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ExpoGesso atrai multidões, mas deixa a desejar em negócios e inovação

Evento em Trindade precisa se reinventar para manter protagonismo do polo do gesso do Araripe
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Daniel Torres/Foto: divulgação

Por Daniel Torres*

A última edição da Exposição e Feira Internacional das Indústria do Gesso (ExpoGesso), que aconteceu entre 23 e 25 de outubro, em Trindade-PE, considerada a Capital do Gesso. Este evento nasceu da necessidade do Polo Gesseiro do Araripe se consolidar através de uma exposição mostrando toda a sua potencialidade do setor, e trocas de experiências entre produtores, a oferta de novas tecnologias de produção voltada para toda a cadeia produtiva, o incentivo a realização de novos negócios.

Na nossa visão, o projeto de uma exposição, de uma feira de negócios dever ser reestruturada, reformulada: a ExpoGesso está perdendo o seu objetivo, negócios para alavancar o polo gesseiro, gerar divisas para o setor. Visitando o evento não vi um stands de empresas local. Só stands de fornecedores de máquinas e equipamentos. Um momento festivo, grande público nos dias dos shows, uma grade de programação artística para ninguém reclamar, porém público não traz divisas para o setor gesseiro, menos mal que gera emprego e renda para a população envolvida.

A região ainda é a maior produtora de gesso de todo o país, produtos para construção civil e para a agricultura. Já fomos a principal, de uns tempos para cá não somos mais, temos outras regiões no país que tem se destacado e caminhado a passos largos como polos promissores no setor. O polo gesseiro do Araripe tem dificuldades para se desenvolver, e a questão da logística para escoar a produção a outras partes do país e exterior é um ponto preocupante. Por rodovias tem suas barreiras, muitas vezes o preço do frete se torna maior que o valor do produto. Outra questão que pesa na produção é sua matriz energética onde vários produtores utilizam ainda a lenha para funcionamento dos fornos de calcinação.

Reformulação do evento do gesso

Tem que reestruturar, reformular a concepção do projeto da ExpoGesso transformar ele em um evento nacional do gesso e não só do polo gesseiro regional, trazer participação de empresas de fora até internacionais disponibilizando novas experiências, novas tecnologias de produção para todo o setor. Não se viu uma empresa trazendo tecnologias para desenvolver a produção de uma forma geral, se viu apenas máquinas e equipamentos para as mineradoras, se resumiu o foco apenas a mineração. Não tinha nada apresentando o gás natural para o setor como solução como matriz energética, apesar de já existir algumas experiências implantadas na região em fase experimental. Nada foi apresentado referindo-se a grande obra redentora do setor gesseiro que é a Ferrovia Transnordestina que será responsável por mudar a logística de transporte, e consequentemente a instalação do Porto Seco na região. Lamentável a não inclusão como tema principal durante o evento.

Histórico

O primeiro evento voltado ao Polo Gesseiro do Araripe aconteceu em 1997 a GIPSUM FAIR’97 realizada no Centro de Convenções no Recife em que acompanhamos. A 1ª Feira Internacional de Tecnologia, Produtos, Serviços, Aplicações e Uso de Gesso reuniu cerca de 130 empresas, recebeu a visita de 10 mil pessoas durante quatros dias e gerou cerca de R$ 25 milhões em negócios. Nesse evento não houve apresentações artísticas. De lá para cá se sucederam vários outros eventos não mais como o mesmo nome porém como ExpoGesso. Em outras edições os produtores conheceram novas tecnologias, como por exemplo, um equipamento para produção de placas em larga escala que é chamado popularmente de carrossel e novos fornos. O polo gesseiro do Araripe precisa avançar em todos os sentidos.

Se continuar assim vamos perder o protagonismo do setor como já estamos perdendo, não somos mais o principal produtor de gesso da América Latina e do Brasil, hoje o Maranhão está crescendo muito e tomando espaço que outrora foi só nosso, eles já ocupam 35% do mercado, daqui a pouco eles fazem um evento ligado ao setor e passa o nosso para atrás.

O Polo Gesseiro da região de Grajaú, no sul do Maranhão, leva uma certa vantagem na questão da logística de transporte através da ferrovia: a interligação da Ferrovia Norte-Sul com a Estrada de Ferro Carajás viabiliza o transporte dos produtos do polo gesseiro de Grajaú para o Porto do Itaqui em São Luis, de onde podem ser exportados a custos competitivos. Enquanto na região do Araripe a ferrovia ainda é um sonho, apesar de estarmos próximos a realizar este sonho através da Transnordestina. Porém, temos vários gargalos. Um deles é que a ferrovia, quando em operação, vai ligar apenas a região ao Porto de Pecém no Ceará, já que não temos uma interligação ferroviária com Suape.

Portanto o polo gesseiro do Araripe tem que se movimentar em todos os sentidos para não perder de vez o protagonismo em se tratando de mercado brasileiro.

*Daniel Torres Araripe, empreendedor social presidente da ADESA – Agência de Desenvolvimento Econômico e Social do Araripe e consultor empresarial CEO da Torres Consultoria e Negócios.

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