
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou publicamente que o Irã aceitou abrir mão da posse de armas nucleares. A declaração foi feita durante uma entrevista a um podcast, oportunidade na qual o líder norte-americano também ressaltou que o aiatolá iraniano está participando ativamente das conversações com a Casa Branca.
De acordo com Trumo, os iranianos já manifestaram conformidade em relação à não manutenção de um arsenal atômico. Apesar de o político ter apresentado diferentes motivos para o início das hostilidades com Teerã, as atividades nucleares da República Islâmica continuam sendo o ponto central das discussões para estabelecer o fim dos combates.
Origens da desconfiança e o acordo de 2015
A tensão entre Washington e Teerã a respeito do desenvolvimento tecnológico e militar é antiga. Conforme levantamento técnico produzido pelo Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA (CRS), as agências americanas manifestam preocupações formais a respeito do refino e enriquecimento de urânio por parte de Teerã desde o início dos anos 2000.
Para tentar solucionar o impasse de forma multilateral, o governo iraniano assinou, em 2015, o Plano de Ação Conjunto Global, conhecido pela sigla JCPOA.
O mecanismo internacional, firmado junto a potências globais, estabelecia tetos rígidos para o enriquecimento de minério por um período de 15 anos e autorizava vistorias frequentes de técnicos da Organização das Nações Unidas (ONU).
No entanto, a estrutura ruiu em 2018, quando Trump retirou os Estados Unidos do tratado durante seu primeiro mandato, retomando severas sanções econômicas. Esse rompimento unilateral gerou anos de desgaste diplomático e fez com que o Irã voltasse a acelerar gradativamente suas atividades de processamento de urânio.
Escalada militar recente até as negociações atuais
A atual fase diplomática ocorre após uma forte escalada militar na região. Washington e Teerã mantinham contatos sobre as restrições atômicas antes que forças dos Estados Unidos e de Israel desfechassem ataques diretos contra Teerã.
A meta fixada por Trump era impedir permanentemente o acesso do país asiático à tecnologia militar nuclear, mesmo com os protestos iranianos de que seus projetos tinham fins pacíficos.
Mesmo com o fim do pacto original e o avanço das tensões nos últimos anos, análises de inteligência dos Estados Unidos divulgadas em 2024 ponderavam a real situação do país persa.
O documento técnico apontava que o Irã não havia iniciado a montagem efetiva de um artefato nuclear, embora tivesse avançado em processos que facilitariam a fabricação rápida caso a liderança emitisse essa ordem.
Alerta global e relatórios da agência atômica da ONU
Em manifestações posteriores ao início das incursões aéreas de norte-americanos e israelenses, o diretor da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi, ponderou que o governo iraniano não estava a poucos dias ou semanas de concluir uma bomba.
O diplomata reconheceu o recolhimento de quantidades expressivas de material com pureza quase militar e criticou a falta de transparência nas inspeções.
Apesar das críticas sobre as vistorias, o chefe da agência internacional esclareceu que a instituição nunca localizou evidências de um plano estruturado para fins bélicos.
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