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O recorde das importações da China: avanço estratégico ou alerta silencioso?

É fundamental ressaltar que tivemos um aumento da parceria e da relação Brasil-China como nunca antes
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Gustavo Delgado
Gustavo Delgado/Foto: divulgação

Por Gustavo Delgado*

No ano passado o Brasil alcançou um valor histórico de importação da China, superamos a barreira dos 70 bilhões de dólares em importações vindas dessa potência asiática. Só para se ter noção da velocidade desse crescimento, nos últimos 2 anos, aumentamos em 10 bilhões de dólares a importação dessa origem, a cada ano! Números realmente impressionantes e em um ritmo muito intenso. De 2020 para cá, por exemplo, dobramos o valor total de importação chinesa!

Estes dados que nos chocam em um primeiro momento, ao serem aprofundados, trazem novos olhares e novas perspectivas. É preciso mencionar também que, mesmo com este recorde de importação, temos um superavit comercial de quase 30 bilhões de dólares. Ou seja, ainda exportamos mais do que importamos, muito embora este saldo positivo venha diminuindo ano a ano, mas num ritmo muito inferior ao crescimento da importação como mencionado anteriormente. A explicação para isto é que a corrente de comércio, ou seja, a soma das importações e das exportações com a China tem aumentado anualmente. Portanto, aumentamos as importações, mas também aumentamos as exportações, e ressalto ainda que no ano passado não batemos recorde histórico de exportação, pois em 2023 foi que exportamos quase 105 bilhões de dólares.

Neste contexto, para entender ainda melhor estes dados, é preciso analisar os produtos… Na exportação: nada de novo, continuamos exportando muito o nosso reconhecido mundialmente agronegócio, juntamente com as commodities minerais. Nosso agro é realmente uma potência, realmente fundamental para nossa economia e para a  economia internacional. Mais de um terço de tudo que exportamos foi de soja, seguido de óleo de petróleo, minério de ferro, carnes, entre outros. Mas o que causou este recorde na importação? Dois produtos se destacam pelo volume e pela falta de histórico importante na nossa relação com a China: plataformas de perfuração ou de exploração, flutuantes ou submersíveis, para São Paulo, e sulfato de amônio para vários Estados do Sudeste e do Centro-Oeste. Obviamente, tivemos aumento de outros itens, mas sem nenhum grande destaque. Só estes dois itens foram responsáveis por quase 50% da quantidade de importação que aumentamos de 2024 para 2025.

E ainda conectando estes dados com Pernambuco, identificamos que não tivemos aqui recorde de importação da China, pois nosso recorde foi em 2024, com mais de 1,5 bilhões de dólares. Por outro lado o que destacamos é o volume de exportação pernambucana para esse país no ano passado. Pernambuco mais do que dobrou seu volume exportado entre 2024 e 2025! E o item que é responsável por este incrível aumento foi um único: os derivados de petróleo, com a retomada da refinaria, representando mais de 95% de tudo que exportamos no ano passado para o gigante asiático.

Sendo assim, os impressionantes números da importação brasileira, cuja origem foi a China, foram motivados, entre outros fatores, por dois itens pontuais, e este fato pode nos trazer reflexões valiosas e análises estratégicas. Mas também é fundamental ressaltar que tivemos um aumento da parceria e da relação Brasil-China como nunca antes, e numa constante de crescimento. Já para Pernambuco, aumentamos a importação, mas crescemos ainda mais a exportação, porém, com uma concentração absurda da pauta de exportação que nos fragiliza (a chamada “concentração de risco”), embora seja muito bom pontualmente para o estado. A pergunta que fica é: se o crescimento da importação brasileira não teve participação direta nossa, de Pernambuco e se na exportação o crescimento se deveu basicamente a um item, que estratégia nosso Estado está ou deveria estar tendo com este grande player mundial?

*Gustavo Delgado é Consultor de comércio exterior e de internacionalização de empresas, Diretor de OCCA, Diretor de inovação da ABDAEX, Coordenador de MBA em Comércio exterior, Coordenador do curso de Relações Internacionais da UNIFBV e Mestre em Economia

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