recebeu de forma amistosa a governadora Raquel Lyra, na abertura do ano legislativo

Álvaro x Raquel

A relação entre Álvaro Porto e Raquel Lyra, antigos aliados no PSDB, tornou-se o eixo central desse embate. O rompimento, que começou a se desenhar ainda em 2023, ganhou contornos irreversíveis após o vazamento de um áudio em que Porto ironizava um discurso da governadora justamente na abertura do ano legislativo, em 2024. Com o microfone da TV Alepe aberto, ele deixou escapar uma fala agressiva contra a governadora Raquel Lyra. “O discurso dela, eu não entendi nada. Conversou m… demais e não disse nada”, disse Álvaro Porto.

A crise se aprofundou quando o deputado assumiu o controle do PSDB estadual por meio de intervenção da direção nacional, provocando a saída de Raquel e de dezenas de prefeitos da legenda. Desde então, Porto passou a adotar um discurso sistemático de enfrentamento, acusando o Palácio de baixa execução orçamentária, atraso no pagamento de emendas parlamentares e incapacidade de transformar recursos disponíveis em entregas concretas. A cada sessão, essa narrativa é reforçada, ampliando o isolamento político da governadora dentro da Casa.

A governadora Raquel Lyra marcou presença em todas as sessões de abertura do ano legislativo. Diante do cenário conturbado, no entanto, aliados da gestora evitam confirmar a presença dela nesta segunda-feira (2). “Ainda não está confirmado”, destacou um aliado de Raquel, às 20h52 deste domingo (1º).  

Se na Alepe o ambiente é de guerra aberta, na Câmara Municipal do Recife o cenário é mais controlado, embora não livre de ruídos. O pedido de impeachment contra João Campos, apresentado pelo vereador Eduardo Moura (Novo), baseia-se na denúncia de fraude na nomeação de um procurador municipal para uma vaga destinada à Pessoa com Deficiência (PCD). A acusação aponta alteração indevida na classificação do concurso, o que caracterizaria violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.

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Eleição na pauta da Câmara

Apesar do barulho, João Campos conta com uma maioria folgada na Câmara, o que reduz drasticamente qualquer risco político. Ainda assim, o episódio se soma a outros desgastes recentes e passa a integrar o arsenal retórico da oposição estadual, especialmente na Alepe, onde o prefeito do Recife é tratado como principal adversário eleitoral de Raquel Lyra em 2026. A estratégia é clara: fragilizar João Campos no plano administrativo, enquanto se mantém a pressão máxima sobre a governadora no plano institucional. O prefeito João Campos deve estar presente à reabertura dos trabalhos.

Nos dois casos, os pedidos de impeachment funcionam menos como instrumentos jurídicos e mais como marcadores simbólicos de uma disputa que já saiu há tempos do subterrâneo da política. Com discursos cada vez mais duros, CPIs como ameaça permanente e crises administrativas transformadas em palco político, o Legislativo pernambucano inicia 2026 não como espaço de mediação, mas como o primeiro grande palanque da sucessão estadual.

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