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Cidades nordestinas lideram mobilidade a pé por falta de opções, revela IBGE

Nordeste lidera ida a pé ao trabalho, com Bahia à frente. A carência de transporte público e a necessidade de infraestrutura para pedestres foram revelados no Censo 2022 do IBGE
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Cidades nordestinas lideram mobilidade a pé por falta de opções, revela IBGE
O deslocamento a pé responde por 17,8% dos trajetos para o trabalho no Brasil, aponta Censo Demográfico 2022 do IBGE. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Nordeste se destaca como a região com a maior proporção de trabalhadores que se deslocam a pé para o trabalho: 23,5% da população ocupada, o que representa cerca de 3,7 milhões de pessoas. Em estados como Bahia (28,1%), Alagoas (25,5%) e Pernambuco (25,4%), o deslocamento a pé ultrapassa um quarto da população ocupada, conforme os dados da amostra do Censo Demográfico 2022, divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No recorte nacional, o deslocamento a pé responde por 17,8% dos trajetos para o trabalho. A média nordestina está significativamente acima da média brasileira e de outras regiões, como o Centro-Oeste (18,9%) e o Sudeste (13,3%). Esse padrão indica uma mobilidade curta e fortemente dependente do espaço urbano imediato, o que tem implicações diretas para o planejamento urbano, transporte público e infraestrutura de mobilidade ativa.

Além disso, o Nordeste também apresenta a segunda maior proporção de deslocamentos por motocicleta (26%), atrás apenas da Região Norte (28,5%). O uso de automóvel no deslocamento ao trabalho no Nordeste é de 21%, o menor entre as cinco grandes regiões.

Bahia, Alagoas e Pernambuco lideram nos deslocamentos a pé

Na comparação entre os estados brasileiros, a Bahia lidera com 28,1% da população ocupada se deslocando a pé para o trabalho, seguida por Alagoas (25,5%) e Pernambuco (25,4%). O destaque dessas unidades da federação reforça a importância do planejamento urbano focado em acessibilidade e segurança para pedestres.

Outros estados nordestinos também apresentam percentuais elevados, como Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, todos com índices superiores à média nacional. Já no uso da bicicleta, embora o percentual regional ainda seja baixo (3,1%), o Ceará lidera na região com 3,6%, seguido por Bahia (3,3%) e Maranhão (2,7%).

Apesar de tímido, esse padrão revela potencial para políticas públicas voltadas ao estímulo à mobilidade ativa, principalmente em cidades de médio porte e regiões metropolitanas que já enfrentam saturação do transporte coletivo motorizado.

Cidades nordestinas lideram mobilidade ativa no país

Entre os municípios com maiores taxas de deslocamento a pé para o trabalho, Salvador (BA) aparece com destaque: 25,3% da população ocupada utiliza esse modo de locomoção. O mesmo ocorre em cidades como Maceió (AL) e Recife (PE), ambas com índices próximos ou superiores a 25%.

O levantamento do IBGE revela ainda que Juazeiro do Norte (CE), Campina Grande (PB) e Arapiraca (AL) estão entre os centros urbanos com elevado uso de meios não motorizados, reforçando a dependência de trajetos curtos e a carência de transporte coletivo estruturado.

Cidades de pequeno e médio porte no interior dos estados nordestinos concentram parte relevante dos deslocamentos a pé, com destaque para áreas onde a malha urbana favorece percursos mais curtos entre residência e local de trabalho.

Mobilidade intermunicipal é intensa em estados nordestinos

O Censo também evidencia a alta proporção de trabalhadores que se deslocam para outros municípios. No Nordeste, Sergipe (16,0%), Rio Grande do Norte (15,5%) e Pernambuco (15,2%) estão entre os cinco estados com os maiores percentuais do país. Essa movimentação é reflexo de arranjos urbanos integrados, como a Região Metropolitana do Recife e a Grande Natal.

Esse padrão demonstra uma mobilidade pendular intensa, com implicações em transporte metropolitano, integração tarifária e tempo médio de deslocamento. Em Salvador, por exemplo, 6,4% das pessoas ocupadas levam mais de duas horas para chegar ao local de trabalho, um dos percentuais mais elevados do país entre as capitais.

Tempo de deslocamento e desigualdades por raça e renda

Dois em cada três brasileiros levam até 30 minutos para chegar ao trabalho, mas esse padrão muda conforme a cor/raça e a renda. Populações preta (13,9%) e parda (11%) têm maior participação nos deslocamentos entre uma e duas horas, enquanto brancos somam 8,9% nessa faixa de tempo.

A análise por meio de transporte também revela desigualdades: 29,5% dos trabalhadores pretos usam ônibus como principal meio de transporte, seguidos pelo deslocamento a pé (19,8%) e automóvel (21%). Já entre a população branca, o automóvel é dominante (42,9%), seguido por ônibus (17,6%) e deslocamento a pé (15,7%).

A bicicleta aparece com maior presença entre homens, jovens e pessoas com menor escolaridade. No Nordeste, há ainda um uso superior à média nacional entre trabalhadores com nível fundamental incompleto.

Escolaridade influencia o meio de transporte adotado

Quanto maior o nível de instrução, maior é o uso de automóvel, trem, metrô ou táxi para o deslocamento ao trabalho. Entre pessoas com nível superior completo, 57,8% usam automóvel como meio principal. Já entre os que não têm instrução ou têm apenas o ensino fundamental incompleto, esse percentual cai para 18,9%.

A mobilidade a pé, por bicicleta e caminhonete (pau de arara) ainda é expressiva entre as faixas com menor escolaridade e renda, o que evidencia os desafios de inclusão no sistema de transporte urbano.

Leia mais: IBGE: municípios nordestinos têm menor renda vinda do trabalho

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