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Bloqueio trava diálogo Irã-EUA e 30 países planejam missão em Ormuz

Teerã exige encerramento do bloqueio naval norte-americano como condição para negociar. Coalizão de 30 países reúne militares em Londres para planejar reabertura de Ormuz
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Um helicóptero MH-60S Sea Hawk, pertencente ao Esquadrão de Combate Helitransportado (HSC) 14, pousa no convés de voo do porta-aviões de classe Nimitz USS Abraham Lincoln (CVN 72) em apoio à Operação Epic Fury no Estreito de Ormuz, em 4 de março de 2026. Foto: Marinha dos EUA
Um helicóptero MH-60S Sea Hawk, pertencente ao Esquadrão de Combate Helitransportado (HSC) 14, pousa no convés de voo do porta-aviões de classe Nimitz USS Abraham Lincoln (CVN 72) em apoio à Operação Epic Fury no Estreito de Ormuz, em 4 de março de 2026. Foto: Marinha dos EUA

O Irã condicionou o retorno à mesa de negociações com os Estados Unidos ao encerramento do bloqueio naval imposto por Washington aos portos iranianos — a primeira reação formal ao prolongamento do cessar-fogo anunciado na terça-feira (21) pelo presidente Donald Trump. A posição foi comunicada pela agência estatal IRNA, que citou “exigências excessivas e pouco realistas” por parte norte-americana como impedimento à realização de uma segunda rodada de conversações.

A crise se aprofunda em paralelo às tratativas diplomáticas. Pelo menos três navios porta-contêineres foram atingidos por disparos nas imediações do Estreito de Ormuz na quarta-feira (22), segundo fontes da segurança marítima e a Organização de Tráfico Marítimo do Reino Unido (UKMTO).

Um dos navios, com bandeira da Libéria, foi abordado por lancha da Guarda Revolucionária Iraniana (CGRI) após ser alvejado por disparos e granadas lançadas por foguete. A UKMTO informou que o comandante da embarcação relatou o abordamento por uma lancha da CGRI; os tripulantes não foram atingidos e não houve incêndio nem impacto ambiental.

Guarda Revolucionária apreende navios

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) elevou a tensão no Oriente Médio nesta quarta-feira ao realizar a apreensão de duas embarcações no Estreito de Ormuz. A justificativa apresentada pelas autoridades iranianas aponta que os navios estariam perturbando a ordem e a segurança na região, que é considerada a rota marítima mais estratégica para o comércio global de petróleo.

​O episódio ocorre em um momento de extrema fragilidade diplomática, uma vez que o presidente Donald Trump anunciou a prorrogação do cessar-fogo, mas manteve o bloqueio aos portos do país. Segundo o líder norte-americano, a medida restritiva continuará até que Teerã submeta uma proposta concreta para as negociações e as discussões sejam formalmente concluídas.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos como um ato de guerra e uma violação direta dos termos da trégua. Para o chanceler, o país possui os meios necessários para resistir ao que chamou de tentativa de intimidação por parte do governo norte-americano.

Cessar-fogo expira nesta quarta-feira

O cessar-fogo entre Irã, EUA e Israel, iniciado em 7 de abril, encerrava-se às 20h (horário de Washington) desta quarta-feira (22), o equivalente às 21h no horário de Brasília e 3h30 de quinta-feira no Irã. Antes do término, a primeira rodada de negociações — realizada dez dias antes em Islamabad — não produziu nenhum acordo. A segunda rodada, prevista para acontecer também no Paquistão, foi esvaziada pela recusa iraniana.

Segundo a IRNA, Teerã apontou como obstáculos concretos a manutenção do bloqueio naval, a apreensão de um navio cargueiro iraniano pelos EUA e as mudanças repetidas de posição da delegação norte-americana. O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento, afirmou que Trump tentava “transformar a mesa de negociações em uma mesa de submissão”.

Fontes iranianas ouvidas pela agência Reuters indicaram que Teerã não havia descartado definitivamente a participação nas conversas, mas aguardava sinais concretos sobre suas condições — entre elas, o reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio.

Coalizão de 30 países planeja missão naval

Enquanto as negociações permanecem suspensas, representantes militares de mais de 30 países se reuniram nesta quarta-feira (22) em Northwood, ao norte de Londres, no Quartel-General Conjunto Permanente Britânico, para dois dias de planejamento de uma possível missão multinacional de caráter defensivo destinada a reabrir o estreito.

A reunião foi convocada pelo Reino Unido e pela França, que lideram a iniciativa. O objetivo declarado é traduzir em plano militar o consenso político alcançado na semana anterior em Paris, quando cerca de 50 governos e organizações endossaram a proposta franco-britânica de criar uma força estritamente defensiva para proteger o tráfego marítimo em Ormuz. Estados Unidos e Irã não participaram das conversas em Paris nem da reunião em Londres.

Segundo o Ministério da Defesa Britânico, a reunião avaliará capacidades militares disponíveis, estrutura de comando e controle e potencial de destacamento de forças na região. Qualquer operação só será ativada “assim que as condições permitirem, após um acordo de cessar-fogo sustentável”, conforme o comunicado oficial.

O ministro da Defesa britânico, John Healey, afirmou que o objetivo é avançar com “um plano conjunto para salvaguardar a liberdade de navegação e apoiar um cessar-fogo duradouro”. Reino Unido e França trabalham para ampliar o número de parceiros na missão; a lista dos participantes da reunião em Northwood ainda não foi divulgada.

Impacto econômico do fechamento de Ormuz

O Estreito de Ormuz responde pelo trânsito de um quinto das exportações mundiais de hidrocarbonetos. O bloqueio, em vigor desde o início do conflito deflagrado em 28 de fevereiro com os ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, retirou de circulação volume expressivo do fluxo global de petróleo e gás. Os preços do petróleo voltaram a ultrapassar US$ 100 por barril após o anúncio do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, segundo dados da agência Reuters.

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) detalhou que o bloqueio se estende do litoral iraniano até o Golfo de Omã e o Mar da Arábia, com previsão de inspeção de remessas humanitárias — incluindo alimentos e suprimentos médicos — mesmo nas cargas autorizadas. A norma militar estabelece que “qualquer embarcação que entrar ou sair da área bloqueada sem autorização estará sujeita a interceptação, desvio e captura”.

A segunda rodada de negociações e o prazo do cessar-fogo seguem como variáveis abertas; não há cronograma confirmado para nova sessão de diálogo entre as partes.

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