
A montadora chinesa BYD inaugurou nesta quinta-feira (9) seu primeiro complexo industrial no Brasil, instalado em Camaçari (BA), no antigo polo da Ford. Com investimento de R$ 5,5 bilhões, a unidade inicia a montagem de veículos elétricos e híbridos plug-in em regime SKD (Semi Knocked-Down), com expectativa de nacionalização gradual da produção até 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia de abertura e afirmou que a instalação da fábrica demonstra a confiança de investidores estrangeiros no país. Ele destacou a trajetória do presidente e fundador da companhia, Wang Chuanfu.
“Esse homem conseguiu se transformar num gênio do carro elétrico, num gênio da tecnologia mais avançada do mundo e constrói essa fábrica extraordinária e deposita confiança no Brasil”, disse Lula.
O complexo ocupa uma área de 4,6 milhões de metros quadrados e começa com capacidade para 150 mil veículos por ano, podendo chegar a 300 mil unidades na segunda fase do projeto. Inicialmente, foram contratados 1.800 trabalhadores, com projeção de até 20 mil empregos diretos e indiretos quando a planta estiver em plena operação.
Montagem e modelos produzidos pela BYD
A produção começa com o modelo 100% elétrico Dolphin Mini e os híbridos Song Pro e King, importados em kits parcialmente desmontados. A fábrica também apresentou o primeiro veículo híbrido plug-in flex do mundo, adaptado ao uso de etanol e gasolina, tecnologia pensada para o mercado brasileiro.
A montadora informou que as etapas de estampagem, soldagem e pintura devem ser internalizadas até o fim de 2026, elevando o índice de nacionalização. A produção ocorre em um local anteriormente desativado, que abrigava a unidade da Ford, fechada em 2021.
Eficiência energética e transição industrial
A fábrica já conta com certificação internacional I-REC, que garante o uso exclusivo de energia elétrica de fontes renováveis. Segundo a BYD, o projeto em Camaçari é o maior da empresa fora da Ásia.
A retomada da atividade industrial no polo de Camaçari representa um marco para a economia da Bahia, que encerrou 2024 com produção de 60,1 mil veículos, segundo a Anfavea. Com a entrada da BYD, o estado volta a integrar o mapa nacional da indústria automotiva, setor que representa cerca de 6% da produção do Nordeste.
Desafios logísticos e cronograma
A previsão inicial era de operação plena ainda em 2025, mas fatores climáticos e entraves jurídicos trabalhistas provocaram o adiamento da conclusão das obras para o fim de 2026. Até lá, a produção será mantida por meio da importação de componentes em kits CKD e SKD.
Presente no Brasil há mais de uma década, a empresa tem outros investimentos no país, com unidades de produção em Campinas (SP) e Manaus (AM), e projetos de expansão e entrada em outros mercados da América Latina.
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