
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (2), que o Governo Federal vai anular o leilão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) realizado pela Petrobras na última terça-feira (31). O certame, que durou mais de seis horas, registrou ágios superiores a 100% e afetou o preço do gás de cozinha em polos estratégicos do país.
Lula criticou duramente a realização do leilão, sugerindo que houve um descumprimento das diretrizes da gestão federal. “Foi feito um leilão com cretinice e bandidagem que fizeram com o óleo diesel. As pessoas sabiam da orientação do governo e da Petrobras: ‘Não vamos aumentar o GLP’. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, disparou em entrevista à TV Record da Bahia.
“Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão. O povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, enfatizou o presidente.
Disparada nos preços e impacto no Gás do Povo
O leilão envolveu a venda de 70 mil toneladas de GLP, volume que representa cerca de 11% do consumo mensal brasileiro. O impacto mais severo foi sentido no polo de Duque de Caxias (RJ), onde o preço mínimo saltou de R$ 33,37 para R$ 72,77, uma valorização de 117% em relação ao preço de referência.
A alta ameaça diretamente o programa “Gás do Povo”, cujo preço de referência estava congelado desde novembro de 2024. Agentes do setor alertam que, caso o leilão fosse mantido, o governo seria forçado a reajustar os valores do benefício.
A pressão sobre o combustível é reflexo direto da guerra no Oriente Médio, já que o Brasil ainda depende da importação de parte do GLP e do óleo diesel consumidos internamente.
Planos para recomprar refinaria e críticas a privatizações
Além de barrar o aumento imediato, Lula reforçou o interesse estratégico em retomar o controle de ativos vendidos em gestões anteriores. O presidente citou estudos para a recompra da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, privatizada em 2021.
Ele também lamentou a venda da BR Distribuidora, afirmando que a ausência de uma rede estatal dificulta o controle de preços nas bombas. ”Se nós tivéssemos a BR, a gente poderia garantir que o preço não subiria, mas eles venderam a BR. O que é grave é que privatizaram e nós só podemos recomprá-la em 2029. Ou seja, nós não temos hoje distribuidora”, declarou.
Blindagem contra os efeitos da guerra no exterior
O governo tenta criar um “escudo” para evitar que a volatilidade internacional chegue ao prato e ao bolso do brasileiro. Ao classificar o conflito no Oriente Médio como “irresponsável”, Lula direcionou a responsabilidade financeira da crise aos líderes de Israel e dos Estados Unidos.
”O presidente Trump é que pague, o Netanyahu em Israel que pague, mas o povo brasileiro não vai pagar. Nós não vamos aumentar o óleo diesel para o caminhoneiro”, afirmou o petista, sinalizando que a contenção de preços nos combustíveis e alimentos segue como prioridade absoluta para evitar o desgaste político e a inflação.
Leia também: Trump promete força extrema contra o Irã e minimiza alta da gasolina










